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  • Confinado: sucesso latino americano ganha remake estadunidense

    A convite da Diamond Films, tivemos a oportunidade de conferir antecipadamente o longa “Confinado” que chega nas telonas dia 29 de maio. Vem saber o que achamos! Nossa impressão  Estrelado por grandes nomes de Hollywood como Anthony Hopkins (O Silêncio dos Inocentes), e Bill Skarsgård (It - A Coisa) o filme traz uma premissa baseada originalmente no filme argentino “4x4”, filme esse que também inspirou a conhecida obra brasileira “A Jaula”. O longa conta com a assinatura de David Yarovesky na direção, um diretor que gosta de brincar com temas mais sombrios, violentos e que beiram o absurdo, como é o caso do controverso “Brightburn - Filho das Trevas” que dividiu completamente o seu público. Para completar essa aura melancólica em que o filme está inserido, temos o grande Sam Raimi em sua produção. O diretor é reconhecido por trazer um olhar único em seus filmes, carregando uma espécie de esquisitice interessante demais. Agora falando sobre o filme em si, somos colocados no ponto de vista de Eddie Barrish (Bill Skarsgård), um pai solteiro que tenta a todo custo conseguir dinheiro para suprir seu estilo de vida supérfluo. Porém, ao tentar invadir uma SUV de luxo para furta-la, Eddie se vê preso em uma jaula móvel, projetada pelo excêntrico médico William Larsen (Anthony Hopkins) que, na maioria do filme está presente única e exclusivamente representado pela sua voz. A película traz consigo uma ousadia pois, como todas as suas outras versões, ela se passa quase que inteiramente dentro de um veículo, e o impressionante é que ela prende a nossa atenção por grande parte do tempo, o que convenhamos não é uma tarefa fácil de se fazer, principalmente quando é algo que já vimos algumas vezes antes. Não se engane ao pensar que a versão estadunidense não iria inovar em alguns quesitos, temos algumas alterações aqui em relação às outras versões que são sim relevantes para o progresso narrativo, pois fortalecem o seu principal questionamento: a vingança é justificada contra aqueles que precisam sobreviver a base da “malandragem” e passam impunes perante à justiça? Se sim, até que ponto? A questão sobre consciência de classes permeia a trama a todo momento. Apesar disso, como dito antes, há um momento em que o filme se mantém no mesmo ritmo por muito tempo, tornando algo massante demais! O ritmo ditado ali impactou negativamente a experiência, pois era tudo colocado com a intenção de surpreender e no final gerava uma sensação oposta: a inconveniência. Sobre o elenco, no geral é um conjunto exíguo, pois a o enredo está concentrado em três personagens, William Larsen, Eddie Barrish e a sua filha Sarah Barrish. Como um todo, eles funcionam! Hopkins consegue transmitir a imagem do homem psicopata que não tem nada a perder, do mesmo jeito que Skarsgård demonstra com grande coerência o papel de um malandro na sociedade.  Em suma, “Confinado” vale a ida ao cinema para aqueles que estão procurando um filme não tão convencional, ou então, para aqueles que estão buscando por algo que apresenta debates sutis sobre moral e ética para além do olho nu. Apesar da obra se tornar arrastada em determinado ponto, ela entretém e te faz pensar, te faz criticar! “Confinado” estreia quarta-feira, dia 29 de maio nos cinemas brasileiros.

  • Saneamento Básico, o Filme: clássico brasileiro retorna aos cinemas hoje

    A convite da Vitrine Filmes, tivemos a oportunidade de conferir a versão remasterizada de “Saneamento Básico, o Filme” que chega aos cinemas dia 29 de maio. Junto a ele, assistimos ao curta “Ilha das Flores” do mesmo diretor. Venha ver nossas impressões! Desde já, queremos deixar registrado que foi uma experiência muito satisfatória poder acompanhar o relançamento desses clássicos brasileiros , a imagem remasterizada conseguiu trazer um maior aproveitamento dessas obras primas do cinema nacional! Ilha das Flores Antes do filme começar, pudemos contemplar o cruel, porém educativo curta “Ilha das Flores” de Jorge Furtado. O curta mostra todo o caminho que um simples tomate faz, desde o seu cultivo até o seu descarte. O que torna a história sobre o alimento interessante, é que após o seu descarte, ele, junto com toneladas de lixo, é levado para descarte à Ilha das Flores, em Porto Alegre. O grande porém, é que lá é um local dotado de famílias carentes, que lutam para achar comida em meio a todo aquele lixo. Há de se notar como é apresentada uma mensagem sobre consciência de classe que Furtado consegue passar em apenas 15 minutos , de maneira didática, para a grande parte do público entender e compreender o rumo que um simples alimento aparentemente “estragado” pode tomar. Saneamento Básico Em seguida, pudemos conferir a obra “Saneamento Básico, o Filme” que também conta com Jorge Furtado na direção, acompanhado de um elenco com nomes de peso, como a recém indicada ao Oscar de melhor atriz, Fernanda Torres , ou até mesmo o recente ganhador do prêmio de melhor ator no prestigiado festival de Cannes, Wagner Moura. Juntamente a eles, temos Camila Pitanga, Lázaro Ramos, Bruno Garcia, Paulo José, Tonico Pereira e vários outros que ajudaram a obra ser grandiosa do jeito que é. O interessante é que, mesmo com um tom diferente em relação a “Ilha das Flores”, Furtado quis transmitir basicamente a mesma ideia, uma população encoberta e esquecida pelo governo, e que luta para ter o mínimo de necessário ao ser humano: dignidade para viver.  Na película, acompanhamos os moradores de Linha Cristal, uma pequena cidade escanteada pelo governo, que precisa urgentemente de um tratamento de esgoto. Entretanto, o estado não detém verba suficiente para aplicar o saneamento básico na área. Eis que então, o grupo de amigos decide fazer um filme para angariar fundos para a obra. A forma como Furtado trata de um assunto tão sério e recorrente na realidade é, de fato, deleitosa, pois Jorge consegue aplicar uma dose de humor totalmente assertiva com aquilo que ele está querendo transmitir, a ideia de necessidade surge, porém, ela consegue ser amenizada com risadas e o amor de um personagem com o outro. As cenas que eles estão gravando o filme, são muito bem montadas, o conteúdo ali é rico e a remasterização só realçou mais ainda isso . O uso da mise en scene em determinado momentos é coisa que apenas gênios fariam na direção, e Furtado demonstrou maestria nisso. Outro ponto positivo que encontramos aqui, é a química do elenco! A sensação que passa, é que todos ali são insubstituíveis, cada peça fez o seu papel com exuberância, sem tirar nem pôr! Em suma, “Saneamento Básico, o Filme” é  um deleite aos olhos, ouvidos e coração. É aquele filme que te deixa genuinamente feliz ao assisti-lo, uma experiência gostosa, pois, o conjunto da obra foi pensado em cada detalhe, foi exímio! A obra em si, mesmo já sendo um clássico, tende a se valorizar mais ainda conforme os anos se passarem, principalmente após essa remasterização que, com certeza, fará o público mais jovem olhar com mais carinho ao cinema nacional.

