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Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra é tão Black Mirror que joga no seguro

  • Foto do escritor: Marcos Silva
    Marcos Silva
  • há 9 horas
  • 3 min de leitura

A convite da Paris Filmes assistimos com exclusividade o novo filme do diretor da aclamada trilogia Piratas do Caribe e do clássico do terror O Chamado. O longa Boa Sorte, Divirta-se e Não Morra estreia nos cinemas brasileiros no dia 23 de abril de 2026. Vem conferir o que achamos.


Eu vim do futuro…

Um homem misterioso chega em uma lanchonete em Los Angeles armado com uma bomba e anuncia o fim do mundo – mas é totalmente ignorado. Disputando a atenção com os smartphones, ele então começa a recrutar à força um grupo de clientes para ajudá-lo a corrigir um enorme erro tecnológico.

Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra é tão Black Mirror que joga no seguro

Mesmo sem saber porquê, o grupo se reúne junto desse peculiar homem que parece ter alguma ideia do que está fazendo. Juntos as pessoas mais improváveis, cada um com sua motivação, saem na missão de tornar o planeta livre da maior ameaça de todas: a inteligência artificial.

É o fim da humanidade

O primeiro chamariz para o filme com certeza é o título. Algum conselho que claramente o Douglas Adams poderia imprimir em um dos seus livros. E acaba imprimindo bem a proposta do filme de ser excêntrico e peculiar em sua essência.

Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra é tão Black Mirror que joga no seguro

Estamos diante de uma nova onda de produções que estão querendo entrar na discussão sobre o uso da inteligência artificial e suas consequências para a humanidade. Nem todos serão sutis como o Vince Gilligan em Pluribus, ou mais plásticos como é o caso de Black Mirror. Este último até me faz pensar que talvez o longa tenha chegado um tanto atrasado nessa conversa.

Ao exacerbar certas críticas sociais às tecnologias que, nessa altura do campeonato, já foram feitas de maneira muito mais instigantes, o resultado fica meio óbvio e batido. O roteiro entra em um nível mais basilar também, composto por poucas surpresas e uma estrutura de road movie já conhecida. Perdi a conta de quantas vezes a palavra “celular” foi dita por algum personagem, nos seus inúmeros diálogos expositivos e gratuitos. Então, apesar do apelo mais excêntrico, o filme joga no seguro em todo momento em termos narrativos. Apesar disso, ele ainda guarda espaço para o playground do diretor.


Sabe aquele final emblemático de A substância que dividiu opiniões? Então, percebe-se que o longa toma um caminho similar em níveis de ameaça e conclusão. Não que aqui destoe muito da proposta inicial, mas ainda sim existe um preguiça “nível raio azul” para se despedir do longa no final.

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O brilho forte do filme fica na composição visual. A sequência inicial onde os takes de várias mãos vão contando uma história linear das pessoas na lanchonete (onde elas sempre terminam segurando um celular) é genial para introdução da narrativa. Outra sacada legal foi uma espécie de apocalipse zumbi, onde a ameaça é composta por um bando de adolescentes que não largam o smartphone. Para não dizer que não há nenhuma surpresa, existe um paradoxo temporal escondido na história que entrelaça os personagens de uma forma bem interessante.

E fora dos stories, você tá bem? 

No final, o longa se encontra em um ritmo tão frenético que tem fome de se encontrar. Em alguns momentos, ele lembra o frenesi de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Mas não demora até cair em clichês já conhecidos.


A indústria cinematográfica inteira está lutando contra o bichinho da “tecnologia do conforto”. A inteligência artificial – atalho rápido para ajudar as engrenagens da indústria a irem mais rápido – é uma resposta devastadora e ao mesmo tempo inevitável. Diante desse cenário, cada cineasta e artista irá reagir a esse fenômeno de uma maneira diferente – seja estando extremamente contra ou indo a favor dos seus interesses. Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra tomou a sua posição, e, apesar de basilar, ainda consegue entreter com o que se propõe.

Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra é tão Black Mirror que joga no seguro

Por mais "bobinho" que seja o longa, ele resgata um tipo de cinema que ficou adormecido por um tempo, mas que encontra cada vez mais um renascer: o besteirol. Aquele tipo de comédia despretensiosa que carrega um tipo de crítica. É irreverente , ácido e louquinho. Coeso até. Não deixa de ser bem vindo! Afinal diverte, mas não se aprofunda.


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