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Pânico 7: quando o terceiro ato mata o filme

  • Foto do escritor: Maurício Neves
    Maurício Neves
  • há 14 horas
  • 6 min de leitura

Pânico 7 marca o retorno da scream queen Neve Campbell como a final girl Sidney Prescott à franquia que deu início há 30 anos. Dirigido por Kevin Williamson a partir de um roteiro coescrito pelo mesmo com Guy Busick, por meio de uma história de James Vanderbilt e Busick, o elenco ainda conta com Courteney Cox, Jasmin Savoy Brown, Mason Gooding, Isabel May, entre outros grandes nomes.


Com as exibições já iniciadas nos cinemas brasileiros, fomos assistir à produção na sessão de pré-estreia realizada no IMAX. Confira a seguir nossas considerações.

Pânico 7: quando o terceiro ato mata o filme


Enredo

Um novo Ghostface surge para aterrorizar a vida de Sidney Prescott (Neve Campbell). O assassino chega à tranquila cidade onde Prescott cria sua filha, novo alvo do serial killer. Focada em proteger sua família, Sidney precisa enfrentar os horrores e traumas do passado para dar fim a essa perseguição.

Pânico 7: quando o terceiro ato mata o filme


Roteiro

Iniciando com a tradicional cena de abertura onde dois personagens sempre são assassinados, dando começo a um novo massacre do Ghostface. Retornamos pela terceira vez à icônica casa de um dos Ghostfaces originais, Stu Macher, onde aconteceram os assassinatos de 1996 e 2022. Toda a cena é bem trabalhada, trazendo várias referências tanto ao filme original quanto ao quinto longa, além de ser onde mais aparece a metalinguagem tão utilizada anteriormente na franquia. O maior problema é que o ocorrido aqui não interfere na história e quase não é comentado durante o restante do longa.


Já de começo é falado sobre rumores de que Stu pode ter sobrevivido após ter uma televisão jogada em sua cabeça — rumor levantado ao longo da franquia, e aqui com o próprio personagem aparecendo por meio de videochamadas com Sidney, fazendo a personagem duvidar se realmente o matou 30 anos atrás ou se só seria um deepfake. Como estamos na época em que a Inteligência Artificial está em alta, entendo que querem unir o útil ao agradável e trazer personagens que morreram em filmes anteriores para fazer uma grande homenagem, mas algumas dessas participações acabaram soando forçadas.


Após 5 filmes com Sidney lutando ao lado de amigos, dessa vez vemos ela querendo proteger sua família. Pela primeira vez presenciamos um lado diferente da personagem, e após tantos traumas, foi legal ver ela tentando uma nova vida e trabalhando em uma cafeteria. Sidney sempre foi reservada e discreta quanto aos massacres, sempre evitando aparecer na mídia, e não seria diferente com sua filha, que tenta a todo custo entender o que aconteceu em seu passado — o que acaba trazendo alguns conflitos na relação de ambas.


Acredito que aqui temos talvez um dos maiores elencos da franquia, e para desenvolver todos os personagens precisaríamos de pelo menos umas quatro horas de filme. Tirando Sidney e Tatum, o resto do elenco é tão mal aproveitado. Não tem como se importar com o elenco jovem, e suas mortes acabam não gerando impacto. Embora as mortes dessa sequência estejam realmente violentas e as perseguições de tirar o fôlego, nenhum personagem trouxe algo relevante para a história.


Nem mesmo temos a icônica cena que se repete em todos os filmes, onde um dos personagens (anteriormente Randy, Charlie, Robbie e Mindy) tenta ambientar o resto dos personagens sobre o que está acontecendo. Novamente temos Mindy tentando explicar ao público, porém dessa vez fomos cortados por Chad. Porém, como Kevin disse anteriormente, aqui o foco seria mais na relação familiar de Sidney e menos na metalinguagem.

Embora Sidney não tenha participado dos ataques acontecidos em Nova Iorque, eles são bastante comentados no desenvolver do filme, e também vemos que Gale sofreu consequências após o encontro que teve com Ghostface. Além disso, temos referências aos outros filmes, como a jaqueta que Tatum pega emprestada, anteriormente usada por Sidney na segunda sequência. Sem contar também citações a filmes dirigidos por Wes Craven, o diretor da quadrilogia.


Sobre a ambientação, Pine Grove é uma cidade que lembra bastante Woodsboro, e embora tenha a vibe tranquila e segura, dá para sentir o perigo iminente. E destaque para a cena de entrada de Gale: é a melhor cena do filme e nos prova por que a personagem é fodona!


Infelizmente, o longa chega a um terceiro ato tenebroso, com os piores ghostfaces da franquia e os piores motivos já dados até então. Parece que escolheram os assassinos no uni-duni-tê; não faz sentido nenhum com o que foi feito anteriormente na franquia, e toda a cena de revelação chega a ser vergonhosa e superficial. Pelo menos lembraram que, um dia, no passado, Sidney lançou um livro sobre seus traumas.


