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O Ato Noturno é o thriller de desejo de ambição mais quente do momento

  • Foto do escritor: Marcos Silva
    Marcos Silva
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Assistimos com exclusividade ao thriller érotico O Ato Noturno, dos diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, que teve sua exibição no Festival de Berlim em 2025. O longa chega com tudo nos cinemas brasileiros no dia 15 de janeiro de 2026. E a seguir as nossas impressões sobre o longa.


Quem quer ser protagonista?

Acompanhamos Matias, um ator estreante e ambicioso que acaba de entrar para uma importante companhia de teatro de Porto Alegre. Entre os ensaios, uma diretora de elenco surge selecionando talentos para uma grande série de TV. Vendo a oportunidade de um grande salto na sua carreira, Matias acaba disputando o papel de protagonista com seu colega de elenco e companheiro de quarto, o jovem Fábio. Numa disputa acirrada, os dois se veem capazes de qualquer coisa para agarrar o papel de protagonistas.


Além dessa tensão, nas ruas escuras da noite de Porto Alegre, Matias se envolve com Rafael, e os dois se interligam numa forte paixão. Tudo muda quando o jovem descobre a segunda vida de Rafael como um importante político local que se esconde no armário. O que deveria ser palco de grandes tensões na vida dos dois acaba se transformando em um intenso desejo quando desenvolvem juntos um fetiche de fazer sexo em locais públicos. Quanto mais eles chegam perto de alcançar seus objetivos e ganhar visibilidade, mais a vontade de se colocar em risco se intensifica.


A vida noturna de quem quer mais

O que chama a atenção em O Ato Noturno, além da temática, é a sua cinematografia. É um deslumbre visual que grita cinema do começo ao fim. O uso da pulsante Porto Alegre como um personagem quase vivo agrega contexto e ambientação para a narrativa. As luzes escuras das externas entram em sintonia com a meia luz dos cenários internos, assim como o belo uso de azul e vermelho criam um contraste vívido. Um trabalho cirúrgico da diretora de fotografia Luciana Baseggio.

Os diretores Marcio Reolon e Filipe Matzembacher já utilizaram do sexo como uma ferramenta narrativa em outros trabalhos como em Tinta Bruta e Beira Mar. Neste novo projeto eles se apropriam da temática para compor a psique dos personagens sempre procurando naturalizar o tema que está em tela. 


Um acerto técnico do filme se dá também na maneira como os diretores encontraram de guiar o roteiro através das lentes. As angulações são inteligentes e muito bem colocadas. É sempre perceptível a técnica, mas também é palpável a vontade, o capricho e a identidade que a dupla queria imprimir na tela.


De amigos em cena a rivais lá fora

A peça central de O Ato Noturno é a presença de Gabriel Faryas como o protagonista. O ator é magnético em câmera e dá ao personagem uma série de camadas complexas dentro da sua própria ambição, o que é ótimo para o público que nunca sabe o que esperar da trama. Outro destaque feliz é do Henrique Barreira como Fábio e sua capacidade de modular o personagem e trazer para a cena toda a dualidade em que o jovem está vivendo entre perseguir o seu sonho e os custos que isso pode causar para si e para o seu redor. 

Voltando ao roteiro, é muito interessante o uso da metalinguagem para espelhar o enredo da peça de teatro com a disputa em que os dois amigos se encontram. Porém, essa mesma sacada acaba faltando para dar um contexto mais amplo para o personagem do Rafael. Uma figura pública política que passeia por uma cidade quase vazia. Em um mundo rodeado por câmeras e que as informações correm à solta – sejam elas verdadeiras ou não – é preciso uma certa dose de suspensão de descrença para seguir em frente com a história proposta.


O cinema é do Brasil

Penso que O Ato Noturno é um filme que chega no momento certo para o cenário atual do Brasil. Enquanto estamos presenciando a história e o nosso cinema começa a ser reconhecido como merece lá fora e dentro do nosso território, é muito significativo vermos histórias que vão dar a mão para enfrentar o moralismo que o nosso país enfrenta diariamente. 

O longa não é uma obra perfeita, existem alguns pormenores em termos de roteiro que deixam a desejar e poderiam ter sido aperfeiçoados. Porém,ele não tem a pretensão de ser, e nem mesmo precisa. Abraçar a arte queer em um filme por si só já é disruptivo o suficiente. Levar esse tema adiante sem ter medo de se expor é ultrapassar barreiras.


Além de tudo, O Ato Noturno é um longa muito bem pensado, construído. Uma obra orgânica e viva. O longa deixa uma marca ao criar um imaginário vivido na cidade de Porto Alegre, além de colocar em evidência o talento do Gabriel Faryas. Mais uma bela obra do nosso cinema nacional.


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