Resultados de busca
936 resultados encontrados com uma busca vazia
- (Des)controle não esbarra em clichês e serve seu propósito
A convite da Sony Pictures , assistimos antecipadamente ao filme (Des)controle estrelado pela atriz Carolina Dickman e que chega aos cinemas no dia 5 de fevereiro. Vem saber o que achamos! O enredo A produção acompanha Kátia, uma mãe que depois de 15 anos sem beber acaba tendo uma recaída após sua separação. Katia Klein é alcoólatra, mas não quer admitir o problema, mas isso acaba piorando a situação com amigos e família. O roteiro Quando usamos o cinema para conscientizar e chamar a atenção para temas sérios, como é o caso do alcoolismo, meu maior medo é que o roteiro siga um caminho clichê, ou pior ainda, acaba tendo o tom de uma campanha publicitária encomendada pelo Governo, mas de forma surpreendente (Des)controle não segue esse caminho, seu roteiro fez boas escolhas que é capaz de entreter enquanto chama a atenção para temas importantes. Inicialmente somos convidados a conhecer Kátia e sua família, logo mergulhamos nos problemas que envolvem Kátia e seu casamento, que chega ao fim, acompanhamos então a jornada de redescoberta de Kátia, é quando a vontade de beber retorna e muitas cenas cômicas surgem, capazes de tirar algumas risadas do público. É interessante que o filme inclui outros perigos, como abuso sexual e o perigo de beber e dirigir, mas tudo isso sem se tornar algo cansativo. No final, você sai do cinema com algumas lições e com a certeza que assistiu a um filme que divertiu, mas também serviu como grande alerta para as questões que envolvem o álcool. Elenco Aqui vai muitos elogios a Carolina Dieckmann, que já brilhou diversas vezes em novelas da Globo, mas é versátil o suficiente para fazer um bom trabalho também nos cinemas, ela entrega boas cenas dramáticas e cômicas, fazendo nos envolver com a personagem. Caco Ciocler interpreta o marido de Kátia e se encaixa bem no papel, mas o destaque maior vai para Rafael Fuchs Müller , que interpreta o filho mais novo de Kátia, ele traz alívio cômico quando não é papel de Carolina Dieckmann fazer isso. Nosso veredito Mesmo com a chegada do Brasil ao Oscar, ainda temos muito preconceito com o cinema nacional, principalmente quando o filme conta com elenco já conhecido de novelas, por exemplo. A verdade é que temos que tirar nossas próprias conclusões e ir ao cinema assistir, só depois podemos compartilhar nossa opinião. Assim como o filme A Melhor Mãe do Mundo traz o tema violência doméstica para o foco de uma forma única , (Des)controle segue o mesmo caminho, entretém enquanto faz um alerta.
- Por que “Dele e Dela” está no top 10 da Netflix?
A nova série da Netflix, Dele e Dela, estreou dia 8 de janeiro e continua até hoje no top 10. De início você não dá nada pela série, os primeiros episódios vão se arrastando e você desconfia de todos. O enredo A série conta a história de Anna , uma mulher que se mudou para a cidade de Atlanta e largou a cidadezinha que morou durante sua juventude, ela é uma jornalista que ficou afastada por muito tempo. Mas voltou porque teve um assassinato em sua cidade natal, então ela pediu para cobrir o caso. Assim que ela descobre quem foi assassinada, o caso começa a ficar mais pessoal, a pessoa era sua amiga de escola. E depois acontece outro assassinato com outra amiga de escola, e todos começam a acusar uns aos outros já que a cidade é pequena e todos se conheciam. Até que a irmã do detetive é assassinada e Anna também está correndo perigo, então descobrem que tudo foi armado por Lexy. Uma ex colega das meninas que sofreu abuso psicológico das três meninas que foram eliminadas. Assim que o detetive prende o marido de Lexy e ela é eliminada, Anna e seu ex marido se reconciliam e criam a filha de sua irmã. Mas esse não é o único plot twist da série, no fim é revelado para Anna quem fez isso de verdade e o que motivou a fazer. O detetive A série é muito intrigante, ela é baseada num livro, mas são 6 episódios que só no quinto é nos revelado o que está acontecendo. O início é muita enrolação, porque o detetive, Jack e ex marido de Anna, insiste em colocar o marido da primeira assassinada como suspeito. Então, ele acaba não fazendo nada nem descobrindo nada novo se não fosse por Anna e a parceira do detetive, eles nunca teriam chegado até Lexy. Isso porque ele dormia com a primeira vítima e tinha suas ressalvas quanto ao marido, e como o caso era muito pessoal isso acabou dificultando que Jack conseguisse enxergar a realidade. Além disso, nem Anna nem sua irmã contaram sobre o incidente da festa de 16 anos de Anna que fez com que toda essa raiva e rancor fizesse parte da motivação para essas eliminações. Considerações finais Essa é uma grande gafe da série, visto que é uma série de suspense investigativo e um detetive que só foca em um suspeito, normalmente o motivo é que ele é o assassino. Mas esse não foi o caso, o que deixou a série monótona e chata em muitas partes. No entanto, o final é surpreendente e vale a pena estar no top 10.
- Infinite Icon: Uma Memória Visual — Paris Hilton como você nunca viu!
