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Wellmania: o trabalho pede tempo

  • Foto do escritor: Nathália Correia
    Nathália Correia
  • 23 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Que dê o primeiro deslike a garota publicitária ou jornalista que nunca imaginou que construir uma carreira de sucesso seria fácil como nos filmes. Coquetéis glamourosos, jantares com famosos, uma crise aqui e acolá, mas sempre um final feliz. 


Dizem que a vida imita a arte, mas em alguns casos a vida adulta parece mais um pesadelo e o trabalho é o bicho papão. Recentemente descobri “Wellmania” na Netflix e é no meio dessas reflexões existenciais que vim indicar essa minissérie!

Wellmania: o trabalho pede tempo


A história


Liv é uma jornalista gastronômica em ascensão. Vivendo todo dia como se fosse o último, sua rotina está imersa em festas, bebidas e relações casuais. Durante uma viagem de volta para casa, na Austrália, a conta chega e o preço da curtição sai caro: Liv está com um grave problema de saúde e terá seu visto suspenso até a liberação médica. 

Com a oportunidade profissional que sempre desejou à sua espera nos Estados Unidos, ela fará de tudo, até os rituais mais bizarros, para melhorar e voltar para sua vida. Mas a dívida está longe de acabar.


Trabalho e o desespero de ser adulto


Wellmania: o trabalho pede tempo

Atenção: contém spoilers a seguir!


Para ser sincera, o roteiro é divertido e a série funciona bem como um passatempo, mas “Wellmania” dificilmente entraria para a minha lista de indicações se não fosse pelo retrato sincero e delicadamente brutal da vida adulta. 


Enquanto produções famosas trazem um olhar esperançoso e idealizado sobre o mercado de trabalho, a série vai na contramão e, sem abusar do drama, reflete sobre como o trabalho pode acabar com a sua vida enquanto te permite viver minimamente. Paradoxal, mas real e sincera, essa é a situação que grande parte das pessoas, especialmente considerando recortes de classe, gênero, idade e ramo profissional, enfrentam no processo diário de construção das suas carreiras. 

Se de um lado vemos atrizes correndo por uma Nova York glamourosa rodeada de críticos e perrengues de curta duração, Liv está por um triz. Não há descanso, a idade é sempre uma ameaça, o salário é importante para ter uma vida digna e nenhum erro é tolerado, caso contrário há sempre alguém pronto para substituí-la. É nesse mar de tensão que a protagonista, ainda que irritante, imatura e inconsequente em grande parte do tempo, se torna humana e conquista o espectador. Assim como nós, Liv tem um sonho e, a todo momento, a vida cobra o preço dessa escolha.


Parcelado ou à vista?


Se você pudesse escolher como lidar com as consequências de uma situação, passaria por tudo de uma vez ou enfrentaria aos poucos? 


Wellmania: o trabalho pede tempo

Chegar atrasada no trabalho, passar vergonha de tanto beber na festa da firma, faltar em eventos familiares, perder momentos com a melhor amiga e se afastar do próprio irmão foram apenas parcelas do estilo de vida que Liv escolheu seguir. Porém, é só quando a saúde é colocada em risco que a vida cobra tudo de uma vez, e a personagem se pergunta se o destino valeu a viagem. 


O que torna “Wellmania” uma produção diferente é a sua capacidade de se conectar com o público pelo simples e semelhante, como em um espelho, nos vemos na adulta desajeitada, fora do padrão de beleza, imatura e sem senso estilístico que apenas está tentando conquistar o seu lugar no mundo e ter uma vida digna e feliz. 

No fim, mais do que uma minissérie de comédia e entretenimento, “Wellmania” nos questiona sobre o preço do sucesso e reflete sobre a necessidade de estabelecer limites quando o trabalho pede tempo e a vida cobra.  


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