Exit 8 mostra que nem tudo deve ser adaptado
- Nathália Correia

- há 15 horas
- 4 min de leitura
No dia 30 de abril, chega aos cinemas brasileiros um novo suspense que mistura ficção científica, drama e terror. À convite da Paris Filmes, conferimos o longa Exit 8 antes da estreia e trouxemos as nossas percepções em primeira mão para vocês!

Sinopse
Depois de um dia de trabalho, um homem segue a sua rotina normal, pacata e entediante. Caminha até a estação, sobe no metrô lotado, se espreme entre os trabalhadores exaustos, ignora um homem gritando com uma mãe e seu bebê, coloca o fone e segue no automático.
Quando chega à estação, ele recebe uma ligação chocante. Enquanto caminha para a saída, percebe que já passou por aquele corredor e o que parecia um simples erro no trajeto se torna um looping agonizante em que ele precisa prestar atenção a tudo e identificar qualquer anomalia para ter uma chance de escapar desse labirinto.
O jogo

Se você é fã de videogame, principalmente daqueles de suspense e desafio, provavelmente já ouviu falar em Exit 8. O jogo funciona como um simulador de caminhada no qual o principal desafio é conseguir achar a saída do metrô.
O usuário se encontra preso em um corredor da estação e para avançar nas fases e chegar ao andar 8, onde se encontra a saída, precisa identificar todas as anomalias e mudanças naquele cenário repetitivo. Se encontrar uma anomalia recue e avance de nível, se passar despercebida volte ao início e recomece.
Enquanto algumas anomalias são simples e inofensivas, como mudança em um quadro, na posição da maçaneta da porta e luzes piscando, outras são mais perigosas e assustadoras, como pessoas te perseguindo, chuva de sangue, entre outros.
O filme de Genki Kawamura é uma adaptação homônima do game japonês, lançado em 2023 pela Kotake Create, e se apoia totalmente na premissa do jogo para construir o longa.
Sobre a adaptação
Não é de hoje que, além dos livros, games também têm sido adaptados para os cinemas. É o caso de Five Nights at Freddy's, Mortal Kombat, Silent Hill e Assassin’s Creed.
Porém, enquanto algumas produções conseguiram se manter fiéis às inspirações e despertaram no público o mesmo interesse e empolgação, como The Last of Us, outras não conseguiram fazer o mesmo trabalho e se perderam no caminho entre a manete e a pipoca. Para mim, esse é o caso de Exit 8.
O filme começa com uma atmosfera densa, enfatizada pela exaustão dos personagens e o uso de cores sóbrias nas roupas e nos elementos do metrô. Um homem começa a gritar com uma mãe porque seu bebê não para de chorar. Tudo isso acontece enquanto as pessoas estão alheias ao outro e imersas na monotonia e em seus celulares. O gosto é bem agridoce e a expectativa é de que tudo culmine em um evento catastrófico que justificará a classificação enquanto terror e suspense.

Ainda no início do filme o personagem percebe que algo está errado e repara que está preso no mesmo corredor, com o mesmo homem robótico caminhando em círculos e sem sinal de telefone para pedir ajuda. O desespero aparece e ficamos agoniados junto com o personagem, tentando entender o que está acontecendo e como encontrar uma saída para aquilo.
Depois de algumas tentativas há uma mudança aparente no cenário: aparecem as regras do jogo. A partir dela, o protagonista tenta descobrir as anomalias e sair daquela prisão. O problema do filme surge a partir desse momento, mais especificamente, depois da terceira tentativa para avançar de nível.
A estações de distância
Quando a trama revela que o personagem está preso em um looping, somos arrebatados também nessa revelação e ansiamos por uma sequência de acontecimentos aterrorizantes e empolgantes que nunca vem.
Se no jogo temos uma visão em primeira pessoa e cabe ao próprio jogador identificar essas anomalias, no filme tudo isso acontece em terceira pessoa e o espectador fica em uma possível passiva diante da história. A procura de alguma mudança, a tensão de ter que fugir de algo e o medo do desconhecido, viram longos minutos entediantes e repetitivos, já que as anomalias, na maioria das vezes, são sem graça e inofensivas. Além disso, a filmagem não nos permite visualizar alguma diferença, cabendo, de fato, apenas ao protagonista. Assim, depois do terceiro nível, o que vemos na tela é apenas uma repetição de cenários, personagens, trilha sonora e tensões bem previsíveis que tiram o único fator surpresa da narrativa.

Há uma tentativa de aprofundar o enredo e trazer novas camadas, como as críticas indiretas à forma de vida atual, automática e fria, ao trabalho que suga a nossa energia e até apresentando um novo personagem da trama e sua história. Mas, ao fim, tudo isso se perde e não ganha potência dentro da produção.
O filme vai perdendo força a cada ato e, consequentemente, a atenção do público, ficando a estações de distância do sucesso e da ideia vendida para os fãs de terror e suspense.
Nem lá e nem cá
“Exit 8” é um filme com um grande potencial de realização que não se concretiza nas telas. Se para um longa a trama se torna cansativa, repetitiva e com muitas lacunas, em formato de curta poderia funcionar muito bem e os mesmos furos teriam outro gosto para o espectador. No final, “Exit 8” nos mostra que nem tudo deve ser adaptado.