Dirigido por JJ Duncan e Bruce Robertson, Infinite Icon: Uma Memória Visual é o novo documentário que mostra a jornada de Paris Hilton. Fomos convidados pela Sato Company para assistir antecipadamente ao projeto que chega aos cinemas no dia 29 de janeiro . Confira a seguir nossa opinião. Enredo O filme acompanha a jornada musical de Paris — desde seus sonhos de infância até sua adolescência em clubes, do álbum de estreia à sua reinvenção musical — entrelaçando imagens de shows, momentos sem filtros, clipes de arquivo, vídeos caseiros nunca vistos, narração original e novas entrevistas. Paris mostra como a música “salvou sua vida” após abusos em adolescentes problemáticos e pela mídia no início dos anos 2000. Cada capítulo mistura profundamente narrativa documental com visuais imersivos para traçar a evolução de um fenômeno único da cultura pop. Esta é a história de Paris — contada por meio da música e tornada inesquecível pela imagem em movimento. Roteiro O documentário busca narrar a história da Paris dividida em capítulos. A história começa passando por seus anos na fase adolescente, como uma jovem rebelde baladeira, e rapidamente a socialite traz para contexto os abusos que aconteceram com ela na Provo Canyon School, já contados anteriormente por ela no documentário This is Paris, de 2020. Para fugir dos traumas, ela busca consolo na música, onde ela diz que foi o que salvou a sua vida. Foi quando ela começou a ganhar reconhecimento por empreender em diversos segmentos, como cinema, música e reality show, que vazaram uma sex tape gravada por seu namorado da época. Vimos também a empresária construindo a personalidade de “loira burra”, algo que com o tempo a foi prejudicando, pois ninguém a levava a sério. Entre imagens pessoais que se alternam entre sua vida pessoal, a gravação do seu segundo álbum Infinite Icon, assim como os vídeos musicais e o show Infinite Icon Experience realizado no Hollywood Palladium, em Los Angeles, em 2024, vimos Paris em seu lado mais real. Aqui é onde a direção do documentário peca mais. A edição que vai misturando imagens do show com os vídeos musicais (e às vezes uns lyric videos) acabam soando mais caseiros. Toda vez que o documentário volta para a parte do show, mostram duas ou três músicas, o que acaba perdendo um pouco do ritmo do que estava sendo contado por ela anteriormente. Fazendo relação ao seu documentário e à sua biografia, a história é como se fosse um depois do relatado anteriormente, com Paris encontrando finalmente a felicidade após tantos traumas, conhecendo o amor e começando sua família. Podemos ver também o quanto Paris é amada e abraçada não só pelo público LGBTQIA+, mas também por crianças. Para quem já acompanha a personalidade, muito do que é mostrado aqui pode passar batido. Mas, para quem está do lado de fora, pode enxergar Paris de uma nova forma e ver que ela não é apenas aquele produto construído pela mídia. Participações Além da própria Paris Hilton, temos a participação da cantora Sia, onde é revelado que, além de amigas, a mesma serve como mentora e produtora executiva da empresária. Ainda, o documentário conta com relatos do seu marido Carter Reum e da aparição de seus dois filhos, London e Phoenix. Nicole Richie, sua amiga de anos e parceira no reality show The Simple Life, também faz uma breve participação. Considerações Paris Hilton sempre foi muito reservada quanto à sua vida pessoal, para preservar aquela imagem de garota baladeira . Porém, foi quando a mesma percebeu que não conseguia empreender por não ser levada a sério que decidiu revelar tudo em seu documentário This is Paris, de 2020. Acho muito importante assistir essa produção antes de assistir Infinite Icon: Uma Memória Visual, pois muitas coisas são melhor explicadas lá. Assim como ela diz, o novo documentário é a sequência do que já estava sendo dito no documentário de 2020 e também em sua biografia lançada em 2023. Quem tem costume de acompanhar biografias e documentários de artistas sabe que Paris não é a primeira ou a única a inventar uma personagem para conseguir lidar com a fama, e que isso é muito comum para personalidades fugirem de seus traumas. Por muitos anos vista como uma pessoa fútil e rasa, finalmente conseguimos ver a real Paris e descobrir que ela é muito mais do que deixava mostrar. Mas algo que não se pode negar é o quanto ela é grande na indústria e também uma das pioneiras quando o assunto é influencer. Embora eu ainda prefira o documentário de 2020 por ter mais camadas, Infinite Icon é realmente uma experiência visual.
- Percy Jackson e os Olimpianos: 2ª temporada faz a lição de casa e acerta o tom da aventura
Houve uma época em que, ao se falar de uma adaptação para TV de uma série de livros , era motivo de enormes tensões entre os fãs. Para os semideuses que acompanham as obras fantásticas de Rick Riordan, esse tempo ficou no passado. Depois de dois filmes bem mornos e uma primeira temporada ainda se encontrando, a nova temporada de Percy Jackson e os Olimpianos chega ao catálogo do Disney+ com glórias. A série mais vista do streaming durante o lançamento dos episódios teve como base o segundo livro das saga, O Mar de Monstros, lançado há 20 anos, em 2006. A obra de Rick tem uma fanbase fiel e muito engajada. O próprio autor é muito presente e está sempre trocando ideias com os fãs. Parece que esse mesmo entusiasmo foi abraçado pela produção da série, que aprendeu com os erros da estreia e ajustou o rumo da aventura para algo mais épico, maduro e com mais espírito da obra original. Eles ouviram o povo A série traz de volta na sua segunda temporada aquela sensação de querer mais a cada episódio, narrando perfeitamente a sensação de um capítulo por vez que os livros evocam. Particularmente, guardei o penúltimo episódio para assistir junto a season finale, a fim de trazer uma experiência mais imersiva para a conclusão. Um dos êxitos da temporada foi se aproveitar dos elementos do livro para dar forma a narrativa da série com a intenção de transpor a estética mitológica única da história sem deixar de lado os diversos momentos em que isso se mistura ao cotidiano do mundo real . Foi escolhido um grupo de jovens muito a vontade para dar vida aos personagens. E esse entusiasmo segue vivo no segundo ano da série. Começando com os destaques, o Charlie Bushnell transmite com naturalidade o conflito de Luke em seguir com os seus ideais, servir a um titã com segundas intenções e trair a lealdade de seus amigos. A jovem Leah Jeffries continua a surpreender positivamente na presença da perspicaz Annabeth. E o Walker Scobell conseguiu amadurecer e aprofundar ainda mais o Percy, tornando-se um protagonista destemido e humano, reafirmando o seu potencial para o papel. Já Clarisse, da atriz Dior Goodjohn, abandona o posto de mero alívio cômico e ganha uma subtrama essencial para a história. A adição de especial fica por conta de Daniel Diemer como o ciclope Tyson, meio-irmão de Percy, que mesmo trabalhando sob um CGI (muito bem feito por sinal) ainda aproveita bastante da voz e dos diálogos para cativar o público. O mundo está mais vivo O que aquece o coração também é o deslumbre do design de produção da série, que parece ter ganhado mais corpo. o premiado Dan Hennah (da trilogia Senhor dos Aneis ) assina a produção com um cuidado de manter a ambientação fiel às páginas dos livros. Também é perceptível uma mudança gradual na paleta de cores da série ao passo em que o curso da história se move para uma ameaça mais sombria e colossal. Nem tudo foram flores no Olimpo A falta de desenvolvimento dos personagens secundários ficou a desejar nessa temporada. O Tântalo, que pega para si a tarefa de tomar conta do Acampamento Meio Sangue, tem uma presença um pouco rasa e esvoaçante. Enquanto Dionísio que foi tão bem aproveitado na temporada anterior, acabou ficando de escanteio A revelação da Thalia poderia ter sido concentrada para o final da temporada para causar mais impacto. Porém a cena de entrada da semideusa é marcada por uma criativa rima visual que aproveita do ritmo da narrativa para se tornar nada menos que icónica. Então ficamos no empate. Outro ponto que carece pelo seu potencial é um aprofundamento melhor no embate central dessa temporada. Luke, o antagonista aponta que os deuses abandonam os seus filhos e devem pagar por isso. Explorar essa dualidade do personagem em conflito poderia trazer camadas mais, digamos filosóficas, para a série. Bom, tempo de desenvolvimento é o que não vai faltar no futuro… Percy Jackson e Blackjack irão retornar Com tudo em jogo, a série finalmente encontra em alinhamento com a essência da história e ruma para batalhas cada vez mais épicas. A segunda temporada pode até ser resumida como uma ponte para a terceira – já confirmada inclusive. Porém, ela arrisca no roteiro alterando alguns destinos de personagens importantes do livro para aumentar as apostas. Ouvir a audiência foi a maior benção que nem os deuses do Olimpo poderiam conceder à produção. Um elenco de jovens com muita vontade de mostrar os seus talentos e um material riquíssimo para várias temporadas e spin offs são os elementos que estão em jogo. E é muito bom acompanhar uma saga literária jovem e que cresce com a sua audiência.
