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  • Foto do escritorArthur Ripka Barbosa

O que vimos na 8 1/2 Festa do Cinema Italiano


Dos dias 22 a 28 de junho, ocorreu em várias cidades do país a 8 ½ Festa do Cinema Italiano, festival que apresenta vários filmes recentes e dos mais variados gêneros do belpaese, além de trazer a oportunidade de ter contato com um dos cinemas mais renomados e premiados do mundo. A seguir, vamos falar um pouco dos filmes que conferimos ao longo do festival.


Interdito a Cães e Italianos (Interdit aux Chiens et aux Italiens)

Essa produção franco-italiana talvez tenha sido o filme mais interessante que conferimos no festival, já que o cineasta Alain Ughetto conta com o uso do stop motion a história de como a sua família saiu da Itália para a França. Nele, o cineasta interage com os personagens, seja na conversa com sua avó que serve como fio condutor da história, ou então auxiliando-os na construção dos cenários. Apesar de ser uma animação, ele passa longe de ser um filme alegre ou de comédia, já que conta a história de uma família que teve que superar a pobreza, doenças e guerras.


Jogada de Amor (Corro da Te)

Uma clássica comédia romântica, com todos os clichês possíveis, mas que mesmo assim funcionam e arrancam boas risadas. Nele, Gianni (Pierfrancesco Favino) é um galã milionário, dono de uma empresa de tênis de corrida, que cria personagens para seduzir as mulheres. Quando sua mãe morre e vai à sua casa, ele conhece Alessia (Pilar Fogliati), enquanto estava sentado na cadeira de rodas de sua mãe e então decide conquistá-la se passando por cadeirante. O que ele não imaginava é que Alessia, crendo na condição inventada, iria tentar juntá-lo com a sua irmã Chiara (Miriam Leone), uma cadeirante de fato. É interessante também ver que o filme consegue fugir do capacitismo, trazendo, mesmo que de uma forma superficial, uma discussão sobre isso.


A Estranha Comédia da Vida (La Stranezza)

Luigi Pirandello (Toni Servillo), um dos maiores nomes da dramaturgia italiana, viaja para um vilarejo na Sicília para sepultar sua ama de infância, durante um dos maiores bloqueios criativos que já teve. Lá, conhece Sebastiano (Valentino Picone) e Onofrio (Salvatore Ficarra), os agentes funerários da vila e também os dramaturgos da região, cuja peça se encontra próxima de acontecer. Pirandello se coloca como observador e todos os eventos que acontecem durante sua estadia ajudam o autor a criar a peça “Seis Personagens à Procura de uma Autor”, uma das suas maiores obras. Com um humor cativante, o roteiro aposta numa metalinguagem interessante para contar a história, apesar de ser um pouco confuso em certos momentos.




Nostalgia

Ao voltar para Nápoles para cuidar de sua mãe nos últimos de vida dela, Felice (Pierfrancesco Favino) é tomado pela sensação de nostalgia, mas principalmente, de pertencimento, que não sentia desde que se mudara para o Cairo ainda em sua adolescência. Seu retorno, entretanto, é marcado pelo fato de ele se encontrar no centro na disputa territorial do bairro de La Sanità, onde cresceu e sua mãe vivia, entre a máfia local, comandada por Oreste (Tommaso Ragno), amigo de infância de Felice, e a Igreja, na imagem do Padre Luigi Rega. O destaque fica para a direção, que consegue passar um ar de tensão a todo momento, auxiliado muito bem pela fotografia, que trabalha bem a relação da escuridão das vielas e da claridão dos espaços mais abertos.


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