“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” é para fãs dos jogos
- Maurício Neves

- há 2 horas
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“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” marca o terceiro filme baseado na franquia de jogos. Dirigido por Christophe Gans, o mesmo que dirigiu o filme de 2006, o longa é estrelado por Jeremy Irvine e Hannah Emily Anderson.
Estreando hoje nos cinemas do Brasil, fomos convidados pela Paris Filmes para assistir antecipadamente. A seguir, nossa opinião.

Enredo
Quando James (Jeremy Irvine) recebe uma carta misteriosa de seu amor perdido, ele é chamado a voltar para a cidade de Silent Hill e reencontrar sua alma gêmea. Porém, eventos bizarros começam a acontecer na comunidade. Conforme ele se aprofunda na cidade, James encontra figuras sombrias e monstruosas. Sem entender o que está acontecendo, James questiona a sua sanidade mental enquanto busca resgatar a sua amada.

Roteiro
O filme começa mostrando como James e Mary se conhecem e se apaixonam, já de cara entrando em um relacionamento e dividindo a vida juntos. Não demora muito para que a felicidade de ambos seja interrompida, com a morte de Mary, e assim começamos a acompanhar o luto e as dores de James.
Ao longo dos 106 minutos, o projeto tenta desenvolver a história colocando flashbacks no meio da história a todo momento, atrasando o ritmo do filme. Vários personagens aparecem e desaparecem e não acrescentam nada na história. Sem falar do casal protagonista, que não tem carisma e muito menos química.
O luto e a culpa são temas que estão muito presentes ao longo do filme, porém o roteiro soa tão raso e superficial que acaba não envolvendo o público. Assim como os sustos, sempre baseados em jumpscares.
É um longa onde muita coisa não é explicada, as coisas são jogadas na sua cara e você que lute para entender. A trama não tem como ser levada a sério, e o terceiro ato é tão sem emoção que você só percebe que aquilo era para ser um clímax quando o filme acaba.

Elenco
Jeremy Irvine e Hannah Emily Anderson interpretam James e Mary, respectivamente. De modo geral, são os atores que mais aparecem durante o filme. Mas suas atuações são tão fracas e exageradas que não convencem na maioria do filme. Jeremy, principalmente, demonstra dificuldade ao transmitir emoções, o que faz com que o público não se conecte ao seu personagem.
Quanto ao resto do elenco, não vale nem a pena comentar. São personagens que não têm desenvolvimento ou importância nenhuma, aparecendo apenas para preencher o tempo de filme.

Considerações
Provavelmente, para os jogadores de Silent Hill, esse longa vai ser um deleite, visto que claramente foi feito pensando neles. Temos aqui diversas cenas onde vemos pela visão do personagem, assim como vários takes onde nos mostram todo o cenário em um plano geral aberto, dando aquela sensação de que realmente está no jogo.
Falando nisso, eu não sei se é intencional, mas os efeitos especiais são tão ruins que realmente parecem de videogame, e em alguns momentos soam até cafonas. Porém, também fiquei sabendo que o orçamento desse projeto foi abaixo do esperado.
O filme não se esforça em tentar cativar novos espectadores (no caso, os que não consomem os jogos), e confesso que, nos 45 minutos finais, eu estava piscando pesado, me esforçando para continuar acordado.
Fico me perguntando: não é possível que as produtoras leiam um roteiro como esse e simplesmente achem uma boa ideia dar um sinal verde. Me preocupa também eles tentarem ressuscitar, 14 anos depois, uma franquia audiovisual que desde o início não deu certo. Hollywood realmente está fraca de ideias.
É um longa de baixa renda que não tem cara de cinema, e talvez fosse melhor aproveitado em um streaming.
PS: odeio ser o chato que fica sempre reclamando da tradução brasileira, mas, novamente, temos um caso de nome desnecessariamente longo.






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