- Filmes para quem gostou de “De Férias com Você”
Recentemente a Netflix lançou a comédia romântica “De Férias com Você” , baseado no livro de mesmo nome de Emily Henry. O filme acompanha Poppy e Alex, dois amigos de longa data que tiravam férias juntos anualmente, mas depois de uma briga os dois acabam separados durante dois anos, surge então a oportunidade de reconciliação e os dois revisitam sentimentos ocultos. O filme está há semanas no TOP 10 da Netflix e nós separamos algumas produções semelhantes para você assistir. 1 - O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas Em “O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas” o casal Mark e Margaret fazem um outro tipo de viagem, uma viagem no tempo. Mark vive o mesmo dia repetidamente e acaba conhecendo Margaret, que também está presa em um loop temporal , juntos eles tentam encontrar uma saída ao mesmo tempo que sentimentos começam a surgir. O filme está disponível no Prime Video. 2 - Sacramento Sacramento não é uma comédia romântica, mas te graranto que vai te tirar boas risadas enquanto acompanha dois amigos viajando. Rickey e Glenn se separaram ao longo da vida, mas depois de algumas mentiras, Rickey convence Glenn a ir em uma viagem de carro improvisada de Los Angeles para Sacramento para espalhar as cinzas de seu pai. Glenn é aquele cara certinho que não consegue largar a rotina e isso gera boas risadas enquanto a viagem acontece. A produção conta com um elenco de peso como Kristen Stewart, Michael Cera, Maya Erskine e Michael Angarano. O filme está disponível no Prime Video. 3 - O Mapa que Me Leva Até Você O filme “O Mapa que Me Leva Até Você” acompanha Heather, umas menina que decide viajar com as amigas pela Europa antes de começar seu novo emprego, mas durante a viagem ela conhece Jack , um jovem que está viajando usando o diário de seu bisavô como guia, eles então acabam se aproximando durante a viagem e um sentimento começa a surgir. O filme está disponível no Prime Video. 4 - Plus One O filme “Plus One” ou “Convidado Vitalício” acompanha dois amigos que estão cansados de frequentar os casamentos sozinhos e decidem comparecer em todos os eventos juntos , mas a medida que o tempo vai passando sentimentos vão aflorando entre os dois e muitos momentos fofos e engraçados surgem. A produção está disponível na HBO Max.
- “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” é para fãs dos jogos
“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” marca o terceiro filme baseado na franquia de jogos. Dirigido por Christophe Gans, o mesmo que dirigiu o filme de 2006, o longa é estrelado por Jeremy Irvine e Hannah Emily Anderson. Estreando hoje nos cinemas do Brasil , fomos convidados pela Paris Filmes para assistir antecipadamente. A seguir, nossa opinião. Enredo Quando James (Jeremy Irvine) recebe uma carta misteriosa de seu amor perdido, ele é chamado a voltar para a cidade de Silent Hill e reencontrar sua alma gêmea. Porém, eventos bizarros começam a acontecer na comunidade. Conforme ele se aprofunda na cidade, James encontra figuras sombrias e monstruosas. Sem entender o que está acontecendo, James questiona a sua sanidade mental enquanto busca resgatar a sua amada. Roteiro O filme começa mostrando como James e Mary se conhecem e se apaixonam, já de cara entrando em um relacionamento e dividindo a vida juntos. Não demora muito para que a felicidade de ambos seja interrompida, com a morte de Mary, e assim começamos a acompanhar o luto e as dores de James. Ao longo dos 106 minutos, o projeto tenta desenvolver a história colocando flashbacks no meio da história a todo momento, atrasando o ritmo do filme. Vários personagens aparecem e desaparecem e não acrescentam nada na história. Sem falar do casal protagonista, que não tem carisma e muito menos química. O luto e a culpa são temas que estão muito presentes ao longo do filme, porém o roteiro soa tão raso e superficial que acaba não envolvendo o público. Assim como os sustos, sempre baseados em jumpscares. É um longa onde muita coisa não é explicada, as coisas são jogadas na sua cara e você que lute para entender. A trama não tem como ser levada a sério, e o terceiro ato é tão sem emoção que você só percebe que aquilo era para ser um clímax quando o filme acaba. Elenco Jeremy Irvine e Hannah Emily Anderson interpretam James e Mary, respectivamente. De modo geral, são os atores que mais aparecem durante o filme. Mas suas atuações são tão fracas e exageradas que não convencem na maioria do filme. Jeremy, principalmente, demonstra dificuldade ao transmitir emoções, o que faz com que o público não se conecte ao seu personagem. Quanto ao resto do elenco, não vale nem a pena comentar. São personagens que não têm desenvolvimento ou importância nenhuma, aparecendo apenas para preencher o tempo de filme. Considerações Provavelmente, para os jogadores de Silent Hill, esse longa vai ser um deleite, visto que claramente foi feito pensando neles. Temos aqui diversas cenas onde vemos pela visão do personagem, assim como vários takes onde nos mostram todo o cenário em um plano geral aberto, dando aquela sensação de que realmente está no jogo. Falando nisso, eu não sei se é intencional, mas os efeitos especiais são tão ruins que realmente parecem de videogame, e em alguns momentos soam até cafonas. Porém, também fiquei sabendo que o orçamento desse projeto foi abaixo do esperado. O filme não se esforça em tentar cativar novos espectadores (no caso, os que não consomem os jogos), e confesso que, nos 45 minutos finais, eu estava piscando pesado, me esforçando para continuar acordado. Fico me perguntando: não é possível que as produtoras leiam um roteiro como esse e simplesmente achem uma boa ideia dar um sinal verde. Me preocupa também eles tentarem ressuscitar, 14 anos depois, uma franquia audiovisual que desde o início não deu certo. Hollywood realmente está fraca de ideias. É um longa de baixa renda que não tem cara de cinema, e talvez fosse melhor aproveitado em um streaming. PS: odeio ser o chato que fica sempre reclamando da tradução brasileira, mas, novamente, temos um caso de nome desnecessariamente longo.
