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  • Foto do escritorEquipe Pippoca

Assassinos da Lua das Flores revive crimes que não podem ser esquecidos

Atualizado: 19 de out.

Sim, meus amigos, o tão esperado filme “Assassinos da Lua das Flores” finalmente vai chegar aos cinemas no dia 19 de outubro, e o Blog Pippoca teve o privilégio de - a convite da Apple e da Paramount - assistir a produção antes de todo mundo e vem te contar os pontos principais do filmes, o que achamos e algumas informações essenciais para assisti-lo. Só para dar um gostinho do que estamos falando, não bastasse a presença dos estrelados atores Leonardo DiCaprio, Robert De Niro e Brendan Fraser, temos a direção de Martin Scorsese, este que é a mente por trás de Taxi Driver, O Lobo de Wall Street, O Irlandês, Ilha do Medo, entre outras grandes produções.


O enredo

O filme é baseado no livro “Killers of the Flower Moon: The Osage Murders and the Birth of the FBI”, lançado em 2017 pelo jornalista americano David Grann. A história se passa no pós primeira guerra mundial, em meados dos anos 20 e tem como cenário principal o estado de Oklahoma, especificamente as terras do povo indígena Osage (região perto da atual cidade de Tulsa). A região é riquíssima em petróleo e está sofrendo com uma migração em massa de brancos que buscam aproveitar o dinheiro advindo dessa riqueza.


O longa acompanha a jornada de Ernest Burkhart (Leonardo DiCaprio), um ex-combatente americano pouco inteligente que resolve se mudar para o condado de Osage, com a mesma história de todos que lá iam: ganhar dinheiro. Além disso, ele também tem família residindo no local. William Hale (Robert De Niro) e Byron Burkhart (Scott Shepherd), tio e irmão de Ernest, respectivamente, parecem ter tido sucesso na região, além da parte financeira, são bem quistos por todos (indígenas e não indígenas).


O povo indígena da cidade tem uma vida abastada, eles detém as concessões para que se possa explorar o petróleo e, dessa forma, vivem muito bem, com vários funcionários e motoristas a seu dispor. É exatamente nessa função que Ernest encontra seu primeiro trabalho na nova cidade, ele está prestando serviço de táxi para os ricos e, numa dessas corridas encontra Mollie (Lily Gladstone), uma indígena “puro sangue” que faz com que os olhos do rapaz brilhem. O romance entre Mollie e Ernest foi questão de tempo, logo os dois iniciam uma relação. Casamentos entre indígenas e não indígenas estão se tornando mais comuns do que em décadas anteriores, encontram-se vários, algumas das irmãs de Mollie, por exemplo, também têm maridos brancos. De qualquer forma, tudo parece ir bem até que alguns membros da tribo Osage começam a ser encontrados misteriosamente mortos.


O elenco

Como vocês já devem ter notado, Scorsese não costuma variar muito quando o assunto é elenco, os já consagrados Leonardo DiCaprio e Robert De Niro retornam para mais um longa dirigido por Scorsese. Aqui vemos DiCaprio passando uma nova imagem, que vem sendo explorada desde “O Regresso”, filme que lhe deu o Oscar de Melhor Ator. Leonardo abandona a imagem de mocinho e herói para interpretar um interesseiro e trambiqueiro que segue as ordens de seu tio para se aproveitar das riquezas dos indígenas, mais especificamente das riquezas da família de sua mulher. DiCaprio entrega uma ótima atuação, transparecendo o conflito interno que vive o personagem, dividido entre ser fiel a seu tio ou a seu grande amor.



Robert De Niro não foi tão desafiado quanto DiCaprio, mas também entrega uma bela atuação, aqui ele interpreta William Hale, o cabeça por trás dos casamentos e mortes que acontecem nas terras indígenas, algo que ele já está acostumado a interpretar, inclusive em outros filmes de Scorsese. Arrisco dizer que Lily Gladstone foi a melhor escolha de Scorsese, a atriz interpreta uma indígena “puro sangue” e consegue transmitir de forma perfeita a história daquela mulher que por mais inteligente que fosse, acabou também sendo enganada pelos brancos, ela é essencial para que DiCaprio faça um ótimo trabalho, Lily encantou e se não for indicada a nenhuma categoria no Oscar será um grande erro da academia.


A crítica de Scorsese

Todos estavam ansiosos para descobrir como Scorsese iria retratar os americanos no filme, já que, segundo o livro, eles foram os grandes responsáveis pelos assassinatos e a queda dos Osage. O filme mostra que a miscigenação não é bem vista pelos indígenas mais antigos, alguns dizem que os brancos querem só se aproveitar das terras e do dinheiro, é nesse ponto que Scorsese mostra toda a violência daquela época, o diretor faz questão de jogar luz nos pequenos detalhes de cada crime e nos mostrar como eram brutais os assassinatos cometidos pelos brancos. Entretanto, a caracterização dos indígenas nos parece um tanto quanto forçada, mais especificamente no excesso de ingenuidade com que são retratados. Apenas Mollie parece estar entendendo o que está acontecendo nas terras e é completamente silenciada pelo marido. Ainda assim, ela só descobre e se revolta contra o companheiro após numerosas provas de que ele estava traindo e matando seu povo.

Ao final do filme a sensação que fica é que sim os americanos foram os responsáveis por todo o mal que se instalou em Osage e foram inteligentes e estratégicos na forma como se infiltraram no povo indígena.


Onde foi parar o FBI?

Dada a relevância e a numerosa quantidade de crimes, o governo federal é obrigado a agir, o recém-formado FBI (Federal Bureau of Investigation), sob a liderança de J. Edgar Hoover, foi designado para resolver os casos. O grande problema é que a criação do FBI naquela época teve pouquíssima relevância na trama, Scorsese parece ter aproveitado muito bem o filme todo, mas resolveu ter pressa na hora de dar um desfecho para a história. A julgar pelo filme de 3h26, tenho certeza que ninguém iria se importar se o filme tivesse mais alguns minutos para oferecer uma visão melhor sobre o papel do FBI na justiça pelos indígenas.


This is cinema

Vamos combinar que é difícil citar defeitos nas produções de Scorsese, mas tenho certeza que em uma coisa todo cinéfilo concorda: Scorsese é cinema. No auge dos seus 80 anos, o diretor ainda consegue nos presentear com um filme completo, o desenvolvimento dos personagens, a imersão na história, tudo é perfeitamente calculado e nos emociona. Desafio você a achar pontas soltas em seus filmes e garanto que vai ser um trabalho difícil. Scorsese é mais uma vez um grande candidato a ganhar mais um Oscar com Assassinos da Lua das Flores.

Depois de apreciar uma bela produção, o fato do filme ter 3h26 é um mero detalhe que passa despercebido, com certeza cada minuto do filme foi essencial. Se você decidir assistir a produção no cinema, nossa dica é levar um lanche para aproveitar ao máximo essa obra de arte.

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