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Supergirl é mais um filme de herói, mas podia ser tão mais

  • Foto do escritor: Marcos Silva
    Marcos Silva
  • 25 de jun.
  • 4 min de leitura

A convite da Warner Bros Pictures assistimos a uma das primeiras exibições mundiais de Supergirl! O novo filme que continua a expansão do novo universo DC chega aos cinemas brasileiros no dia 25 de junho de 2026. A seguir nossas impressões.

Supergirl é mais um filme de heroi, mas podia ser tão mais

A Mulher do Amanhã

Pelo material promocional e pelos trailers, era difícil não esperar uma energia bem próxima do que James Gunn fez em Guardiões da Galáxia. Existe essa promessa de uma aventura espacial cheia de personalidade, com uma trilha nostálgica, humor peculiar e uma heroína tentando encontrar seu espaço em meio ao caos do universo.


Nos primeiros minutos, o filme realmente compra essa ideia. Somos apresentados a Kara Zor-El, uma kryptoniana que viu seu planeta ser destruído e carregou desde cedo o peso de sobreviver a uma tragédia que ninguém ao seu redor consegue compreender completamente. Diferente do primo famoso, Kara não está em busca de esperança, ela só está cansada.

Supergirl é mais um filme de heroi, mas podia ser tão mais

Sem pertencer de verdade a nenhum lugar, ela passa a vagar por planetas onde o sol vermelho enfraquece seus poderes, tentando anestesiar o vazio com álcool e uma rotina sem muito propósito. 


Tudo muda quando ela cruza o caminho de Ruthye, uma jovem movida por vingança após perder sua família pelas mãos de Krem. Kara inicialmente não quer comprar essa briga, mas quando o mercenário ataca Krypto, a única companhia que ainda importa para ela, a situação muda completamente.


A partir daí, começa uma perseguição pelos confins da galáxia. Planeta após planeta, Kara precisa enfrentar inimigos, lidar com seus próprios fantasmas e descobrir se ainda existe dentro dela espaço para vestir novamente o símbolo de heroína.

O cachorro não!

Supergirl tem seus pontos fortes. O filme encontra um humor muito bem-vindo e aposta em um design de produção que entende o tamanho dessa aventura espacial. A caracterização dos aliens é um dos destaques, trazendo vida para esse universo. Algo que remete bastante ao cuidado visual que encontramos nas produções de Star Wars.


Outro ponto positivo é a trilha musical. Apesar de mais discreta, ela combina com a essência da personagem e ajuda a construir uma atmosfera própria para Kara. Também existe uma boa vontade no olhar do filme para a fotografia: o Sol está sempre presente, não só como um elemento visual, mas como uma lembrança constante da fonte de poder da heroína. Além disso, uma das primeiras grandes cenas de ação, dentro um ônibus espacial, entrega uma dinâmica interessante e traz um frescor bem-vindo ao longa.


Supergirl é mais um filme de heroi, mas podia ser tão mais

Milly Alcock está muito bem no papel. Ela consegue preencher Kara com várias nuances até onde o roteiro permite: raiva, frustração e a dor de não ter conseguido salvar seu planeta de origem. A atriz entrega um carisma magnético para uma protagonista cheia de falhas. Também vale destacar a participação de Jason Momoa como Lobo. Em seu retorno à DC, agora no personagem que parece feito sob medida para ele, o ator se diverte sem nenhum pudor interpretando uma versão ainda mais caótica de si mesmo. É uma participação breve, mas muito bem aproveitada.

Falta… um brilho

Porém, o filme carece de uma maturidade maior para conseguir completar tudo aquilo que promete. O roteiro acaba funcionando muito no automático, seguindo uma estrutura já bastante revisitada dentro do gênero. Existe uma boa energia em cena, mas são poucos os momentos que realmente empolgam ou deixam uma marca mais forte.

Supergirl é mais um filme de heroi, mas podia ser tão mais

A ideia de acompanhar uma Kara mais quebrada, distante e tentando redescobrir seu lugar no universo é uma premissa muito interessante. O problema é que o filme frequentemente troca esse aprofundamento por soluções mais fáceis. É importante para a personagem olhar para o Sol amarelo e recuperar sua força em um momento decisivo, mas quando essa mesma carta é usada repetidas vezes, o impacto vai diminuindo. Depois da terceira vez, fica a sensação de que Supergirl ainda está tentando descobrir qual filme quer ser.

O que aconteceu de errado?

Com tudo isso em consideração, fica a sensação de que Supergirl pode acabar sendo um dos filmes mais esquecíveis dessa nova fase da DC. Ele é divertido, tem boas ideias e entrega uma aventura espacial competente, mas seus temas poderiam ser muito mais aproveitados. No fim, faltou aquele elemento capaz de conectar a jornada da Kara com algo mais profundo e envolver emocionalmente o espectador.


Craig Gillespie é um diretor que já entregou trabalhos muito interessantes com personagens femininas fora da curva, como em Eu, Tonya, Pam & Tommy e Cruella. Por isso, existia uma expectativa de que ele encontrasse algo especial nessa versão de Kara. Mas, como acontece tantas vezes na indústria, nem sempre uma boa combinação no papel funciona da mesma forma na tela. 

Supergirl é mais um filme de heroi, mas podia ser tão mais

Supergirl acaba lembrando mais filmes como The Flash e Thor: Amor e Trovão do que algo realmente novo. E isso é uma pena porque a história toca, mesmo que de leve, em temas como o papel da mulher em um mundo dominado por figuras masculinas e o empoderamento feminino. Existe uma energia ali que poderia caminhar para algo mais próximo do que Cathy Yan fez em Aves de Rapina: uma visão mais caótica, estilizada e pessoal. Talvez uma diretora com uma abordagem diferente pudesse transformar esse potencial em algo ainda mais interessante.


Depois do começo promissor de Superman, o sucessor acaba ficando no meio termo. É uma aventura simpática, e nada mais que isso. Não teve nem Sol amarelo para salvar o resultado de ficar apenas morno. 


 


©2019 por pippoca.

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