- Marty Supreme é o encontro entre a comédia e a determinação
A convite da Diamond Filmes assistimos antecipadamente ao filme “Marty Supreme”, produção que deu o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical a Timothée Chalamet e chega dia 22 de janeiro aos cinemas. Vem saber o que achamos! O enredo A produção conta a história do jogador de tênis de mesa Marty Mauser, um americano com sede de vencer e ao mesmo tempo capaz de tudo para conseguir dinheiro. Marty se tornou o jogador mais velho a ganhar o campeonato nacional do esporte. O roteiro Estava ansiosa para ver c omo o roteiro conseguiria fazer uma cinebiografia do gênero comédia e posso dizer que fui surpreendida pelo resultado. Ao contrário do que pode parecer, o tênis de mesa não é o foco do roteiro, mas sim tudo que Marty é capaz de fazer tendo como objetivo ser campeão mundial de tênis de mesa. O grande feito do roteiro é passear tranquilamente entre a comédia e o drama , com cenas nada previsíveis e que vão fazer você soltar boas risadas na sala de cinema. As cenas focadas nas partidas acontecem mais no início do filme e são capazes de deixar qualquer um tenso na espera da bolinha cair fora. O ritmo é frenético, enquanto Marty acaba de sobreviver a mais um plano para conseguir dinheiro, logo já sabemos que essa paz não vai durar muito, enquanto algumas pessoas podem achar que 2h30 de duração é demais, a verdade é que nem dá para perceber essa duração. Incrivelmente, muitas pessoas podem achar a primeira e a última cena as melhores do filme, mas confesso que é difícil escolher a cena mais hilária. O elenco Podemos dizer que o elenco é maior do que o próprio filme, isso porque desde seu lançamento nos EUA, a produção não levou muitas pessoas ao cinema, o que faz o filme ser o que ele é, é a atuação de Timothée Chalamet. Não podemos negar que o ator se entrega de corpo e alma a seus papéis, para Marty Supreme ele passou sete anos aprendendo tênis de mesa para que pudesse fazer as cenas do filme, arrisco dizer que esse é o papel mais difícil de Chalamet até agora, já que transitar entre comédia e drama se torna muito complexo. Além de Timothée, a produção nos presenteia com o trabalho de Tyler, the Creator, que interpreta o amigo de Marty, Wally, além de ser um grande sucesso como cantor, compositor e style, o artista pode apostar fortemente em atuação. Gwyneth Paltrow também está impecável, mas tenho que admitir que ver ela fazendo par romântico com Timothée é um pouco fora da curva e gera estranheza. Anote bem esse nome: Odessa A'zion, e la acaba de ser notada por Hollywood e é bem provável que a gente veja ela com mais frequência, ela também assume o papel de par romântico de Marty, Rachel, e junto com Timothée faz cenas hilárias. Nosso veredito Acredito que o reconhecimento a Chalamet vem justamente por conta da complexidade deste papel e o tempo que ele levou para se dedicar ao filme, Marty Supreme não é um filme que vai agradar a todos, até porque o humor é único e as cenas são capazes de surpreender quaquer um , mas vale a pena conferir o trabalho deste elenco de peso selecionado para contar uma história de alguém não tão importante assim, mas que conquistou o público.
- Pânico: tudo sobre a franquia que reinventou o slasher
Criada por Kevin Williamson e originalmente dirigida por Wes Craven, Pânico (ou Scream, no original) é uma franquia de terror slasher muito bem-sucedida que atravessa gerações e continua se reinventando. Nesse ano, completando 30 anos, o sétimo filme está prestes a ser lançado, e por aqui já estamos bastante empolgados e decidimos trazer este artigo cheio de curiosidades sobre a franquia. Porém, cuidado: o texto contém muitos spoilers! Pânico (1996) Situado na cidade fictícia de Woodsboro, Califórnia, a história segue a aluna do ensino médio Sidney Prescott e seus amigos, que, no aniversário da morte de sua mãe, tornam-se alvos de um serial killer fantasiado. O elenco conta com David Arquette, Neve Campbell, Courteney Cox, Matthew Lillard, Rose McGowan, Skeet Ulrich e Drew Barrymore. O filme é dirigido por Wes Craven e escrito por Kevin Williamson. O filme foi concebido com o título Scary Movie (que depois passou a ser o título do filme do ano 2000 que o parodia), mas, em homenagem à música de Michael Jackson, passou a se chamar Scream. Inspirado nos assassinatos cometidos pelo “Estripador de Gainesville”, o primeiro filme foi creditado por revitalizar o gênero do horror no final dos anos 90, misturando o slasher com humor, com personagens atentos aos clichês dos filmes de terror e um plot inteligente. Além do roteiro se autorreferenciar, ele homenageia diversos outros clássicos do terror. Drew Barrymore é fortemente associada à franquia, devido à sua presença no pôster e na icônica cena de abertura do primeiro filme, sendo considerada uma das mais chocantes na história do cinema. A franquia se tornou conhecida por usar atores conhecidos, o que não era comum em filmes desse gênero na época. Drew Barrymore foi inicialmente contratada para interpretar Sidney Prescott, porém, com sua agenda cheia, ficou impossível para que ela continuasse no papel principal e, assim, ela se voluntariou para fazer a personagem que morre na cena de abertura. A produção inicialmente pensou que matar uma atriz grande como Barrymore seria um grande risco, mas acreditou que chocaria a audiência e faria com que pensassem que nenhum personagem estaria seguro. Neve Campbell inicialmente ficou insegura em aceitar o papel, pois acabara de fazer outro filme de terror, Jovens Bruxas (The Craft). Porém, aceitou o desafio, pois seria seu primeiro papel como protagonista. Originalmente, os personagens de Arquette e Kennedy morriam, e cenas alternativas foram gravadas para caso os personagens se mostrassem populares em exibições-teste com a audiência. Rose McGowan influenciou no estilo de sua personagem, utilizando suas próprias roupas e tingindo o seu cabelo de loiro, para evitar que o filme tivesse duas protagonistas com cabelo escuro. O filme fez com que a popularidade e o interesse nos filmes de terror voltassem a crescer, além de revitalizar a carreira de Craven e Barrymore. Lançado em época de festas de final de ano, o filme transformou-se em um inesperado sucesso, com o público crescendo nos cinemas após a primeira semana de exibição. Pânico 2 (1997) A história acompanha Sidney Prescott e os outros sobreviventes do massacre em Woodsboro, na fictícia faculdade Windsor, em Ohio, onde eles são alvos de um assassino imitador que usa a identidade do Ghostface. O elenco conta com David Arquette, Neve Campbell, Courteney Cox, Sarah Michelle Gellar, Jamie Kennedy, Laurie Metcalf, Jerry O’Connell, Jada Pinkett e Liev Schreiber. Novamente, o filme é dirigido por Wes Craven e escrito por Kevin Williamson. Enquanto escrevia o roteiro do primeiro filme, Kevin Williamson desenvolveu dois tratamentos de cinco páginas para possíveis sequências, para o possível comprador entender que estava comprando uma franquia e não um filme. O roteiro do segundo filme vazou durante a produção, revelando a identidade dos assassinos. Por isso, o filme passou por diversas reescritas, mudando