  • Big Mouth: o fim de uma era

    No dia 23 de Maio tivemos a estreia da última temporada de “Big Mouth” , depois de oito anos a série chegou ao fim. Ela conseguiu ser tudo e mais um pouco, e a última temporada conseguiu superar as expectativas.  Nessa última temporada pudemos presenciar alguns personagens antigos e algumas emoções que conhecemos na outra franquia, “Recursos Humanos”, com isso a história ficou ainda mais completa e divertida de assistir.  Durante a série acompanhamos as crianças passarem pela fase estranha que é a puberdade, mas agora eles já estão no ensino médio, e logo passaram de pré-adolescentes  para adolescentes.  Então agora eles estão amadurecendo, alguns mais que os outros, e também temos a fase da puberdade tardia do Nick, que enquanto todos os seus amigos já estavam crescendo, tendo pelo crescendo pelo seu corpo todo e outras coisas, ele continuava baixinho e sem mudanças corporais.  Mas nos últimos episódios vimos o Nick crescer e começar a ter uma puberdade normal, com um monstro hormonal mais ativo do que o anterior. Além disso, temos a Jessie que acabou achando seu próprio grupinho e até um namorado, Andrew continua passando pela sua puberdade, mas agora está mais amigável e Jay que está se encontrando e tentando ter algo sério com Lola. E por fim, Missy que também achou seu grupinho e não está mais tão assustada com todas essas mudanças corporais.  A série termina com eles na escola antiga que será demolida, o que seria uma metáfora para mostrar que chegou o fim da puberdade ou que eles precisam crescer e não tem mais volta , e acaba vindo uma névoa branca enquanto eles estão dando uma volta na antiga escola e relembrando os velhos tempos.   Essa série é muito boa e retrata uma fase super estranha e complexa na vida de qualquer pessoa, mas sempre de uma forma engraçada e leve.

  • A Lenda de Ochi: uma ideia clássica às avessas

    Esta quinta-feira (29/05) estreia nos cinemas o próximo filme da produtora independente A24, mesma criadora do incrível “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo” , com uma conto clássico de uma menina e seu monstrinho azul tentando achar seu lugar no mundo, e não, por incrível que pareça, não estamos falando de Lilo & Stitch. O elenco do filme possui grandes nomes como Willem Dafoe (Homem-Aranha: Sem Volta para Casa), Finn Wolfhard (Stranger Things) e Emily Watson (Duna: A Profecia), mas assim como outros filmes da A24, dá espaços para novos talentos como personagem principal, Yuri, interpretado pela atriz alemã Helena Zengel. Conhecendo Carpathia  A história se passa em uma ilha europeia reclusa chamada Carpathia em meados dos anos 80/90 em que os moradores, que ainda vivem como camponeses, têm que lidar com animais monstruosos da floresta chamados ochi que atacam seus rebanhos. Yuri vive com seu pai e outras crianças que foram abandonadas pelos seus pais. Juntos eles são treinados e têm como missão proteger as terras de tais criaturas, mesmo que de forma pouco eficaz. O que move Yuri? A jovem camponesa se sente perdida por ser a única menina em um ambiente totalmente masculinizado, não ser compreendida pelo seu pai, além de nunca ter conhecido sua mãe e também não entender direito o motivo deste conflito com tais seres.  Um dia ela encontra um filhote e Ochi ferido em uma das armadilhas de seu pai e, por pena, decide levá-lo de volta para sua casa para tratar suas feridas , mas acaba sendo descoberta por um de seus colegas o que a faz fugir de casa para proteger seu mais novo amigo peludo para devolvê-lo para seu bando.   A aventura dos dois não é das mais tranquilas, já que precisam lidar com o preconceito das pessoas com este tipo de criatura e até a comunicação entre os dois é um pouco hostil de princípio, mas ainda assim ela persiste e a cada etapa é perceptível que o cerne desta viagem vai além de apenas ajudar seu Ochi, envolvendo uma busca por respostas, aceitação e até pertencimento que ela sente falta em sua vida. Nostalgia e novidade Esta história de uma criança e seu monstrinho em uma aventura improvável realmente remete a clássicos do cinema como E.T. O Extraterrestre e até a fisionomia do pequeno Ochi lembra um pouco um Gremlin ou um Yoda, não só fisicamente, mas até a movimentação parece de um boneco de filmes antigos , o que realmente ativa os “sensores de nostalgia” daqueles que viram essas obras marcantes quando eram crianças. Porém as semelhanças param por aí! A Lenda de Ochi não busca ser fofo ou infantilizado como os filmes que ele se baseou, tendo uma trama bem mais maduro, realista, dentro dos parâmetros do contexto da história, e até nojento em algumas partes. Além de abordar seus temas de forma mais profunda, com um clima mais tenso e até quase distópico.  Isto quebra um pouco o padrão e subverte as expectativas de forma intrigante e inteligente. Seus personagens não são herois idealizados, mas sim humanos com falhas e imperfeições, e a trama mostra como os medos, a falta de conhecimento e os ideais deturpados podem acabar danificando as relações com as pessoas que amamos, além de limitar a visão de mundo das crianças que foram criadas neste tipo de ambiente. Caso queira saber com detalhes o que acontece nessa jornada que quebra um pouco dos moldes, não perca a oportunidade de assistir A Lenda de Ochi nos cinemas!

