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Ruas da Glória explora a busca de identidade nas noites do Rio de Janeiro

  • Foto do escritor: Marcos Silva
    Marcos Silva
  • há 5 horas
  • 3 min de leitura

Ruas da Glória é o novo longa do diretor Felipe Sholl, que fez parte do time de roteiristas do longa Manas. O filme que marcou presença no Festival do Rio em 2025 estreia nos cinemas brasileiros em 2 de abril de 2026. Confira a seguir as nossas impressões.


Sob o escuro da cidade

Na trama, acompanhamos Gabriel, que se muda para o Rio de Janeiro após a devastadora perda da avó. Entre o clima noturno da cidade, no Bar da Glória, ele acaba conhecendo Adriano, um garoto de programa que atrai a atenção do jovem. Ao se envolver com ele, Gabriel conhece o mundo perigoso e cheio de adrenalina das ruas noturnas.

Ruas da Glória explora a busca de identidade nas noites do Rio de Janeiro

Tudo muda quando Adriano desaparece de repente. Gabriel então inicia uma busca desesperada para descobrir o paradeiro de Adriano. Na esperança de encontrar o seu par, Gabriel se instala nas ruas perigosas do Rio de Janeiro tomado por uma busca frenética, que não só coloca sua vida em risco, mas vai lhe custar muito mais do que um elo perdido.

Atuações

O filme se sustenta por uma fundação muito bem estabelecida. Os pilares de Ruas da Glória são personagens que ganham corpo pelo trabalho de atuação da equipe. 


Do elenco, se destaca Diva Menner. A atriz, que recebeu o Troféu Redentor no Festival do Rio, interpreta Mônica, a dona do Bar da Glória. Ela funciona como um laço afetivo para o protagonista e, com poucas cenas, já estabelece uma personagem marcante, cheia de vivências e que crava, com força, sua presença.

Ruas da Glória explora a busca de identidade nas noites do Rio de Janeiro

Outro destaque é de Alejandro Claveaux que dá vida a Adriano. O ator já experiente tem um trabalho muito físico e que demandou bastante estudo para viver o complexo uruguaio que vai cruzar o caminho do protagonista. 


Caio Macedo se sai bem no filme como Gabriel. A fórmula do casal é explosiva e cheia de reagentes. O ator se entrega ao papel e dá ao protagonista camadas que saem para o lado do sutil e desencadeiam em um ritmo frenético e passional. Caio ganha um efeito magnético com a câmera do diretor Felipe Sholl.

Drama Contemporaneo 

O roteiro carrega na trama uma representação clássica da vivência marginalizada de pessoas da comunidade LGBT tentando se adequar e sobreviver como podem. Dentre o mundo da prostituição aos bares efervescentes, o filme se firma principalmente na relação conturbada do casal principal como tema chave.


Muitos momentos fazem o espectador se sentir impotente, olhando de perto e sem filtros uma relação que obviamente não conseguirá se sustentar. Porém em outros, existe uma implicância quase inevitável com o temperamento impulsivo do protagonista. Como um garoto viveu uma vida cheia de privilégios vai para um lugar sem recursos, essa falta de recorte acaba soando irritante na maioria das cenas.


Ruas da Glória explora a busca de identidade nas noites do Rio de Janeiro

É perceptível o quão pessoal parece ser a história para o diretor, que também assina o roteiro. A câmera do diretor tem a ambição de acompanhar de perto, muitas vezes buscando junto do protagonista qual direção seguir. O uso de cores neon nos ambientes internos, junto da contraposição das praias e do sol, dão sempre ao filme um aspecto de dualidade que está sempre junto dos personagens. Uma ideia simpática foi adicionar um diário de vídeos que o protagonista faz para a avó.


Algo que é impossível não notar é o quão a história parece asséptica e até de certa forma muito inclinada a um drama batido e com pouco envolvimento emocional por parte do espectador. Previsível até, eu diria. Ao abordar o papel das drogas e do sexo como preenchedor da lacuna de falta de afeto familiar, o longa parece mais interessado em punir cada vez mais o protagonista do que de fato se aprofundar em um tema que, ao mesmo tempo faz parte da vivencia noturna, mas também é elemento fácil de estereotipar a maioria das histórias contadas sobre a comunidade LGBT.

“Isso não vai dar certo…”

Ruas da Glória é um longa que reflete a vida das pessoas marginalizadas pela comunidade LGBT. É um drama sem romance, mas que poderia ter ido um pouco mais além ao explorar o desejo como combustível, mas que até encontra uma própria voz com a direção de Felipe Sholl.


Ruas da Glória explora a busca de identidade nas noites do Rio de Janeiro

Encontrar acolhimento e identidade em um ambiente distante de casa é um baita desafio. Apesar de já visto centenas de vezes em outros dramas cult, essa é ainda uma das principais lutas da quem é LGBT. Um ritmo cadenciado e bem controlado é um dos destaques do longa junto de uma mensagem de esperança como uma pequena fresta de luz no fim do túnel. Vale a pena conferir, mas não com tanta garra.


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