O Convite é afiado, engraçado e extremamente sagaz
- Maria Tosin
- há 7 horas
- 3 min de leitura
A convite da O2 Play Filmes, assistimos antecipadamente ao filme “O Convite”, que chega dia 9 de julho de 2026 nos cinemas, mas já conta com sessões antecipadas a partir do dia 2 de julho. Vem saber o que achamos!
O enredo

Em “O Convite” acompanhamos um jantar que sai do controle rumo a caminhos inesperados quando um casal convida seus vizinhos enigmáticos para uma visita. Se você está pensando que é um convite de ménage ou troca de casais, já pode saber que sim.
O roteiro
Ouvi alguns críticos que gosto muito dizendo que “O Convite” seria um dos melhores filmes do ano, sempre que vejo essa frase eu fico curiosa para saber se é só um hype imediato ou eles realmente tinham razão, e posso dizer que os críticos estavam quase 100% certos.
Em “O Convite” acompanhamos o casal Angela e Joe, casados há alguns anos, com uma filha e que um certo dia resolveram convidar os novos vizinhos, Pina e Hawk, para um jantar em seu apartamento para conhecê-los melhor, mas os vizinhos tinham um outro objetivo para a noite.
“O Convite” é um filme que se passa totalmente dentro de um mesmo apartamento de diferentes cômodos, no contexto de cenário já sabemos que para ser envolvente o roteiro deve ser muito bem escrito, os diálogos principalmente, e foi exatamente isso que Olivia Wilde nos deu.

O que vemos no filme é uma chuva de diálogos sem filtros, extremamente sinceros e que faz qualquer um se identificar. Conhecemos dois casais totalmente diferentes, um deles não faz sexo há um ano, não costuma receber visitas em casa, já o outro costuma fazer sex party e transar com várias pessoas, mas o mais incrível são as camadas que a diretora conseguiu inserir nesta situação, cada piada esconde um segredo, um trauma, escondemos muitas coisas por meio da comédia. Temos temas muito importantes em foco, como sexualidade feminina, maternidade, casamento e outros.
É por isso que a produção passeia pela comédia, drama e termina em um tom melancólico que deixa aberta a interpretação do espectador sobre as decisões tomadas ao final.
O elenco
A grande força de “O Convite” é com certeza o elenco, Seth Rogen foi a melhor peça de todo o jogo, conhecemos o ator por sua inteligência e capacidade de ser irônico, vimos muito isso na série “O Estúdio” em que ele é diretor, roteirista e ator, em “O Convite”, seu personagem e suas falas são uma mistura daquele Seth Rogen dos anos 2000, que é mestre nas cenas absurdas, com a sagacidade do ator de hoje, até esquecemos do seu personagem, temos a impressão de ser o próprio Seth Rogen naquela situação.
Como par romântico de Seth Rogen temos Olivia Wilde, que também é diretora do longa, ela entrega a energia daquela mulher que cansou de ser invisível e que só quer uma oportunidade de ser notada, com Seth Rogen eles são um bom contraste que funciona para o filme.

No papel de Pina temos Penélope Cruz, em outra situação eu não concordaria em vê-la no papel clichê de latina gostosona, mas em “O Convite”, essa foi uma escolha sensacional. Olivia trouxe as origens da atriz, ainda faz sua personagem falar algumas vezes em espanhol, sem que isso pareça forçado. Como par romântico de Penélope Cruz temos Edward Norton, sim, você deve conhecer ele de “O Clube da Luta”, apesar do ator não se aventurar na comédia há algum tempo, serve cenas hilárias.
Nosso veredito
Assistir “O Convite” nos faz lembrar daquilo que o cinema mais carece: premissas comuns, mas com roteiros inteligentes e diálogos diferenciados. Até mais de metade do filme você não consegue ficar um minuto sem dar boas risadas, mas isso não quer dizer que a produção não traz boas reflexões e não é capaz de emocionar, pelo contrário, ela faz isso com maestria. Podem ficar de olho, “O Convite” vai marcar presença no Oscar 2027 pelo menos em categorias como roteiro e elenco.