  • O Esquema Fenício: Wes Anderson capricha na estética em fábula de fé, paternidade e… granadas

    Dizem que o melhor filme de Wes Anderson é sempre o próximo. Com O Esquema Fenício, essa máxima será posta à prova. A convite da Universal Pictures , assistimos com exclusividade ao novo longa que estreia nos cinemas no dia 29 de maio.  A seguir, conto como foi essa experiência. Enredo Um pouso forçado de emergência! Este é o sexto acidente de avião que o excêntrico magnata Zsa-zsa Korda já sobreviveu. Pai de nove filhos homens, ele determina que a sua única filha mulher, a freira Liesl, seja a herdeira de todo seu patrimônio.   Antes de tudo, ele pede ajuda à filha para colocar de pé o último projeto da sua vida, chamado “Korda Land and Sea Phoenician Infrastructure Scheme”.  Essa é a premissa perfeita para uma road trip de pai e filha , Zsa-zsa e Liesl precisarão viajar o mundo, junto de Bjorn, um tutor que chega ali de surpresa,   para negociar com os empresários, empreiteiros e criminosos mais ardilosos do mundo.  Tudo isso com a ajuda de um esquema cuidadosamente armazenado em pequenas caixas de sapatos, projetado para confundir e afastar os adversos ao plano maior do milionário canastrão. É um filme que conta muito com o esquema visual já conhecido  do diretor para funcionar e dar certo. Os planos de câmera cirurgicamente alinhados que ganham uma movimentação brusca, assim como a movimentação mecânica dos personagens e os efeitos quase práticos. É uma peça de teatro, ou jogo de marionetes em tela. Um esquema que junta todas as tribos Para essa nova fábula, Wes precisava de um time disposto a entrar em sua fantasia. O diretor conta com velhos amigos já conhecidos,  como Willem Dafoe, Benedict Cumberbatch e Scarlett Johansson.  Porém, apesar de seus papeis parecerem inéditos, eles carregam ecos de personagens que já vimos em outras obras do cineasta. Benicio Del Toro, que já tinha atuado antes com o diretor, tem momentos à vontade como o impiedoso magnata Zsa-zsa Korda. Outro que está se divertindo à beça é o Michael Cera, interpretando o Bjorn,   uma espécie de agente duplo disfarçado  que no fundo corta só para um lado. A surpresa aqui fica por conta do desempenho de Mia Threapleton como a filha do empresário. Ela se torna o coração do filme mesclando o humor abrupto de Wes com um carisma sentimental muito bem colocado.  Além de tudo isso, tem uma partida de basquete com os personagens de Tom Hanks e Bryan Cranston que é impagável de boa! Será que sou burro? Em determinado momento, a quantidade de informações apresentadas pode ser desproporcional à capacidade do nosso cérebro de absorvê-las. Quero pedir ao espectador iniciante no universo de Wes Anderson que respire fundo: está tudo bem, você não perdeu nada!  Até a mente mais atenta vai talvez precisar de uma segunda assistida para se acostumar com o texto proposto aqui.  Em alguns momentos, Wes cria uma reimaginação do Céu. Com um personagem principal que já quase morreu mais do que já viveu,  vez ou outra ele aparece em uma espécie de plano astral para refletir sobre seu último capítulo de vida - e se preparar para o próximo. É uma forma poética que o diretor encontrou de aproximar mais o pólo espiritual do personagem de Benicio del Toro ao passo em que ele passa mais tempo com sua filha,  uma freira católica devota. Uma das peculiaridades mais conhecidas do diretor é a sua capacidade estética e de criação de universo. Ele a compõe com diversas referências, mas que, ao delimitar esse universo em uma tela, consegue com maestria conduzir quem está investindo tempo assistindo a ela.  Aqui é o mesmo esquema: tem uma mistura cultural católica, com figuras e figurinos egípcios, ambientes navais, edifícios no estilo barroco, florestas tropicais, ternos e gravatas. Em momentos, tudo isso está junto em cena, mas mesmo assim a estética continua impecável. Você aceita uma granada? O Esquema Fenicio não é uma novidade no catálogo do diretor Wes Anderson.  Ouso dizer que em alguns momentos é uma interpretação de si mesmo.   Há tantos recursos sendo colocados em tela que acabam alongando o filme de uma maneira que não o deixa ser tão fluido como suas obras anteriores.  Ainda assim, ele mantém o charme característico com um timing cômico cínico e os enquadramentos simétricos impecáveis. É um filme menos comercial e mais interessado em termos visuais e personagens metódicos. Wes continua comprometido com sua arte e com contar uma história cheia de espinhos. Quem gosta do estilo do diretor vai curtir sem enjoar.

