Kokuho - O Preço da Perfeição é a maior bilheteria do Japão com razão
- Marcos Silva

- 4 de mar.
- 4 min de leitura
Em parceria com a Sinny Comunicação e Sato Company, conferimos o longa representante do Japão no Oscar. Kokuho – que chega aos cinemas no dia 5 de março de 2026 – é um drama que reúne a rica cultura histórica japonesa e foi indicado na categoria Melhor Maquiagem e Penteado. Faz todo sentido. Vem entender o porquê!
Nagasaki, 1964
Acompanhamos Kikuo Tachibana, um jovem que, após a morte de seu pai, é acolhido por Hanai Hanjiro, um grande ator de Kabuki – uma arte tradicional japonesa de atuação. Kikuo começa a desenvolver um talento único, e ao lado do filho desse grande astro, Shunsuke, se envolve em uma irmandade que vai do brilho dos palcos até a rígida escola de atuação.

Com o passar dos tempos, a dupla que se apresenta junta vai lidando com o sucesso, as conexões e as traições, preenchidos pela alma e a tradição de atuar. Kikuo, agora órfão, vê o seu talento emergir e efervescer, enquanto Shunsuke procura se esforçar ao máximo para chegar no nível de precisão do pai e levar o legado da família adiante.
A linhagem, a sucessão e as gerações são colocadas à prova durante a narrativa, onde o que está em voga é a ambição de até onde é preciso ir para alcançar a grandeza.
Pai, filho e filho
O diretor Sang-il Lee é uma presença de renome no cinema japonês e um conhecido de Hollywood, sendo sua participação mais recente dirigindo alguns episódios da série Pachinko da AppleTV+. Mas não se engane. Apesar da sua linguagem cinematográfica ser palatável para o ocidente, com Kokuho, o cineasta está dedicando completamente a narrativa para o Japão. Certo ele.

Com um elenco comprometido, o longa tece um registro muito simbólico de um período histórico no Japão, utilizando do tradicional teatro Kabuki como um palco para uma narrativa cheia de reviravoltas.
Nele, o astro Ryô Yoshizawa é o protagonista que carrega a trama do começo ao fim. O Kikuo é um jovem às vezes calmo e frio, que se vê em frente a uma oportunidade única. Sua ambição, muitas vezes só disfarçada de ganância, é sutil, mas muito perceptível em tela. Seu amor pelo irmão de criação, Shunsuke, acaba ficando no caminho dos seus sonhos, e Ryô consegue transmitir essa dúvida viva no seu personagem.
Falando de seu parceiro de cena, Ryûsei Yokohama, se mostra como outro destaque positivo do longa. O garoto exilado da própria família, dá o seu sangue para ganhar a aprovação do pai. Sua atuação tem alcances interessantes e uma dualidade que faz dele um antagonista interessante de ver em tela.

Ken Watanabe, amigaço de Hollywood, é outro ator que dispensa apresentações. Sua breve, mas marcante presença no longa como o Hanjiro Hanai é o fio condutor e a base que sustenta parte da narrativa do filme. Mais uma atuação impressionante da lenda.
Espetáculo Visual
Se tem um aspecto que o longa acerta, é no conjunto visual. Tudo parece estar conectado. Começando pela fotografia que aposta em um tom vibrante e levemente saturado para dar mais vivacidade aos figurinos e às maquiagens dos palcos – essa que vem carregada de referências, estudos e vivências.
O centenário teatro Kabuki vira uma representação grandiosa de uma forma de arte que se baseia em disciplina, técnica e expressão artística. O roteiro ilumina para o público as relações de poder, amizade e ganância, enquanto a dupla (ou os indivíduos) dançam e atuam no palco.

Em uma das cenas, mais para o final do filme, o protagonista dança sozinho no alto de um prédio sob a luz da lua. A iluminação mais azulada em contraste com os tons vermelhos (não só de maquiagem) são trabalhadas, não só nessa, mas em diversas cenas do longa. O que faz do longa uma obra prima visual repleta de simbolismos.
Divisão
O que pode ser indicado como um ponto negativo do filme é a sua longa duração. Em certos momentos, a narrativa cronológica dos protagonistas pode ir se perdendo em termos de relevância ou de apego emocional com o público.
A narrativa não se preocupa com o tempo de duração, mas acaba traçando uma armadilha para ela própria ao não saber contar com um fio condutor mais estabelecido, fazendo com que a parte do meio do longa se arrastasse mais do que deveria.
E se fecham as cortinas
Tirando esse desabafo do peito, não tem como não ficar impactado com Kokuho – O Preço da Perfeição.

Quando digo que o elenco é dedicado, estou falando de 18 meses de preparação física para interpretar os papeis. Quando menciono impacto, estou falando da maior bilheteria na história do Japão – superando até as obras de Akira Kurosawa. Quando eu digo para não se assustar com a duração de quase três horas, eu te aconselho, desligue o celular – um pouco de atenção plena não vai te fazer mal!
Se eu tivesse que convencer um amigo á assistir o longa, eu seria bem branquelo: “pensa em La La Land, só que com um legado japonês imenso nas suas costas”. Bom, tomara que eu melhore nos meus argumentos. O que não precisa melhorar, é Kokuho, a obra que já nasceu intacta.



Comentários