Pânico 7 não chega a ser o pior filme da franquia, mas o clímax estraga a experiência, deixando o resto do longa com uma imagem ruim. Fiquei com a sensação de que o filme estava incompleto; ainda estou sem acreditar que realmente assisti a esse terceiro ato.

Pânico 7: quando o terceiro ato mata o filme

Elenco

Como diz Kevin Williamson, não existe ninguém que conheça mais Sidney Prescott que a própria Neve Campbell; a atriz reprisa a personagem por 30 anos em seu sexto filme na franquia. Após um quinto filme com uma participação menor e um sexto filme com sua ausência, para um fã da franquia é incrível presenciar a atriz/personagem retomar o protagonismo que merece. Não é à toa que Sidney Prescott é uma das melhores final girls dos filmes de terror, e aqui ela novamente mostra por que essa coroa é dela e somente dela.


Por outro lado, é realmente triste ver o que fazem desde o sexto filme com Courteney Cox e a sua Gale Weathers, uma personagem que teve grande participação na resolução dos massacres ocorridos em Woodsboro (1996, 2011 e 2022), Ohio e Los Angeles, deixada totalmente de lado. Não dá para negar que Courteney brilha em cena, e Gale também é uma grande final girl, e precisamos futuramente de uma presença maior da personagem.


Jasmin Savoy Brown e Mason Gooding, que retornam após o quinto e sexto filmes, também têm participações que parecem mais por fanservice; seus personagens estão ali apenas para dizer que estão ali, totalmente desnecessários para a trama.

O retorno de Matthew Lillard, David Arquette e Scott Foley foi anunciado acompanhado de muita curiosidade dos fãs, pois seus personagens haviam morrido em filmes anteriores, e tirando a de Matthew, as restantes realmente não passaram de participações mal aproveitadas — com também o retorno de outra personagem morta anteriormente, que não foi vazada sua participação.


Isabel May é o novo rosto da franquia e interpreta Tatum, a filha de Sidney. É também ela que ganha o maior destaque após Neve. Anteriormente, Emma Roberts e Melissa Barrera tiveram a difícil missão de serem uma "nova" Sidney, e Isabel não faz mal; suas interações com Neve são boas. É muito interessante ver pela primeira vez Sidney nesse papel como mãe protetora, e Tatum tem tudo para se tornar uma final girl fodona como a mãe.


Joel McHale faz o marido de Sidney, Mark, que anteriormente, supostamente, era para ser Patrick Dempsey, que interpretou o outro Mark em Pânico 3. Embora com participação menor, sua interação com a nossa protagonista também é consistente, e o personagem mostra que faz de tudo para proteger sua família.


Anna Camp e Mckenna Grace têm carisma e é sempre ótimo acompanhar ambas em produções; pena que aqui suas personagens também são mal aproveitadas, assim como o resto do elenco adolescente: Asa Germann, Celeste O'Connor e Sam Rechner.

Pânico 7: quando o terceiro ato mata o filme


Considerações

Como um grande fã de anos da franquia, para mim é muito difícil escrever esse texto com imparcialidade. Entendo os erros, mas Pânico é uma franquia que me diverte até em seus momentos mais fracos.


Após todas as polêmicas por trás dos bastidores, com a demissão de Melissa Barrera, saída de Jenna Ortega e Christopher Landon, o filme ganhou novas expectativas com a notícia da volta de Neve Campbell após sua ausência no filme anterior, e também da contratação de Kevin Williamson na direção, o criador de todo o universo.


Pânico 7 pode ser considerado o filme que mais destoa na franquia. Na minha opinião, foi um erro deixar de lado a metalinguagem, ela é parte da franquia e fez ela ser o que é. Embora os outros filmes tenham as suas falhas, o resultado sempre é positivo. Porém, aqui fica a sensação de que o filme poderia ter sido muito mais, que Sidney Prescott merecia muito mais.

O filme tentou se prender à nostalgia, mas aproveitou tão mal seus personagens legados, que também ajudaram a construir essa franquia. Saí do cinema tão revoltado com o terceiro ato e senti que ele estragou totalmente o filme, e eu tava gostando do longa até chegar na parte da revelação dos assassinos.


Gosto muito da franquia, até mesmo do terceiro filme odiado por muitos. Mas agora, fico preocupado com o futuro: um oitavo filme já está em desenvolvimento. Talvez com o tempo a gente reavalie assim como aconteceu com o terceiro e quarto filmes?


É um filme que, mesmo com 114 minutos, muita informação nos é passada rapidamente. Por isso, ainda pretendo voltar ao cinema novamente essa semana para pegar detalhes anteriormente perdidos e, assim, quem sabe minha opinião sobre alguns acontecimentos mude.


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