  • Muito Esforçado do Prime Video é tão horrivelmente boa que parece ilegal

    A vida universitária norte americana é algo muito caótico se levarmos em consideração o que as séries nos mostram . Assistimos a Overcompensating, ou Muito Esforçado, que chegou ao Prime Video no começo de maio de 2025 e se tornou uma das séries mais populares do catálogo. Desde que estreou, não saiu do top 10! Confira a seguir as nossas impressões. Tem muita coisa em jogo Benny é um jogador de futebol americano que acabou de entrar na universidade. Recém chegado, ele tem dificuldades para aceitar sua própria sexualidade e costuma se esforçar ao máximo para esconder sua verdadeira personalidade. É aí que entra Carmen, uma garota que também está se entendendo e que se torna uma amiga. Do caos das festas, nas descobertas e nas confusões da vida universitária, Benny conhece Miles, e algo desperta. Um sentimento que ele vinha tentando esconder até de si mesmo. Pra manter a pose hétero, Benny inventa histórias sobre sua nova amiga Carmen, se força em situações desconfortáveis e até entra numa sociedade secreta só para garotos , tudo pra parecer alguém que ele simplesmente não é. Mas até quando ele vai conseguir sustentar toda essa farsa? Até que é atemporal  Depois que uma onda cringe abrupta dos primeiros episódios passa, dolorosamente, a série encontra o seu ritmo com o passar dos episódios. Ao apostar na superficialidade das questões de um jovem universitário em se encaixar em algum grupo, ser popular e construir uma reputação, Benito Skinner, o criador, deixa quase literal o texto de seu roteiro. Um detalhe curioso é como a série cria uma ambientação quase fora do tempo. A trilha sonora remete a meados de 2013, os personagens fazem desafios "por uma boa causa", usam Facebook para marcar fotos da festa da noite anterior... e ao mesmo tempo, estão gravando dancinhas no Tik Tok. É como se todos os sinais de juventude digital das últimas duas décadas estivessem existindo ao mesmo tempo.  O roteiro, assim como o protagonista, parece ir se encontrando ao longo dos episódios. Apesar disso, atravessamos cenas forçadas, diálogos constrangedores e momentos que só existem pra mover a trama. Porém, lá pro final, o tom fica mais irônico, o ritmo melhora e a série finalmente parece saber o que está dizendo. Do TikTok para Hollywood O elenco conseguiu criar uma sinergia interessante ao longo da temporada. Destaque para Wally Baram, que em seu primeiro papel como atriz consegue incorporar toda a ingenuidade e confusão de Carmen; a hilária Holmes (também vista em Hacks) interpretando a divertida Hailee; e para Adam DiMarco, totalmente à vontade interpretando o irritante, mas até que charmoso, Peter. Já o astro do show, Benito Skinner, aproveitou toda a sua experiência como criador de conteúdo no TikTok para refinar sua veia cômica, principalmente na comédia física. Na sua estreia na TV, ele brilha e exalta carisma. Entre as participações especiais, a série ainda nos presenteia com Megan Fox como uma espécie de mentora espiritual, a Charli XCX fazendo uma versão popstar (e mais debochada) de si mesma, e uma cena hilária que os amigos Bowen Yang e Matt Rogers — que parece saída diretamente de uma esquete do SNL —  exageram até os limites nos estereótipos de um relacionamento não monogâmico, que parece estar funcionando, até certo ponto. Esforçado demais e até meio brat A trilha sonora da série, comandada pela própria Charli XCX, mistura sucessos pessoais da cantora com hits icônicos do começo da década passada, como “Super Bass”, da Nicki Minaj, e “Lucky”, da Britney Spears. É uma seleção que acerta na nostalgia e ambienta perfeitamente esse tempo-espaço meio indefinido da série. Um dos momentos mais fofos é embalado por “Claws”, da própria Charli, que toca em uma cena de reconciliação entre Benny e Carmen. Agora, um pequeno desvio — mas que vai fazer sentido. Vamos de crítica musical dentro da crítica da série. Charli atualmente está encerrando sua era brat , marcada por um visual propositalmente feio (um verde limão + fonte horrorosa) que, na verdade, é uma crítica bem articulada ao consumismo e à estética plastificada do pop. Ironicamente, brat  virou sua era mais bem-sucedida em números: a artista indie agora reina nos charts.  Ao escrever esse texto, veja que a capa do álbum já mudou: o título foi rabiscado, e o verde chamativo começa a ceder espaço para um marrom enferrujado. É a artista dizendo que a tendência foi tão explorada que começou a apodrecer. É proposital, irônico e autoconsciente. Assim é também com Overcompensating, que sabe que poderia parecer datada em tempos de Heartstopper e Sex Education, mas escolhe contar uma história que precisava ser contada. Afinal, se esconder no armário pode parecer coisa do passado, mas ainda é a realidade de muita gente. E Charli, com sua trilha, está ali para lembrar que o pop, assim como a identidade, também é um espaço de contradição. Considerações Finais Overcompensating exige que você deixe o seu eu crítico de lado um pouco para um bom aproveitamento. E rros de continuidade, um roteiro constrangedor e as atuações meio bobas estão ali — não só nos primeiros episódios, mas ao longo de toda essa primeira temporada. Com um pouco de paciência e boa vontade, essa espécie de American Pie gay se torna mais palatável, revelando suas intenções por trás do exagero. Para uma possível segunda temporada, fica o apelo: que Benito pese um pouco menos a mão na estética hétero-masculina. A gente entendeu a proposta de encher o elenco de Kens, mas agora queremos mais siglas, mais nuanças queer, mais profundidade. O armário já está aberto — bora explorar o que tem lá dentro.

  • The Last Of Us: 6° episódio revela a verdadeira face de Joel

    Preparamos esse artigo para que vocês tenham um breve resumo e que consigam se preparar para o último episódio da série The Last Of Us , que sai hoje 22h na MAX. Portanto, esse texto terá spoilers. No sexto episódio da série, temos a retomada de pontos positivos da série, como o uso do lado emocional como condução narrativa. Esse episódio foi puramente isso, uma forte carga dramática em cima de memórias da Ellie sobre o Joel. A estrutura do episódio é definida em partes, onde cada uma se passa nos aniversários de Ellie, do de 15 aos de 19. Essa espécie de divisão ajuda a nos mostrar como Joel e ela foram se distanciando ao longo dos anos. Em seu primeiro aniversário, temos uma memória linda onde Joel leva Ellie para um museu abandonado. Lá, ele ajuda sua filha a embarcar em uma jornada espacial, é um momento onde ambos se descobrem como pai e filha, sem dizer necessariamente isso. É lindo. Já no aniversário de 19 anos de Ellie, um acontecimento traumático faz Joel mostrar sua verdadeira face, a face de um homem que faz de tudo por aqueles que ama. Para exemplificar isso, dissecaremos a cena: Joel dá de presente à Ellie sua primeira patrulha. Enquanto estão treinando fundamentos básicos em uma rota totalmente segura, Joel recebe uma chamada para ajudar Eugene (Marido da psicóloga do começo da série), chegando lá, eles descobrem que Eugene foi mordido por um infectado. Clamando para ter um último momento com a sua esposa antes de se transformar, Eugene não consegue tirar o instinto de proteger sua comunidade de Joel, decorrente disso, Ellie implora para que seu pai de coração deixe que o encontro ocorra, Joel por sua vez, pede para Ellie buscar os cavalos e promete que levará Eugene ao seu tão aguardado encontro. Entretanto, após conduzir os cavalos por uma árdua trilha de terra, Ellie se depara como Eugene morto em frente a Joel, o que desperta uma forte desconfiança acerca de tudo que o homem que ela ama já lhe contou. O episódio acaba com a icônica cena da varanda, onde Ellie coloca Joel contra a parede para que ele ele revele toda a verdade sobre o que aconteceu no hospital, a cena é repleta de sentimentos, as atuações dos dois são dignas de todas as premiações possíveis, é realmente uma demonstração de como todo o sentimento de pai e filha dos dois foi gerado ao longo dos episódios. Reforçando, o último episódio da série estreia hoje, 22h na MAX.