a identidade dos assassinos, e também foram escritos três finais diferentes. Em um certo momento da produção, o roteiro tinha quatro assassinos. Como resultado, a produção foi forçada a continuar gravando mesmo com apenas uma parte do roteiro, e muitas cenas eram improvisadas no set. Para prevenir que o final fosse vazado novamente, os atores não receberam as últimas páginas do roteiro até semanas antes das gravações. As páginas que continham a revelação dos assassinos foram dadas apenas no dia em que as cenas foram gravadas. Com os vazamentos, a segurança na produção aumentou, e a presença de pessoas nos sets ficou restrita a pessoas selecionadas, com todos tendo que assinar acordo de confidencialidade. Antes da decisão final de chamar o filme apenas de Scream 2, na produção foram considerados títulos como Scream Again, Scream Louder e Scream: The Sequel. Pânico 3 (2000) A história acompanha Sidney Prescott, que se isolou voluntariamente após os eventos dos filmes anteriores, mas é atraída para Hollywood depois que um novo Ghostface começa a matar o elenco do filme dentro do filme Apunhalada 3. O elenco conta com David Arquette, Neve Campbell, Courteney Cox Arquette, Parker Posey, Patrick Dempsey, Scott Foley, Lance Henriksen, Matt Keeslar, Jenny McCarthy, Emily Mortimer, Deon Richmond e Patrick Warburton. Wes Craven continua na direção, enquanto Ehren Kruger assume o roteiro. Devido ao massacre de Columbine, Craven precisou reduzir a violência no terceiro filme. Inicialmente, foi até mesmo pensado se deveriam continuar com a produção do filme. No fim, foi optado por continuar, porém, com menos violência e mais foco no humor. Para o terceiro filme, Neve Campbell só tinha 20 dias para gravar suas cenas, o que fez com que sua participação ficasse reduzida. Inicialmente, Matthew Lillard reprisaria seu papel, sobrevivendo de sua aparente morte e orquestrando os ataques da prisão, porém, com as diversas reescritas no roteiro, seu papel acabou ficando de fora. Na ideia original, a história voltaria para Woodsboro, onde estariam gravando o filme dentro do filme. Enfim, a cidade foi mudada para Hollywood. Inicialmente, o roteiro original contaria com assassinos jovens participantes de um fã-clube da franquia Apunhalada. Todos os membros do clube estariam envolvidos nos assassinatos e, no terceiro ato, seria revelado que nenhum deles estaria morto e tudo era um plano deles. Assim como no filme anterior, o roteiro foi mudado diversas vezes, e muitas cenas eram finalizadas apenas no dia em que seriam gravadas. Com as diversas reescritas no roteiro, muitas cenas foram gravadas em diferentes variações, para caso o roteiro fosse novamente mudado. Além disso, muitas cenas foram reescritas para incluir personagens que antes não haviam aparecido ou para mudar elementos da história quando era percebido que não estava se conectando com outras cenas. Pânico 4 (2011) A história se passa no 15º aniversário dos assassinatos originais em Woodsboro e envolve Sidney Prescott retornando à cidade após 10 anos, onde Ghostface começa novamente a matar estudantes do Woodsboro High. O elenco conta com David Arquette, Neve Campbell, Courteney Cox, Emma Roberts, Hayden Panettiere, Anthony Anderson, Alison Brie, Adam Brody, Rory Culkin, Marielle Jaffe, Erik Knudsen, Mary McDonnell, Marley Shelton e Nico Tortorella. Wes Craven dirige o que seria o seu último filme em vida, com o retorno de Kevin Williamson no roteiro. Para o quarto filme, inicialmente Campbell não queria retornar, o que fez com que os primeiros rascunhos considerassem a sua ausência. Em versões iniciais, Sidney era atacada e morta na cena de abertura. Já em outra versão, ela era atacada e deixada para morrer, com um intervalo de dois anos em que ela estaria se recuperando; porém, consideraram que essa versão diminuiria o ritmo do filme. O roteiro original e a versão que chegou às telas têm diversas mudanças, como a cena de abertura, que conta com uma versão alternativa. Outra grande diferença é o final, em que as cenas no hospital foram adicionadas mais tarde no processo. O roteiro original acabava na casa, finalizando em um cliffhanger. Para preservar a identidade dos assassinos, o elenco recebeu apenas 75 páginas das 140. Assim como nos outros filmes, o roteiro passou por diversas reescritas, e algumas páginas às vezes eram lidas apenas no dia das gravações. O filme passou por refilmagens, com a intenção de aprimorar algumas cenas devido à má recepção do público após uma exibição-teste. O roteiro original era tão longo e com tantas cenas gravadas que, no fim, tiveram que ser cortadas do produto final para diminuir o tempo do filme (e, inclusive, você encontra na internet edições estendidas criadas por fãs). Pânico (2022) A história se passa 25 anos após os assassinatos originais em Woodsboro, quando outro Ghostface aparece e começa a atacar um grupo de adolescentes que, de alguma forma, estão conectados às mortes originais. O elenco conta com Melissa Barrera, Kyle Gallner, Mason Gooding, Mikey Madison, Dylan Minnette, Jenna Ortega, Jack Quaid, Jasmin Savoy Brown, Sonia Ammar, Marley Shelton, Skeet Ulrich, Roger L. Jackson, Heather Matarazzo, Courteney Cox, David Arquette e Neve Campbell. O filme é dirigido por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, enquanto o roteiro é escrito por James Vanderbilt e Guy Busick. Originalmente, Craven havia sido contratado para fazer uma nova trilogia, no caso o quarto, quinto e sexto filmes, com as histórias sendo interligadas. Porém, como o quarto filme arrecadou menos que o esperado, o quinto e o sexto filmes originais foram descartados. Inicialmente, o quinto e o sexto filmes iam continuar de onde o quarto foi encerrado. Rumores indicavam que Sidney sofreria amnésia no quinto filme original, sem conseguir lembrar quem era o assassino do quarto filme. Ainda no quinto filme original, Jill seria perseguida no campus da faculdade. Com a morte de Craven em 2011 e as acusações feitas a Harvey Weinstein em 2017 (sua produtora, Dimension Films, produziu os quatro primeiros filmes), a franquia ficou no limbo até 2019. Na versão que temos hoje, para evitar vazamentos, diversos roteiros diferentes foram produzidos, e várias cenas adicionais foram gravadas. Inicialmente chamado de Scream Forever, o filme acabou sendo lançado apenas como Scream. Pânico VI (2023) A história acompanha um novo assassino Ghostface, que começa a atacar os sobreviventes dos assassinatos em Woodsboro na cidade de Nova Iorque. O elenco conta com Melissa Barrera, Jasmin Savoy Brown, Mason Gooding, Roger L. Jackson, Jenna Ortega, Skeet Ulrich, Hayden Panettiere, Courteney Cox, Jack Champion, Henry Czerny, Liana Liberato, Dermot Mulroney, Devyn Nekoda, Tony Revolori, Josh Segarra e Samara Weaving. Novamente, o filme é dirigido por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, com roteiro escrito por James Vanderbilt e Guy Busick. Neve Campbell decidiu não retornar ao sexto filme, devido ao valor oferecido ter sido abaixo do esperado, sendo assim o único filme que não contou com sua participação. Courteney Cox é a única atriz a aparecer em seis filmes consecutivos em uma