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Coração Partido promete muito e entrega pouco

  • Foto do escritor: Nathália Correia
    Nathália Correia
  • há 12 horas
  • 3 min de leitura

A convite da Paris Filmes, assistimos com exclusividade a “Coração Partido” (Your Heart Will Be Broken), nova produção russa que estreia nos cinemas em 20 de agosto. Com apostas altas e um grande apelo dos fãs, trouxemos nossas opiniões sobre o filme para te deixar por dentro de tudo! Vem com a gente!


Coração Partido promete muito e entrega pouco

A era das adaptações


Dar vida às páginas de um livro (ou do seu kindle) nunca esteve tão em alta. Com fenômenos como “O Morro dos Ventos Uivantes”, “Duna” e “Off Campus”, e promessas tipo “Verity” e “A Hipótese do Amor”, a era das adaptações está mostrando que veio para ficar.


Anna Jane, pseudônimo para Anna Nikolaevna Potapkina, é uma autora bestseller russa que lidera o ranking de audiência no país. “Coração Partido” é baseado no livro homônimo, cujo nome original é Tvoe serdtse budet razbito. Publicado em 2025, a obra se tornou uma das mais populares da autora e foi lida online mais de 6,5 milhões de vezes segundo o jornal oficial do país, Rossiyskaya Gazeta.


O enredo gira em torno de Polina, uma adolescente que se muda de cidade e inicia em uma escola com alunos não tão receptivos assim. A menina se torna alvo de bullying e perseguição, até que Bars, o aluno misterioso e temido no colégio, oferece um acordo: ele a protege e ela obedece às suas ordens sem questionar. 


Expectativas: frustradas ou cumpridas?


O anúncio do filme gerou uma onda de expectativa nas redes sociais, mobilizando fãs da autora e desse subgênero literário envolvendo fake dating, romance e drama. Mas, diante de tantas emoções, para nós a sensação foi mais para um balde de água fria do que um quentinho no coração. 


Alerta, contém spoilers a seguir!


Coração Partido promete muito e entrega pouco

Enquanto fã de histórias com fake dating, bad boys lindos e sedutores, romance cheio de altos e baixos e adrenalina, a premissa de “Coração Partido” tinha tudo para dar certo. O elenco é dedicado, não faltam referências no gênero (After, Culpa Minha, Através da Minha Janela, etc), os cenários são bacanas e ajudam na ambientação da história. Logo no início do filme descobrimos que Polina se mudou para o apartamento em frente ao de Bars, permitindo que ela consiga observá-lo pela janela e alimentar o seu crush (e de todos nós rs). 


Ela está passando por uma mudança de vida após a morte do pai e tentando lidar com a nova figura masculina da casa, o namorado questionável da mãe. Em poucos minutos acontece o conflito e o primeiro encontro com o bad boy e o que se segue são sequências rápidas, mal construídas e exageradas, que não casam bem e ficam com cara de novela vertical do Instagram. 

O longa se apressa em situações que careciam de mais construções. Em poucos minutos, Polina briga com Bars, cai em uma emboscada do popular da turma, faz duas amigas e  dança BTS com elas, do nada, no meio de uma praça, briga com a abelha rainha da escola, perde as duas amigas e começa a ser perseguida e humilhada. Quando Bars a salva de uma onda de agressões e instaura o acordo, não há química entre eles e a expectativa de que isso seria construído ao longo da trama, para mim, não se concretizou. 


Há poucos momentos de interação entre eles até o romance florescer, parece não fazer sentido o porquê de gostarem um do outro. O primeiro beijo, que poderia até ser uma “jogada” do acordo, disfarçada de interesse real, acontece sem motivo algum, no meio da escola, na frente de todos. E, como exagero é a palavra-chave, Bars ativa o alarme de incêndio para tirar todos da sala e testemunharem o momento. Alguns podem gostar e sentir o frio na barriga, eu preferi cobrir o rosto com a almofada. 


As cenas são forçadas e jogadas, gerando aquela sensação de vergonha alheia e de um clichê mal construído que não cai bem mais

Os tempos mudam e os clichês também (deveriam)


O enredo tenta trazer pautas importantes que poderiam adicionar camadas e tornar o filme mais rico. Porém, tudo é tratado de forma superficial, sem cuidado e se perde na trama. Em uma época onde falamos tanto sobre empoderamento feminino, feminicídio e combate à violência contra a mulher e ao bullying, o cuidado é indispensável ao resgatar os clichês do badboy autoritário, da dependência emocional, do bullying e da violência. Ao final, a certeza é apenas uma: “Coração Partido” é um filme para dividir opiniões.


“Coração Partido” é uma promessa que não se cumpre por perder de vista uma noção que tem custado caro a algumas produções hoje em dia: o clichê funciona, agrada e deve ser utilizado, mas precisa ser desenvolvido e, assim como o tempo e os valores, atualizado.


©2019 por pippoca.

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