  • Andor é a obra-prima do universo Star Wars, e aqui está o porquê

    Em alguns momentos, Andor sequer parece Star Wars. O que é entregue na série lembra muito mais Os Homens do Presidente do que O Retorno de Jedi.  É política suja, paranoia, e monólogos tensos que mais parecem roteiros do Aaron Sorkin em um dia de raiva. A série mais aclamada do universo Star Wars  chega ao seu fim com a segunda e última temporada lançada no Disney+. Então separamos aqui alguns pontos chave que consolidam Andor como uma das obras mais importantes da saga — e, talvez, da televisão nesta década. Ação e Ritmo Na primeira temporada, Andor foi elogiada por ser mais contemplativa e focar na construção de personagens. Já na segunda temporada, observamos uma aceleração no ritmo e maior presença de cenas de ação. Apesar dessa mudança, a série consegue com êxito manter a qualidade da produção e aproveitar para aprofundar mais na complexidade política  que envolve o Senado Galáctico, o Império e a junção das células da Rebelião. Já se percebe essa nova pegada na cena inicial, onde Cassian tenta escapar de uma estrutura imperial pilotando, aos apuros, uma Tie Fighter. Cena que remete na hora a agilidade vista em Rebels  ou na nova trilogia dos filmes. Tony Gilroy entendeu que, para entregar o desaguar de Andor em Rogue One, era preciso apertar o passo,  mas sem comprometer tudo que já foi consolidado antes com tanta precisão. Atuações e Personagens Cenas que jamais imaginei ver em uma produção do universo Star Wars :  um casamento arranjado sustentado por tradições tão antigas que nem sequer se permitem ser questionadas; uma tentativa de abuso sexual   cometida por um agente imperial; e um massacre covarde, cometido a céu aberto, em plena praça pública. Momentos tão delicados e brutais exigem um elenco à altura  — e Andor entrega isso com sobras .  Denise Gough aprofunda a tirania de Dedra Meero com uma frieza que chega a gelar. Genevieve O’Reilly oferece à Mon Mothma uma densidade emocional rara,   revelando os custos pessoais da política em cada olhar contido.  Elizabeth Dulau brilha discretamente até explodir no final da temporada como Kleya Marki. Forest Whitaker entrega um Saw Gerrera mais paranoico e instável do que nunca. E Diego Luna, é claro, carrega o trauma e o carisma de Cassian Andor com uma entrega que torna cada silêncio mais presente do que qualquer fala. Roteiro, Fotografia e Direção de Arte A fotografia que já era um primor na primeira temporada  com seus contrastes marcantes entre os tons imperiais em preto e branco e os cenários terrosos da periferia galáctica, ganha agora uma paleta mais vibrante em alguns momentos iniciais da nova temporada. Ainda assim, cada escolha visual segue comprometida com a narrativa — nada é gratuito. A direção de arte também segue essa lógica: nada de excessos digitais. Os cenários práticos, as locações reais e a ambientação detalhada falam por si, carregando parte da história nos objetos, texturas e atmosferas que rodeiam os personagens.  Poucos personagens não humanos aparecem, a fim de deixar o clima menos fantasioso. A sinergia entre o roteiro, a fotografia e a direção de arte  foi fundamental para criar essa coesão da série.   O Massacre de Ghorman Assim como a temporada inicial, temos uma história dividida em pequenos arcos, dessa vez apontando uma linha temporal ao avançar, que, cada vez mais se aproxima da Batalha de Yavin, retratada em Uma Nova Esperança. Entre esses arcos, o de Ghorman se destaca como ponto crucial da temporada. Ao longo de cinco episódios, acompanhamos a escalada da opressão imperial sobre a população local, até culminar em uma das cenas mais brutais de Star Wars:  o massacre de civis desarmados em plena praça pública. Esse evento violento tem desdobramentos imediatos, principalmente para Mon Mothma, que, diante da tragédia,   rompe de vez com o Senado e denuncia publicamente o regime imperial.   A construção narrativa desse arco remete a eventos reais como a resistência francesa na Segunda Guerra Mundial,  nos deixando desolados e mostrando o lado de uma rebelião que foi escolhida como a única forma de contrabalancear o peso da injustiça. O Legado de Andor Quem diria que o filme que foi na tangente da saga principal de Star Wars, que recebeu uma série spin off, acabaria se tornando o produto mais refinado de toda a franquia?  Afastando-se dos elementos místicos da Força para focar em uma rebelião fundamentada na realidade política e social, a existência da série Andor contribui com uma profundidade e peso para completamente toda a saga a partir desse ponto. É impossível assistir a Rogue One ou a trilogia clássica novamente e não sentir algo diferente. É curioso pensar que uma série tão pouco vista  tenha se tornado tão essencial assim, ao ponto de mudar o ritmo narrativo de décadas de uma franquia já consagrada.  Mas, rebeliões são assim: silenciosas no começo, cheia de sacrifícios por um bem que talvez não se veja, mas se sinta. Rebeliões são feitas de esperança. Se não viu Andor ainda, se rebele - assista o mais rápido possível!

  • Lilo & Stitch voltou! Mas será que a Disney acertou desta vez?

