Percy Jackson e os Olimpianos: 2ª temporada faz a lição de casa e acerta o tom da aventura
- Marcos Silva

- há 3 dias
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Houve uma época em que, ao se falar de uma adaptação para TV de uma série de livros, era motivo de enormes tensões entre os fãs. Para os semideuses que acompanham as obras fantásticas de Rick Riordan, esse tempo ficou no passado.

Depois de dois filmes bem mornos e uma primeira temporada ainda se encontrando, a nova temporada de Percy Jackson e os Olimpianos chega ao catálogo do Disney+ com glórias. A série mais vista do streaming durante o lançamento dos episódios teve como base o segundo livro das saga, O Mar de Monstros, lançado há 20 anos, em 2006.
A obra de Rick tem uma fanbase fiel e muito engajada. O próprio autor é muito presente e está sempre trocando ideias com os fãs. Parece que esse mesmo entusiasmo foi abraçado pela produção da série, que aprendeu com os erros da estreia e ajustou o rumo da aventura para algo mais épico, maduro e com mais espírito da obra original.
Eles ouviram o povo
A série traz de volta na sua segunda temporada aquela sensação de querer mais a cada episódio, narrando perfeitamente a sensação de um capítulo por vez que os livros evocam. Particularmente, guardei o penúltimo episódio para assistir junto a season finale, a fim de trazer uma experiência mais imersiva para a conclusão.

Um dos êxitos da temporada foi se aproveitar dos elementos do livro para dar forma a narrativa da série com a intenção de transpor a estética mitológica única da história sem deixar de lado os diversos momentos em que isso se mistura ao cotidiano do mundo real.
Foi escolhido um grupo de jovens muito a vontade para dar vida aos personagens. E esse entusiasmo segue vivo no segundo ano da série. Começando com os destaques, o Charlie Bushnell transmite com naturalidade o conflito de Luke em seguir com os seus ideais, servir a um titã com segundas intenções e trair a lealdade de seus amigos. A jovem Leah Jeffries continua a surpreender positivamente na presença da perspicaz Annabeth. E o Walker Scobell conseguiu amadurecer e aprofundar ainda mais o Percy, tornando-se um protagonista destemido e humano, reafirmando o seu potencial para o papel.

Já Clarisse, da atriz Dior Goodjohn, abandona o posto de mero alívio cômico e ganha uma subtrama essencial para a história. A adição de especial fica por conta de Daniel Diemer como o ciclope Tyson, meio-irmão de Percy, que mesmo trabalhando sob um CGI (muito bem feito por sinal) ainda aproveita bastante da voz e dos diálogos para cativar o público.
O mundo está mais vivo
O que aquece o coração também é o deslumbre do design de produção da série, que parece ter ganhado mais corpo. o premiado Dan Hennah (da trilogia Senhor dos Aneis) assina a produção com um cuidado de manter a ambientação fiel às páginas dos livros.
Também é perceptível uma mudança gradual na paleta de cores da série ao passo em que o curso da história se move para uma ameaça mais sombria e colossal.
Nem tudo foram flores no Olimpo
A falta de desenvolvimento dos personagens secundários ficou a desejar nessa temporada. O Tântalo, que pega para si a tarefa de tomar conta do Acampamento Meio Sangue, tem uma presença um pouco rasa e esvoaçante. Enquanto Dionísio que foi tão bem aproveitado na temporada anterior, acabou ficando de escanteio

A revelação da Thalia poderia ter sido concentrada para o final da temporada para causar mais impacto. Porém a cena de entrada da semideusa é marcada por uma criativa rima visual que aproveita do ritmo da narrativa para se tornar nada menos que icónica. Então ficamos no empate.
Outro ponto que carece pelo seu potencial é um aprofundamento melhor no embate central dessa temporada. Luke, o antagonista aponta que os deuses abandonam os seus filhos e devem pagar por isso. Explorar essa dualidade do personagem em conflito poderia trazer camadas mais, digamos filosóficas, para a série. Bom, tempo de desenvolvimento é o que não vai faltar no futuro…
Percy Jackson e Blackjack irão retornar
Com tudo em jogo, a série finalmente encontra em alinhamento com a essência da história e ruma para batalhas cada vez mais épicas. A segunda temporada pode até ser resumida como uma ponte para a terceira – já confirmada inclusive. Porém, ela arrisca no roteiro alterando alguns destinos de personagens importantes do livro para aumentar as apostas.

Ouvir a audiência foi a maior benção que nem os deuses do Olimpo poderiam conceder à produção. Um elenco de jovens com muita vontade de mostrar os seus talentos e um material riquíssimo para várias temporadas e spin offs são os elementos que estão em jogo. E é muito bom acompanhar uma saga literária jovem e que cresce com a sua audiência.






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