“A Maldição da Múmia” se esforça, mas não renova o gênero
- Maurício Neves

- 16 de abr.
- 3 min de leitura
Dirigido e escrito por Lee Cronin (A Morte do Demônio: A Ascensão, 2023), A Maldição da Múmia é uma releitura da franquia A Múmia que conta com Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy, Natalie Grace e Verónica Falcón no elenco.
Fomos convidados pela Warner Bros. Pictures para assistir antecipadamente ao filme de terror sobrenatural que chega hoje aos cinemas brasileiros. Confira a seguir nossas impressões.

Enredo
A filha de um jornalista desaparece no deserto sem deixar rastros, deixando a família em luto. Oito anos mais tarde, a garota reaparece, chocando a todos. O problema é que o encontro feliz transforma-se em um grande pesadelo.

Roteiro
O longa já tenta manter o mistério de início: somos apresentados a uma família que, ao chegar em sua casa, encontra o pássaro de estimação morrendo em sua gaiola. Quando os responsáveis vão até um sarcófago verificar um corpo que está dentro, um dos pais morre misteriosamente.
A partir disso, somos levados para a família protagonista: Charlie, que é um jornalista; Larissa, sua esposa; Katie e Seb, seus filhos. Quando Larissa sai para trabalhar, Charlie recebe uma ligação com uma oferta de emprego; é nesse momento que Katie, brincando no jardim de casa, recebe a visita da mesma mulher da cena de abertura.
Fingindo ser uma amiga, a mulher oferece doce e distrai Katie com mágicas, até que a rapta. Nisso, a história pula 7 anos no futuro. Até então, o roteiro consegue situar bem seus personagens.
Como todo clichê em terror, aqui as crianças também são as mais prejudicadas pela “presença maligna”, e os pais acabam não percebendo nada. Em certo momento, até me peguei pensando: como que pais tão ruins conseguiram criar 3 filhos?
Algumas cenas durante o filme chegam a soar excessivas e forçadas, e o foco aqui está mais em ser nojento do que assustador (às vezes beirando o trash). Essas cenas nojentas acabam sendo o ponto alto, porém não compensam o restante do filme.
A produção é muito longa, sendo que nem há tanta história a ser contada. Se ao menos esse tempo fosse utilizado para desenvolver melhor os personagens, mas nem isso. Falando nisso, os personagens também não apresentam muito carisma.
O final até traz uma sensação de alívio, mas parece que mais pela subida dos créditos do que pela conclusão da história. No fim, A Maldição da Múmia acaba sendo mais um entre tantos filmes de terror, sem trazer um grande diferencial.

Elenco
O elenco não é o ponto forte na película; entre nomes que já não são tão falados na mídia, são as crianças Emily Mitchell, Shylo Molina e Billie Roy que acabam trazendo o maior encanto ao filme, e todos são muito fofos. Detalhe para a maquiagem realizada em Natalie Grace, que ficou realmente nojenta.
Jack Reynor é claramente o colírio do longa, e Laia Costa talvez seja a que entrega a atuação mais consistente, porém muitas vezes peca no carisma. May Calamawy apresenta uma personagem que se mostra corajosa e fodona, mas acaba indo pelo mesmo caminho de Laia.
Verónica Falcón parece que está aqui só para ser o alívio cômico do filme, porém a personagem não convence em nenhum momento, e sua existência ao longo do filme não se justifica.
Para “presentear” os fãs de Evil Dead, ainda temos uma rápida participação de Lily Sullivan: se piscar, perdeu!

Considerações
Se você assistiu A Morte do Demônio: A Ascensão, já está preparado para o que é mostrado aqui. Lee Cronin não foge muito de toda aquela bizarrice e nojeira. Em alguns momentos, parece até que estamos assistindo a uma sequência desse filme.
A Maldição da Múmia não é o pior filme de terror de 2026, mas também não chega nem perto de ser um dos melhores. Com um elenco não muito chamativo, a produção meio que depende de si só. E não é que ela não se esforce, mas não traz nada de novo no gênero e acaba ficando a sensação de já ter visto essa história outra vez antes.
Inclusive, eles estão vendendo como “Do mesmo estúdio de Invocação do Mal”, e, se parar para pensar, o longa se encaixaria muito bem na franquia. Fico na dúvida se estou ficando velho e chato demais ou se já cheguei em uma fase em que assisti tanta coisa que nada mais me surpreende. Pelo menos pararam de divulgar novos projetos como “O mais assustador desde 'O Exorcista'”.


