Yellow Cake mostra o potencial do cinema brasileiro
- Maria Tosin

- há 19 minutos
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Na abertura da 15ª edição do Olhar de Cinema conferimos a ficção científica brasileira “Yellow Cake”, exibida pela primeira vez no Brasil no festival. A produção deve chegar aos cinemas ainda em 2026, mas você já confere o que achamos do longa!

Acompanhamos um plano para erradicar o mortal mosquito Aedes Aegypti por um grupo de cientistas na cidade de Picuí, no sertão da Paraíba. O objetivo do projeto é esterilizar os bichos com o urânio extraído da região e assim impedir a disseminação da doença da dengue.
É interessante como o diretor e roteirista Tiago Melo consegue criar uma ficção científica completamente brasileira, como contou na coletiva de imprensa, para ele o mosquito da dengue é como “King Kong” é para os americanos, nosso monstro a ser combatido. Mas se engana quem acha que o diretor apenas criou um enredo a partir disso, nascido em Picuí ele já sabia do histórico de extração de urânio na região, inclusive já possui um curta-metragem sobre o tema, chamado “Urânio Picuí”, além disso, teve contato direto com a Fiocruz e mergulhou a fundo no Aedes Aegypti.

O filme entretém o espectador, extraindo boas risadas, principalmente por conta do elenco, que reúne moradores da região e figuras talentosas como Rejane Faria, conhecida por Marte Um e a amada Tânia Maria, já conhecida por seus trabalhos com Kléber Mendonça e que ganhou projeção mundial depois de O Agente Secreto. Yellow Cake nos convida a enxergar o cinema brasileiro de outro ângulo, mostrando que é possível sim explorar todos os gêneros e nem todos eles precisam ser levados tão a sério.
Confesso que me incomodou um pouco a curta duração do longa, o final apressado que deixou muitas pontas soltas em relação ao monstro que foi criado, apesar do cuidado com a pesquisa e a costura entre informações reais e enredo criado, tenho certeza que se houvesse um pouco mais de cuidado com o fechamento da história o filme teria outro tom.
O marketing do filme está de parabéns, acredito que será um filme que pode conquistar o público brasileiro e convencê-lo a ir até o cinema, vale a pena esperar para ver nas telonas e tirar suas próprias conclusões.


