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  • Foto do escritorMarcos Silva

Salamandra: a melancolia e intensidade na busca de si mesmo

Atualizado: 25 de jun.

A convite da Pandora Filmes, conferimos em primeira mão o longa Salamandra. O drama, baseado na obra clássica da literatura francesa La Salamandre, marca a estreia de Alex Carvalho como diretor e roteirista. Estreando nos cinemas no dia 27 de junho, o filme não só emociona como também surpreende. Fica com a gente que eu te conto mais!


Luz e sombra do enredo

Salamandra nos apresenta a história de Catherine, uma mulher que, após anos se dedicando a cuidar do pai que faleceu recentemente, se sente sufocada pelos seus sentimentos e a realidade em que vive. Em busca de alívio, ela decide se mudar para o Brasil, onde vive sua irmã, e encontrar um novo começo.

Salamandra: a melancolia e intensidade na busca de si mesmo

Nesse novo ambiente, ela conhece Gil, um jovem que simboliza a chance de viver uma nova realidade. Gil traz à tona emoções e possibilidades que Catherine achava perdidas, dando-lhe a esperança de um recomeço.


No entanto, essa nova vida vem com seus próprios desafios. Catherine precisa decidir se continua sua jornada de reinvenção, mesmo que isso possa levar a um desfecho tão intenso quanto incerto.


O encontro que muda tudo


O olhar de Catherine parece sempre perdido, como se estivesse à procura de algo para se fixar. Após anos cuidando do pai, ela se encontra depressiva e tentando ressocializar. É neste estado de vulnerabilidade que ela esbarra com Gilberto. Encantador e carismático, Gil mostra a Catherine um lado vibrante do Brasil, e juntos eles começam a se envolver em um caloroso romance.

Salamandra: a melancolia e intensidade na busca de si mesmo

Seja nas areias da praia ou nas noitadas, o mundo de Catherine vai ganhando novas cores, e a quietude começa a ganhar brilho conforme o relacionamento avança. Gil, um jovem sonhador que trabalha em um bar, almeja ter seu próprio estabelecimento um dia, e vê em Catherine uma oportunidade de engatar em seu sonho.


No entanto, a relação deles não é bem vista por todos. Em um momento de puro racis… preocupação, a irmã de Catherine alerta sobre o relacionamento, sugerindo que isso poderia afetá-la devido à sua fragilidade emocional. Este é só um dos vários desafios que o casal enfrenta quando estão juntos.



A parceria que brilha na tela


A química entre Marina Foïs, que interpreta Catherine, e Maicon Rodrigues, no papel de Gil, é palpável. Esse envolvimento intenso é mérito tanto dos atores quanto da direção de Alex Carvalho. O diretor parece querer transparecer a quietude da vida de Catherine, enquanto Marina Foïs transmite a sensação de estar em um turbilhão de emoções, ou até mesmo irritada consigo mesma por simplesmente ocupar um espaço.

Salamandra: a melancolia e intensidade na busca de si mesmo

A soma do trabalho de Alex Carvalho com o diretor de fotografia Josée Deshaies é fundamental para a narrativa. A fotografia de Deshaies aposta nos tons contrastantes e se apoia na luz natural do ambiente, trazendo realismo à história. Os planos abertos permitem que cada emoção transpareça na tela, deixando o espaço ideal para interpretações e entrelinhas. Já os planos fechados, que destacam a intimidade e a fisicalidade do casal, reforçam ainda mais a intensidade da relação (e sim, há cenas bem intensas entre eles).



O veredito: esperança ou autodestruição?


As salamandras são espécies capazes de regenerar o próprio corpo, uma analogia perfeita para a protagonista desta história, uma vez que ela passa por momentos de auto descoberta e renovação, mesmo sem se dar conta disto. 


O filme é excelente nas mãos do diretor Alex Carvalho. Marina Foïs entrega uma atuação intrigante, retratando de forma sensível a melancolia da protagonista em busca de algum propósito. O Gil, de Maicon Rodrigues, complementa com sua atuação excepcional. 

Salamandra: a melancolia e intensidade na busca de si mesmo

Salamandra não busca dar lição de moral, mas sim refletir sobre a vivência de uma mulher emocionalmente abalada, que se ancora no externo como a sua única fonte de felicidade e de intensidade.


A cena final, marcada pela quietude, é brilhante. Ela sugere, sem impor, que o caminho para a cura pode estar na reflexão e na busca interna, mas também mostra como a necessidade de sentir algo pode levar a decisões extremas.


Salamandra é um filme que deixa marcas, literalmente e figurativamente, convidando o espectador a embarcar numa história de introspecção com algumas boas pitadas de intensidade no caminho.


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