Natal Amargo... e também arrastado
- Maurício Neves

- há 2 dias
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Natal Amargo é o novo filme escrito e dirigido por Pedro Almodóvar. Incorporando elementos de autoficção, o longa é estrelado por Bárbara Lennie, Leonardo Sbaraglia, Aitana Sánchez-Gijón, Victoria Luengo, Patrick Criado, Milena Smit e Quim Gutiérrez.
O projeto teve a sua estreia no Festival de Cinema de Cannes de 2026, onde ganhou o Prêmio de Trilha Sonora de Cannes. Aqui no Brasil, ele chega aos cinemas nesta quinta, 28 de maio, com distribuição da Warner Bros. Pictures.
Fomos convidados pela distribuidora para assistir à produção antecipadamente, confira a seguir nossa opinião.

Enredo
Após a morte da mãe, a diretora comercial Elsa se dedica ao trabalho para lidar com isso. Quando uma enxaqueca a obriga a tirar uma pausa, ela decide viajar para Lanzarote durante o feriado prolongado do Dia da Constituição de 2004 com sua amiga Patricia, enquanto seu namorado (stripper e bombeiro Bonifacio) fica em Madri. Para retomar sua escrita criativa, ela vampiriza as misérias pessoais de seus amigos próximos. Em uma linha do tempo ambientada em 2025, a trama explora como o cineasta Raúl está escrevendo um roteiro que acaba sendo a história de Elsa, o alter ego de Raúl. Raúl está mergulhando na autoficção para superar um bloqueio criativo, e é influenciado por sua própria vida, seu namorado Santi e sua assistente Mónica.

Roteiro
O roteiro aposta em uma estrutura fragmentada e metalinguística ao acompanhar dois personagens que lidam com bloqueio criativo, transformando experiências pessoais em ficção, porém, em certos momentos, se perde em sua narrativa.
Os visuais e paletas de cores características de Almodóvar estão impecavelmente presentes ao longo do filme. As cores intensas e cenários estão cuidadosamente compostos.
Embora seja uma produção autêntica, falta um fluxo narrativo, que em muitos momentos acaba se tornando entediante. O longa se arrasta e nunca se desenvolve, assim como seus personagens, que não têm muita profundidade e acabam não criando um vínculo com o espectador.

Elenco
As atuações de Bárbara Lennie e Aitana Sánchez-Gijón sustentam a intensidade do filme, demonstrando naturalidade em transmitir emoções sem depender apenas de diálogos.
Já o desempenho de Leonardo Sbaraglia reforça as inseguranças do personagem, deixando ainda mais convincente a proposta do roteiro.
Os personagens parecem mais "ideias" do que pessoas, sendo mais uma reflexão do que indivíduos desenvolvidos.

Considerações
Almodóvar traz em Natal Amargo um roteiro corajoso e arriscado, porém com uma história não tão interessante e nem tão profunda quanto tenta ser. Em diversos momentos, o longa perde sua força e se torna monótono, distanciando o espectador.
Embora menos acessível, o projeto é mais experimental e também parece expandir pensamentos já trabalhados em projetos anteriores. É um longa que não está interessado em respostas, mas sim em expor feridas.