    Lilo & Stitch é o remake live-action do filme da Disney de 2002, dirigido por Dean Fleischer Camp e escrito por Chris Kekaniokalani Bright e Mike Van Waes. No grande elenco, que também inclui diversos membros que participaram das animações antigas, temos Maia Kealoha, Chris Sanders, Sydney Elizebeth Agudong, Hannah Waddingham, Billy Magnussen, Zach Galifianakis e Courtney B. Vance. A convite da Walt Disney Pictures, assistimos antecipadamente à produção que estreia nos cinemas brasileiros em 22 de maio. Enredo Stitch (Chris Sanders), experimento 626, é um extraterrestre expressivo adotado como animal de estimação por Lilo (Maia Kealoha), uma garota havaiana criativa. Juntos, eles descobrem o verdadeiro significado de família. O jeito extrovertido de Lilo corresponde à energia caótica e impulsiva de Stitch, que está sendo caçado por agentes da Federação Galáctica Unida. A amizade entre eles também gera confusões e problemas com a assistente social, que acompanha o bem-estar de Lilo, agora sob os cuidados da irmã e tutora legal, Nani, desde a morte dos pais. Roteiro Quem já assistiu à obra original não se surpreenderá aqui. O filme inicialmente tenta reproduzir a animação de 2002, adicionando pontualmente alguns elementos novos. Embora o live-action seja 23 minutos mais longo que a produção antiga, ele não transmite a sensação de ser arrastado e cansativo. Esse tempo extra é bem aproveitado, apresentando personagens inéditos e aprofundando a relação entre as irmãs protagonistas. Stitch também está muito bem produzido, roubando os holofotes com toda sua fofura nas cenas em que aparece. Um grande destaque é a fidelidade dos personagens à obra original. A mudança mais notória é a adição de versões humanas para Jumba e Pleakley, que, na animação, se misturam aos humanos mantendo suas formas alienígenas. Aqui, com a presença de atores no mundo real, seus visuais originais acabam sendo deixados de lado na maior parte do filme. É um longa que abraça a nostalgia e, apesar de ser fofo e engraçado, e até acrescentar novos pontos à história, acaba permanecendo mais na superfície do universo criado por Chris Sanders. Ainda assim, vale definitivamente a pena. Elenco Maia Kealoha e Sydney Elizebeth Agudong demonstram grande química como as irmãs Lilo e Nani. Se antes as atrizes não eram tão conhecidas no meio audiovisual, esta produção certamente abrirá muitas portas para ambas. Sabemos o quanto a dublagem pode ser um trabalho difícil, especialmente quando o personagem é criado por computação gráfica. Mas aqui, Chris Sanders demonstra domínio sobre sua criação. Ele mesmo admitiu, em entrevista, o quanto é desafiador manter a “voz do Stitch” por longos períodos. Zach Galifianakis, conhecido pela trilogia “Se Beber, Não Case!”, divide a cena com Billy Magnussen. Embora formem uma dupla divertida, Zach acaba um pouco ofuscado pelo carisma que o personagem de Billy já exibe desde as animações originais. Tia Carrere e Amy Hill, que já participaram das animações, interpretam aqui personagens originais do filme, acrescentando encanto ao dar vida a figuras que demonstram preocupação genuína pelas irmãs protagonistas. Considerações Até agora, a franquia Lilo & Stitch conta com quatro filmes animados: Lilo & Stitch (2002), Stitch! O Filme (2003), Lilo & Stitch 2 - Stitch Deu Defeito (2005) e Leroy & Stitch (2006), além de três séries de televisão: Lilo & Stitch: A Série (2003–2006), Stitch! (2008–2015) e Stitch & Ai (2017). Quem acompanha essa fase de remakes live-action da Disney sabe que a produtora tem cometido diversos deslizes. Então, quando o estúdio anunciou o remake deste clássico tão querido, muitos se preocuparam com o que poderia vir. Em comparação com o filme original (85 minutos), esta versão tem 23 minutos a mais, totalizando 108 minutos. O longa recria a animação à sua maneira, mas respeitando o material original e adaptando-o ao mundo atual. Chris Sanders, que criou, escreveu, dirigiu e dublou o filme original, retorna à sua obra com maestria. Além disso, várias pessoas envolvidas nas animações anteriores retornam como homenagem à franquia. O filme, que inicialmente seria lançado diretamente na Disney+, também traz diversas músicas do original, destacando as referências a Elvis Presley. O elenco, por sua vez, é bastante fiel à animação. Por fim, entre tantos erros cometidos pela produtora nos últimos anos, Lilo & Stitch definitivamente não está entre eles. Embora não acrescente muito à franquia, a produção é fofa, divertida e certamente emocionará quem tem o coração mole. Talvez o longa passe despercebido após tantas decepções da Disney, mas é um filme que vale a pena assistir. E, quem sabe, ainda veremos os outros 625 experimentos em uma futura sequência. Dica: se você pretende assistir sem a companhia de crianças, opte por uma sessão legendada.