franquia de terror. A cena do metrô foi feita sem tela verde, apenas com efeitos práticos. Em diversas cidades, foi realizado um marketing viral, em que indivíduos usando traje e máscara do Ghostface foram vistos andando pelas ruas, o que ocasionou diversas ligações para o 911. Pânico 7 (2027) Sidney Prescott construiu uma nova vida na calma cidade de Pine Grove, Indiana, até que um novo assassino Ghostface começa a perseguir sua filha, Tatum, forçando-a a encarar seu passado para encerrar os assassinatos de uma vez por todas. O elenco conta com Neve Campbell, Courteney Cox, Jasmin Savoy Brown, Mason Gooding, Isabel May, Anna Camp, Joel McHale, Mckenna Grace, Michelle Randolph, Jimmy Tatro, Asa Germann, Celeste O’Connor, Sam Rechner, Ethan Embry, Tim Simons e Mark Consuelos. Pela primeira vez na franquia, o filme é dirigido pelo criador da história, Kevin Williamson, a partir de um roteiro coescrito por ele com Guy Busick, a partir da história de James Vanderbilt e Busick. Melissa Barrera foi demitida do sétimo filme após fazer publicação em suas redes sociais em suporte à Palestina. No dia seguinte, Jenna Ortega também anunciou sua saída, devido à saída de Barrera, Olpin e Gillett. Skeet Ulrich, que estrelou o filme original e retornou para participação especial no quinto e sexto filmes, revelou que seu personagem retornaria no sétimo filme original, mas, devido à demissão de Barrera, a situação mudou. Com a saída de Olpin e Gillett da direção devido a conflitos de agenda, Christopher Landon foi originalmente anunciado como o diretor do filme, porém acabou optando por sair após todas as polêmicas ocorrendo em volta do filme. Com tudo isso, foi anunciado o retorno de Neve Campbell e o retorno de Kevin Williamson não só como escritor, mas também como diretor. Matthew Lillard e Scott Foley, que apareceram em filmes anteriores, também foram confirmados para retornar, assim como David Arquette; porém, o retorno de seus personagens ainda é cercado por mistério. Patrick Dempsey, que participou do terceiro filme, também esteve em conversas para reprisar o seu papel, porém, devido a conflitos de agenda, seu personagem acabou sendo substituído na história. O plano é que agora, caso o sétimo filme seja bem-sucedido, haja uma nova trilogia focada em Sidney e sua filha, Tatum. Já sabia de todas essas fofocas dos bastidores? Pânico 7 está programado para lançamento pela Paramount Pictures no dia 26 de fevereiro no Brasil. O trailer você confere no YouTube, abaixo: Ansiosos para gritar mais uma vez?
- O Ato Noturno é o thriller de desejo de ambição mais quente do momento
Assistimos com exclusividade ao thriller érotico O Ato Noturno, dos diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, que teve sua exibição no Festival de Berlim em 2025. O longa chega com tudo nos cinemas brasileiros no dia 15 de janeiro de 2026 . E a seguir as nossas impressões sobre o longa. Quem quer ser protagonista? Acompanhamos Matias, um ator estreante e ambicioso que acaba de entrar para uma importante companhia de teatro de Porto Alegre. Entre os ensaios, uma diretora de elenco surge selecionando talentos para uma grande série de TV. Vendo a oportunidade de um grande salto na sua carreira, Matias acaba disputando o papel de protagonista com seu colega de elenco e companheiro de quarto, o jovem Fábio. Numa disputa acirrada, os dois se veem capazes de qualquer coisa para agarrar o papel de protagonistas. Além dessa tensão, nas ruas escuras da noite de Porto Alegre, Matias se envolve com Rafael, e os dois se interligam numa forte paixão. Tudo muda quando o jovem descobre a segunda vida de Rafael como um importante político local que se esconde no armário. O que deveria ser palco de grandes tensões na vida dos dois acaba se transformando em um intenso desejo quando desenvolvem juntos um fetiche de fazer sexo em locais públicos. Quanto mais eles chegam perto de alcançar seus objetivos e ganhar visibilidade, mais a vontade de se colocar em risco se intensifica. A vida noturna de quem quer mais O que chama a atenção em O Ato Noturno, além da temática, é a sua cinematografia. É um deslumbre visual que grita cinema do começo ao fim. O uso da pulsante Porto Alegre como um personagem quase vivo agrega contexto e ambientação para a narrativa. As luzes escuras das externas entram em sintonia com a meia luz dos cenários internos, assim como o belo uso de azul e vermelho criam um contraste vívido. Um trabalho cirúrgico da diretora de fotografia Luciana Baseggio. Os diretores Marcio Reolon e Filipe Matzembacher já utilizaram do sexo como uma ferramenta narrativa em outros trabalhos como em Tinta Bruta e Beira Mar. Neste novo projeto eles se apropriam da temática para compor a psique dos personagens sempre procurando naturalizar o tema que está em tela. Um acerto técnico do filme se dá também na maneira como os diretores encontraram de guiar o roteiro através das lentes . As angulações são inteligentes e muito bem colocadas. É sempre perceptível a técnica, mas também é palpável a vontade, o capricho e a identidade que a dupla queria imprimir na tela. De amigos em cena a rivais lá fora A peça central de O Ato Noturno é a presença de Gabriel Faryas como o protagonista. O ator é magnético em câmera e dá ao personagem uma série de camadas complexas dentro da sua própria ambição , o que é ótimo para o público que nunca sabe o que esperar da trama. Outro destaque feliz é do Henrique Barreira como Fábio e sua capacidade de modular o personagem e trazer para a cena toda a dualidade em que o jovem está vivendo entre perseguir o seu sonho e os custos que isso pode causar para si e para o seu redor. Voltando ao roteiro, é muito interessante o uso da metalinguagem para espelhar o enredo da peça de teatro com a disputa em que os dois amigos se encontram. Porém, essa mesma sacada acaba faltando para dar um contexto mais amplo para o personagem do Rafael. Uma figura pública política que passeia por uma cidade quase vazia. Em um mundo rodeado por câmeras e que as informações correm à solta – sejam elas verdadeiras ou não – é preciso uma certa dose de suspensão de descrença para seguir em frente com a história proposta. O cinema é do Brasil Penso que O Ato Noturno é um filme que chega no momento certo para o cenário atual do Brasil. Enquanto estamos presenciando a história e o nosso cinema começa a ser reconhecido como merece lá fora e dentro do nosso território, é muito significativo vermos histórias que vão dar a mão para enfrentar o moralismo que o nosso país enfrenta diariamente. O longa não é uma obra perfeita, existem alguns pormenores em termos de roteiro que deixam a desejar e poderiam ter sido aperfeiçoados. Porém,ele não tem a pretensão de ser, e nem mesmo precisa. Abraçar a arte queer em um filme por si só já é disruptivo o suficiente. Levar esse tema adiante sem ter medo de se expor é ultrapassar barreiras. Além de tudo, O Ato Noturno é um longa muito bem pensado, construído. Uma obra orgânica e viva. O longa deixa uma marca ao criar um imaginário vivido na cidade de Porto Alegre, além de colocar em evidência o talento do Gabriel Faryas. Mais uma bela obra do nosso cinema nacional.
