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100 Noites de Desejo é uma fábula com pouco encanto

  • Foto do escritor: Marcos Silva
    Marcos Silva
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Assistimos com exclusividade ao longa 100 Noites de Desejo, adaptação da obra de mesmo nome da quadrinista britânica Isabel Greenberg. O longa dirigido por Julia Jackman chega no dia 4 de junho de 2026 aos cinemas brasileiros. Aceita uma história? Vem ver o que achamos.


Me conte uma história

Em um mundo alternativo, acompanhamos a inocente Cherry que foi forçada a se casar com Jerome, na esperança de que tenham um herdeiro. Apesar da obrigação, Cherry se dedica o quanto pode para cumprir a sua função. O problema é que o seu par se recusa a passar tempo com ela.

100 Noites de Desejo é uma fábula com pouco encanto

Em um determinado momento, Jerome se ausenta para uma viagem de negócios, e deixa seu amigo, Manfred, na função de tomar conta da casa, deixando Cherry em uma situação desconfortável, uma vez que as intenções de Manfred são mais obscuras do que parece. 


Nessa situação, Cherry entra numa situação delicada, onde sua única alegria são as histórias contadas por Hero, sua dedicada criada. Ela se envolve numa complicada dinâmica enquanto se encanta com a afeição de Hero ao passo que tenta se esquivar dos sentimentos cativados pelo charmoso Manfred.

Quase fabuloso

Tem muita boa vontade no longa. Acredito que realmente tenha. Existe, por exemplo, na fotografia um tipo de inspiração em Wes Anderson acontecendo que funciona muito bem para o início da narrativa. Combina com o tom leve e descontraído para a apresentação dos personagens.


Logo no desenvolver, o tom ganha uma aura mais mística, onde somos apresentados aos mistérios que o longa se propõe. E nessa toada, o filme ganha cada vez mais camadas promissoras para se desenvolver nos seus personagens.

100 Noites de Desejo é uma fábula com pouco encanto

Quanto mais Maple tenta se esquivar de Manfred, mais a princesa encontra o encanto das histórias mágicas da sua… amiga. E é uma dinâmica de triângulo amoroso realmente interessante de se acompanhar. Porém…

99 noites e meia depois

O que surge além da narrativa e tenta dar alguma sustância a ela acaba não sendo o suficiente para um bom desfecho. Quando ela perde o seu lado mais despojado e divertido ela acaba dando um resultado piegas demais. 


100 Noites de Desejo é uma fábula com pouco encanto

O plot que liga Maple a uma espécie de feitiço no tempo é o viés da história e ao mesmo tempo o que atrapalha ele em termos de ritmo. Muito porque essa narrativa não é bem desenvolvida e não chega a lugar nenhum. Parece que só serviu para incrementar de alguma forma o filme.

E o resto é história

Os homens temem as mulheres que sabem ler e escrever, sejam elas bruxas, sejam elas livres. Foi talvez com essa frase autoral de Ana Paula Renault (me prove o contrário) que Julia Jackman decidiu se inspirar para trazer às telas a adaptação da HQ de Isabel Greenberg.


É um longa tão anacrônico quanto britânico possível. Nele, damos de cara com a Charli XCX dando vida a uma personagem. Emma Corrin como uma personagem silenciosa, quieta, mas instigante? Sim, mais uma vez. E a personificação da Lua interpretada por Felicity Jones? Richard Grant fazendo outra figura excêntrica? Claro que temos! É tão exageradamente óbvia que, claro, temos o Nicholas Galitzine como mais um charmoso príncipe cafajeste. Por quê não, né!


100 Noites de Desejo é uma fábula com pouco encanto

Em suma, 100 Noites de Desejo é um longa com início promissor, mas que vai se perdendo aos poucos na mensagem de preservação da história ou empoderamento feminino que tenta passar. Tenta se desprender do tempo, mas acaba caindo na própria armadilha. Então, se foi sonho ou não, me acorde, por favor!



©2019 por pippoca.

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