  • Ritas: a trajetória de uma das maiores artistas do Brasil

    Assistimos com exclusividade o vibrante documentário Ritas, que estreia nos cinemas no dia 22 de maio, data escolhida pela própria cantora como seu “novo aniversário”. Rita continuava sendo de Capricórnio, porque fazia questão, mas decidiu reinventar até isso. As palavras a seguir são simples - é impossível resumir Rita em um texto - mas, aqui estão nossas impressões sobre o documentário. Sobre Ritas Com um acervo de décadas, o documentário Ritas nos leva de volta ao início da trajetória de Rita Lee, acompanhando sua evolução até chegar ao merecido título de rainha do rock. A narrativa revisita o processo criativo por trás de vários de seus hits e os tornou atemporais.  Além de imagens inéditas da cantora no seu momento mais íntimo com a família, sua conexão com a natureza e seu apreço em defender a causa animal, Ritas traz também depoimentos inéditos e aspectos da vida da musa jamais mostrados antes. É um recorte perfeito e atual de um dos maiores ícones da música brasileira, força feminina que moldou (e ainda molda) o rock nacional. Cabelos de fogo e alma livre Ritas apresenta um panorama direto e potente da trajetória de uma artista que nunca buscou o sucesso, mas o redefiniu ao fazer da liberdade seu maior palco. A narrativa, conduzida pela própria Rita, costura momentos marcantes de sua vida e carreira, reforçando o que já era sabido por muitos: ela foi, e ainda é, uma força subversiva simplesmente por ser quem é. Um acerto está na sua estrutura: enquanto revisitamos os momentos mais marcantes da sua trajetória, acompanhamos em paralelo imagens inéditas dos seus últimos anos de vida. Além da riqueza do conteúdo, alguns inserts artísticos - que misturam colagens, efeitos visuais e texturas - criam uma estética surrealista que ajuda a tornar o documentário mais dinâmico e ao mesmo tempo sensorial, nos aproximando da mente criativa da artista. Entre as confissões mais íntimas, se destaca o amor incondicional por Roberto de Carvalho. Uma parceria que ultrapassa o amor romântico e vira espelho de liberdade, companheirismo e respeito. Ao lado dele, Rita construiu não só uma carreira, mas também um lar e uma vida fora dos palcos, sempre com humor e irreverência. Rita Lee não faz sucesso Em um dos momentos marcantes do doc, Rita está cercada de engravatados em uma reunião na sua antiga gravadora. Todos ali dão um palpite de como ela deveria se podar mais. A cantora se levanta e vai embora, mas não antes de… mandar todos ali irem tomar naquele lugar. Ela encontra então a Som Livre, e ao contrário do que afirmaram, ela mostra que sim, Rita Lee faz sucesso, só que do jeito dela. A narrativa passa pelos Mutantes, atravessa a Refestança e chega nos anos de carreira solo, marcada por hits que continuam a atravessar gerações. Mas Ritas não se limita a uma retrospectiva musical — ele também se mistura com a história de um Brasil em retrocesso. Um país em plena ditadura, que a prendeu mesmo grávida. Uma cultura machista, que ela enfrentou ao cantar sobre sexo sem nunca se deixar sexualizar. Uma sociedade que a quis calar, mas que não conseguiu impedir seu grito. Rita fala de drogas, de fama, da relação com a família e com o público, sempre com uma sinceridade desconcertante. O documentário não esconde suas quedas, mas também não as dramatiza. Mostra o ser humano por trás da lenda: deslumbrante, inesperada, honesta. Uma artista que se criou e se recriou diversas vezes, e que viveu como se cada fase fosse uma vida inteira dentro da mesma existência. Com a lua na cabeça Em paralelo com a carreira em ascensão, vemos uma parte mais íntima da cantora nos seus anos mais velhos. Em registros inéditos feitos no sítio onde morava com Roberto, ela aparece em paz, longe dos holofotes, em plena conexão com a natureza — rodeada por bichos, santos, árvores e memórias. A energia que ela transmite é tão viva que por vezes esquecemos que este é um documentário póstumo. Rita está mais feliz do que nunca. Brincava com a câmera, contava histórias, cultivava o jardim e a espiritualidade. Devota de Nossa Senhora Aparecida, cercada por imagens religiosas, quadros e referências ao Bowie, ela criou um espaço onde podia continuar sendo ela mesma — em silêncio, mas jamais ausente. Deus me poupe do seu fim A certa altura, fica difícil acreditar que ela nos deixou. É como se ainda estivesse por aqui, observando tudo com aquele olhar esperto e aquele sorriso irônico. Ritas mostra uma artista que, ao envelhecer, não perdeu vitalidade, mas ganhou algo ainda mais raro: leveza. Ela parecia pronta para partir, não porque queria ir, mas porque sabia que viveu tudo o que precisava viver. E viveu mais de uma vez.

  • The Last Of Us: 5° episódio se divide entre bons e maus momentos

    Esse artigo contém spoilers. O temido momento chegou, o momento em que defeitos da direção que até então não incomodavam, começam a ficar exacerbadamente escancarados. O quinto episódio da segunda temporada de The Last Of Us mostra algumas defasagens em meio a momentos marcantes. Começamos com uma conversa entre duas mulheres, onde uma fala que mandou um grupo de observação aos porões do prédio em que residem, para eliminar possíveis infectados. Entretanto, esse grupo é dizimado por pequenas gotículas aéreas, e é assim que a série apresenta a mecânica de esporos, que de fato, ficou muito bom na trama, era algo que fazia falta como instrumento narrativo. Após isso, vemos Dina e Ellie montando um plano para chegar ao hospital em que está Nora, uma das integrantes do grupo que matou Joel, perto de Jackson. Elas decidem passar por dentro de um prédio em que não costuma haver patrulha da WLF, esse seria o caminho mais rápido, porém o mais selvagem. Chegando lá, Ellie e Dina se deparam com um local repleto de sangue fresco, o que as intimida. Adentrando mais ao ambiente, as duas encontram uma nova raça de infectados, os espreitadores, infectados inteligentes, que se escondem de suas presas e se espreitam pelas sombras para atacar repentinamente. Para não falar que os espreitadores nunca apareceram na série, um deles aparece nos primeiros episódios, quando Ellie está patrulhando com Dina e ela acaba se deparando com essa espécie diferente que não ataca diretamente. Nessa cena do episódio atual, em que as duas se encontram no prédio isolado, acontece algo que acaba por desmoralizar a própria figura da Ellie, a Dina explica tudo para ela como se ela fosse uma criança ainda, e ela leva na brincadeira. Percebe como não faz sentido isso levando em conta todo o trejeito sério, sanguinário e estrategista que Ellie tem na segunda parte da trama? Ainda mais se avançarmos mais uns minutos quando elas enfrentam uma pequena horda de infectados e Ellie simplesmente não consegue fazer nada, se não fosse pelo Jessie, a série acabaria ali mesmo. Ao ouvir disparos, o prédio rapidamente se encontra cercado por soldados da WLF, o que faz Ellie e seus amigos terem que deixar o local rapidamente. Adentrando a floresta mais próxima, Ellie convenientemente acha uma passagem para o hospital que Nora está, e, por incrível que pareça mais conveniente ainda, ela acha uma pequena fresta no muro para evitar os guardas. Sim, a série faz isso. A luta com Nora não é lá grandes coisas, quando pensamos que finalmente veríamos aquele lado de Ellie que, mesmo sentimental, faria de tudo para vingar a morte de Joel surgir, a série simplesmente acaba com a cena, não há emoção, não sentimos esse sentimento descrito acima. Em suma, como clamado antes, o quinto episódio da série, apesar de bons momentos, está cercado por pequenos defeitos que incomodam. O sexto e penúltimo episódio da série estreia domingo, dia 18.