- O Beijo da Mulher Aranha é uma adaptação que se perde na própria teia
Assistimos ao drama musical O Beijo da Mulher Aranha, remake do consagrado filme américo-brasileiro de 1985, que chega aos cinemas brasileiros no dia 15 de janeiro de 2026 . Será que o novo filme faz jus ao clássico? Fica aí que eu te conto. A História Maio de 1983, a Argentina enfrenta uma tenebrosa ditadura militar. Valentin é um homem fechado e preso político que acaba por dividir a cela com Molina, que recentemente foi detido por atentado ao pudor. Enquanto Valentin é um idealista recluso e resistente, Molina vive da sua vida uma fantasia e não para de falar um segundo. Para passar o tempo, Molina começa a narrar histórias de um extravagante musical de Hollywood, estrelado pela sua atriz favorita Ingrid Luna. A narrativa cheia de cores, assim como o companheiro de cela, começa a chamar a atenção de Valentin, que começa a dissolver o seu temperamento rígido com o colega. Conforme o tempo vai passando a relação da dupla vai se estreitando, assim como os ideais de imaginação e resistência vão se tornando um só. E logo aos poucos, uma história mais profunda e fantástica vai se desenrolando naquela cela. Centenas de filmes em um só As principais engrenagens que fazem esse remake funcionar se sustentam acima de tudo, nos personagens centrais. Diego Luna imprime a Valentin uma profundidade rara, trazendo contexto, dor e tormento sem jamais perder a sinceridade e entrega nos diálogos. Seu desempenho constroi um personagem contido, marcado pelo silêncio e pela resistência, mas sempre pulsante por dentro. A grande revelação, no entanto, é Tonatiuh. Após passagens por séries e curtas, o ator encontra aqui seu papel mais expressivo no cinema e agarra com força o personagem. Molina, por vezes é irritante, deveras sonhador, mas também é alguém que carrega medos profundos e enxerga o mundo por um prisma próprio. Vivaz e contraditório, Molina ganha vida através de uma performance cheia de nuances , que transita com naturalidade entre o humor, a fragilidade e o drama. Confinados na cela, os dias constroem lentamente uma relação onde ideias, afetos e visões de mundo passam a se confrontar e se misturar. O filme acerta ao permitir que essa aproximação aconteça sem pressa, deixando as camadas dos personagens se revelarem aos poucos. A química entre os atores é evidente e resulta numa relação sincera, delicada e profundamente humana — duas pessoas opostas, presas à mesma realidade. É singelo, bonito e fácil de se envolver. Já Jennifer Lopez faz o papel da Ingrid Luna, a atriz do filme favorito de Molina e a musa que povoa seu imaginário. Como dançarina e performer, JLo é inegavelmente talentosa. No entanto, quando o assunto é atuação, o resultado deixa muito a desejar. Suas personagens – Ingrid, Aurora e A Mulher Aranha – carecem de diferenciação e acabam se resumindo a poses, gestos e falas muito semelhantes entre si. A performance segue uma linha excessivamente segura, o que faz com que suas sequências sejam menos memoráveis do que poderiam ser. Musical latino nos Estados Unidos? Conhece o termo trauma cinematográfico? Pois bem. Em um certo momento, ali pela metade do filme, enquanto eu assistia a um dos números musicais, duas palavrinhas ecoaram na minha cabeça e me deram um arrepio imediato na nuca: Emília. Perez. Calma! É desproporcional comparar O Beijo da Mulher Aranha com aquele desastre ambiental. Mas foi impossível não sentir o mesmo incômodo. Não pelo musical em si — e sim pela ideia que o filme constroi de cultura latina. Esse olhar enviesado, tipicamente norte-americano é o que realmente acionou o gatilho. O cenário é Technicolor, vibrante, teatral. Mas tudo é representado com um olhar um pouco mais “exótico”, um pouco mais caricato do que deveria. Com isso fica inevitável resgatarmos o clássico para fins de comparação. Enquanto no filme de 1985 Hector Babenco opta por uma separação visual clara entre o imaginário do filme narrado de Molina e a dura realidade dos protagonistas presos na cela, o remake de Bill Condon escolhe um caminho diferente: afunilar progressivamente as duas narrativas, culminando no encontro entre o escapismo de Molina e o espaço físico que o aprisiona. É uma decisão conceitualmente interessante e cheia de potencial. O problema é que, ao longo do filme, essa escolha cobra um preço alto da parte musical, que sofre com a evidente falta de recursos sensoriais para se sustentar até o fim. Os cenários são pouco inspirados, os movimentos de câmera e as coreografias parecem engessados, os figurinos raramente brilham e, somado a isso, a capacidade dramática de Jennifer Lopez se mostra bastante limitada. Com esse caminho tortuoso, sobra para Tonatiuh a missão de erguer o espetáculo nas costas — um talento evidente que faz o que pode, mas que também deixa claro o quão árdua foi essa caminhada. Que tipo de filme é esse? Durante suas duas horas de duração, o filme abre brechas para pensamentos intrusivos. Um deles me dizia sobre o estrago que alguém com mais imaginação, como Damien Chazelle, por exemplo, não seria capaz de causar em um filme musical com essa premissa. Outro insistia em como Kate Hudson (veja, atriz norte-americana) ou Claudia Raia traria camadas muito mais interessantes à Mulher Aranha, sem abrir mão da presença cênica e da entrega performática que o papel exige. Mas o pensamento mais cruel — e também o mais revelador — veio no fim: sair de um musical sem conseguir lembrar sequer de uma música é um pecado mortal para o gênero. E desse, infelizmente, não há número final que absolva.
- 3 filmes e 3 séries para assistir enquanto Heated Rivalry não chega ao Brasil
A série canadense Heated Rivalry estreou no final do ano passado e se tornou um fenômeno instantâneo nas redes sociais. O romance adaptado de Rachel Reid conta a história de Shane Hollander (Hudson Williams) e Ilya Rozanov (Hudson Williams), dois jogadores estreantes de hóquei de times rivais que se envolvem em um romance apimentado capaz de colocar em risco a popularidade e suas carreiras em ascensão. A novidade estreou no streaming canadense Crave, e já foi confirmada a chegada da série pela HBO Max no Brasil em fevereiro. Enquanto ela não chega, separamos algumas produções similares a série para já dar um gostinho enquanto não temos a estreia oficial. Branco, Vermelho e Sangue Azul Outro sucesso literário, o filme vai acompanhar o filho da presidenta dos Estados Unidos, Alex, que se envolve em um incidente com o Henry, o príncipe britânico, do qual ele não tem nenhum apreço. Com uma crise de imagem acontecendo entre as nações, os dois precisam fingir serem amigos para acertar as coisas com o restante do mundo. O que eles não esperavam era que essa aproximação iria resultar em um sentimento intenso para os dois. Esse filme é uma comédia despretensiosa, divertida e cheia de erros de continuidade (o que dá todo um charme). Foi responsável por colocar Nicholas Galitzine nos holofotes. O filme original está disponível no catálogo do Prime Video. Rivais Um dos filmes mais efervescentes de Luca Guadagnino usa a quadra de tênis como plano de fundo para um triângulo amoroso cheio de desejos e reviravoltas. A Zendaya aqui é a Tashi, uma ex-tenista e agora treinadora que fez a carreira do seu marido, Art (Mike Faist), decolar no tênis. Em um campeonato mundial, o tenista irá enfrentar o passado de frente e o seu oponente amigo de longa data, Patrick (Josh O'Connor). Dentro ou fora das quadras, o encontro dos três irá reacender velhas chamas e dar um rumo diferente para a vida dos envolvidos. O eletrizante filme de Luca Guadagnino está disponível para aluguel digital na AppleTV+ e no Prime Video. Companheiros de Viagem Baseada no romance de Thomas Mallon, acompanhamos a jornada de vida de dois homens totalmente diferentes entre si que se acabam se envolvendo romanticamente. Hawkins Fuller, vivido por Matt Bomer, é um político muito bem sucedido que se encanta pelos ideais do jovem Tim Laughin, vivido por Jonathan Bailey. O desafio que os dois enfrentam se dá ao contexto político hostil que os Estados Unidos vive naquela época, funcionando quase como um personagem da trama. Companheiros de Viagem vai passar por vários cenários marcantes da história – como os protestos contra a Guerra do Vietnã, a epidemia de AIDS e a brilhante era disco – enquanto acompanhamos os encontros e desencontros de duas pessoas que se amam intensamente, mas precisam deixar tudo às escondidas. A excelente minissérie que rendeu um Critics Choice de Melhor Ator Coadjuvante para Jonathan Bailey, está disponível no Paramount+. Muito Esforçado Benny é um ex-jogador de futebol americano e rei do baile de formatura que acaba de chegar na faculdade. Além de ter que lidar com essa nova fase da vida, ele precisa se entender com a própria sexualidade. Entre as loucuras da faculdade, ele acaba conhecendo Carmen (Wally Baram), com quem mantém um romance de fachada. Porém, ao fazer amizade com o instigante Miles (Rish Shah), ele acaba se apaixonando pelo garoto e virando as portas do armário de cabeça pra baixo. A produção criada e estrelada por Benito Skinner é um verdadeiro besteirol – do tipo American Pie mesmo – e cheio de referências aos anos 2000. A primeira temporada está disponível no Prime Video, e uma nova temporada promete chegar em breve. Bottoms Esta comédia vai acompanhar PJ (Rachel Sennott) e Josie (Ayo Edebiri), duas alunas nada populares que, no último ano do ensino médio, decidem começar um clube de luta para tentar impressionar as lideres de torcida e, quem sabe, perderem a virgindade. O que elas não imaginavam é que as garotas mais populares do colégio iriam se engalfinhar nesse clube, em nome da legítima defesa. Bottoms é outro besteirol delicioso e muito irreverente, cheio de diálogos e cenas hilárias. O filme está disponível no Prime Video. Young Royals Essa série original sueca tem um plot muito parecido com romances literários do gênero. O Príncipe Wilhelm, vivido por Edvin Ryding, acaba de entrar no colégio interno Hillerska seguindo os passos do irmão mais velho. Estando longe das cercas da sua vida na realeza, o garoto agora tem a chance de descobrir quem ele é de verdade. Tudo fica mais intenso quando ele conhece Simon (Omar Rudberg), e começa a se sentir próximo e acolhido pelo garoto. Entre amizades, paixões e a lealdade pelas regras impostas para sua vida, Wilhelm precisa lidar com o desafio de amadurecer e entender que nem sempre é fácil seguir o seu coração. As três temporadas da série estão disponíveis na Netflix.
- Hamnet: tão sensível quanto tudo que Shakespeare fez
A convite da Universal Pictures , assistimos antecipadamente ao filme “Hamnet”, que chega aos cinemas brasileiros no dia 15 de janeiro, mas vai contar com sessões antecipadas a partir de 9 de janeiro. Vem conferir o que achamos! O enredo A produção mostra o que aconteceu antes do filho de William Shakespeare falecer, como conheceu sua esposa Agnes e como a tragédia da perda de Hamnet afetou toda a família, dando origem a obra-prima intemporal Hamlet. É importante lembrar que a história não é verdadeira, apenas o fato de Shakespeare ter perdido o filho, t odo o restante foi criado por Maggie O’Farrell e escrito no livro de mesmo nome, que com base em poucas informações sobre o escritor criou um romance fictício sobre como uma das suas principais obras foi criada. O roteiro Iniciamos o filme conhecendo quem é Agnes, quais são os mistérios que envolvem essa mulher que tinha u ma ligação com a floresta e a natureza. A produção nos transporta para épocas passadas, o romance entre Agnes e Shakespeare não demora a acontecer, logo vemos um casal sedento para viver o amor que nenhuma das famílias aprova, vieram então os filhos, e Agnes continua tendo uma ligação com a natureza, que a faz capaz de ouvir previsões sobre sua vida e o que ela deve fazer. Para mim essa é a parte mais bonita dessa história, que no início parece um sonho de verão, mas logo dá espaço aos sentimentos confusos de Shakespeare e de alguma forma entendemos porque ele foi tão brilhante. A produção conta com diálogos profundos, retirados muitas vezes das obras de Shakespeare, cada detalhe da história parece ser milimetricamente pensado, cada pista se torna a resposta para o dilema retratado na cena seguinte. É impossível não se emocionar ou se colocar no lugar daquela família que é obrigada a viver uma tragédia, sem estar preparada para ela. Entendemos que Shakespeare sentia demais, mas não era capaz de expressar seus sentimentos de forma “comum” , como em uma conversa com sua esposa, ele preferia transformar em arte, em poesia, em história, mas Agnes demora a perceber isso, entendendo tudo apenas na cena final. O filme é grandioso o tempo todo, mas isso lhe fez terminar de uma forma diferente do que esperávamos, para quem esperava um final grandioso assim como o restante do filme, o encerramento não agrada tanto, mas oferece um bom desfecho para a história. O elenco Já sabemos desde Aftersun que Paul Mescal se tornou o queridinho de Hollywood, e apesar de eu achar de início que interpretar Shakespeare seria uma missão grande até demais para o ator, que ainda não tem uma longa lista de produções, de alguma forma ele conseguiu nos fazer enxergar Shakespeare em sua atuação, se mostrando muito mais versátil do que imaginamos, o entrosamento com Jessie Buckley parece ter sido de imediato. Aliás, Hamnet não seria o mesmo sem o trabalho de Jessie Buckley e de Jacobi Jupe, eu já tinha um carinho pela atriz, mas nessa produção ela mostrou toda sua potência, com cenas que fazem qualquer um se arrepiar, o mesmo acontece com Jacobi Jupe, de apenas 12 anos, e que interpreta Hamnet, arrisco dizer que a cena que antecede sua morte é a melhor entre tantas outras incríveis. Nosso veredito É difícil acreditar que não foi exatamente isso que aconteceu com Shakespeare, há uma linha tênue entre ficção e realidade, parece que mergulhamos nos dilemas do escritor e entendemos como surgem as grandes obras, a trilha sonora ativa os mais diversos sentimentos e ao final você pode sem perceber estar mergulhado em lágrimas. Já começamos o ano com essa obra de arte que já foi indicada a seis categorias no Globo de Ouro 2026 e vai marcar presença no Oscar 2026.