  • Começa a venda de ingressos para o 14º Olhar de Cinema

    Já estão à venda os ingressos para as mais de 90 produções que integram a programação do 14º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba.  O evento, que ocorre de 11 a 19 de junho, é um dos mais importantes do segmento da sétima arte no Brasil e reúne longas e curtas-metragens de todo mundo, incluindo produções para as crianças, estreias mundiais e nacionais, obras de cineastas paranaenses e títulos de grandes nomes do cinema em suas 10 mostras.  Os ingressos podem ser adquiridos pelo site oficial www.olhardecinema.com.br  com valores que variam de R$8 (meia-entrada) a R$16 (inteira). As sessões ocorrem em locais emblemáticas da capital paranaense, como na Ópera de Arame, que por mais um ano receberá a abertura do festival, o Museu Oscar Niemeyer com a sala Claro MON, o Cine Passeio, o Cine Guarani, o Teatro da Vila, e a Cinemateca, que completa 50 anos de história.  A programação conta também com sessões gratuitas nas exibições de curtas-metragens na Cinemateca de Curitiba, no Teatro da Vila e no Domingo (15/06) “RUMO no Olhar de Cinema”,  no Teatro da Vila e no Cine Guarani.  Mais informações podem ser conferidas em https://www.olhardecinema.com.br/ingressos/ .  Destaques na programação Entre alguns dos destaques da programação deste ano, está a estreia nacional do longa japonês “ Cloud ” , do diretor Kiyoshi Kurosawa , que já passou por renomados festivais internacionais, como o de Veneza, Toronto e Chicago, e agora chega com exclusividade no Brasil pelo Olhar de Cinema, sendo selecionado para a abertura da edição. O longa é um suspense psicológico inspirado em um evento real e que representou o Japão na corrida do Oscar deste ano.  Destaque também para os longas-metragens das mostras competitivas. Na Competitiva Brasileira, fazem parte “Apenas Coisas Boas”  (Dir. Daniel Nolasco | Brasil | 2025 | 108’); “ Aurora ” (Dir. João Vieira Torres | Brasil, Portugal, França | 2025 | 130’); “A Voz de Deus” (Miguel Antunes Ramos | Brasil | 2025 | 85’);  “ Cais ” (Dir. Safira Moreira | Brasil | 2025 | 69’); “Explode São Paulo, Gil”  (Dir. Maria Clara Escobar | Brasil, Portugal | 2025| 97’); “Glória & Liberdade”  (Dir. Letícia Simões | Brasil | 2025 | 73’); “Paraíso ” (Dir. Ana Rieper | Brasil | 2025 | 76’); “ Torniquete ” (Dir. Ana Catarina Lugarini | Brasil | 2025 | 75’).  Já os longas da Competitiva Internacional são “ A Árvore da Autenticidade”  (“L’arbre de l’authenticité” | Dir. Sammy Baloji | Bélgica, Congo |2025 | 87 min’); “ Ariel ” (Dir. Lois Patiño | Espanha, Portugal | 2025 | 108’); “Fire Supply”  (“Fire Supply” | Dir. Lucía Seles | Argentina | 2024 | 156’); “Medidas para um Funeral” (“Measures For A Funeral”|Dir. Sofia Bohdanowicz |Canadá | 2024 | 142 min); “Quando o Telefone Tocou”  (“Kada je Zazvonio Telefon”|Dir. Iva Radivojević | Sérvia, Estados Unidos | 2024 | 73 min) e “Um Corpo Para Habitar”  (“A Body To Live In” | Dir. Angelo Madsen | Estados Unidos | 2025 | 98’).  Destaque também para o Filme de Encerramento , “Verde Oliva” , do diretor Wellington Sari , um suspense político inspirado no filme de Brian de Palma, “Um Tiro na Noite”.  O Olhar de Cinema ainda é composto pelas mostras   Novos Olhares , Mirada Paranaense , Exibições Especiais , Olhar Retrospectivo , Olhares Clássicos ,  Foco  e Pequenos Olhares . A programação completa com datas, horários e locais de exibição das 92 produções pode ser conferida no site oficial  ou no aplicativo disponível para Android e iOs.  O 14º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba tem produção da Grafo Audiovisual, com realização do Ministério da Cultura – Governo Federal. O projeto foi aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura | PROFICE da Secretaria de Estado da Cultura | Governo do Estado do Paraná. A edição é apresentada pela Rumo Logística, com patrocínio master do Itaú e Claro, patrocínio ouro do TCP - Terminal de Contêineres de Paranaguá, patrocínio prata da Solvay Peróxidos e Campari, e apoio da Sanepar, Adami S/A, do Instituto Rumo, do Projeto Paradiso, do Teatro da Vila, da Cinemateca, do Cine Passeio, ICAC, Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura de Curitiba. Verifique a classificação indicativa de cada filme e as sessões com acessibilidade de audiodescrição e intérpretes de Libras. Serviço 14º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba Data : 11 a 19 de junho de 2025 Site oficial :   www.olhardecinema.com.br Ingressos : R$8 (meia-entrada), R$16 (inteira). Há também sessões gratuitas - consultar programação. Redes Sociais : Instagram:   www.instagram.com/Olhardecinema                           Facebook :   www.facebook.com.br/Olhardecinema Tik Tok:   @olhardecinema , X/Twitter: @Olhardecinema_ Realização : Ministério da Cultura - Governo Federal Apresentação : Rumo Logística Patrocínio Master : Itaú, Claro Patrocínio Ouro : TCP - Terminal de Contêineres de Paranaguá Patrocínio Prata : Solvay Peróxidos, Campari Apoio : Sanepar, Adami S/A, Instituto Rumo, Projeto Paradiso, Teatro da Vila, Cinemateca, Cine Passeio, ICAC, Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura de CuritibaProjeto aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura | PROFICE da Secretaria de Estado da Cultura | Governo do Estado do Paraná Produção : Grafo Audiovisual

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