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Medley: uma história de superação que se perde pelo caminho

Foto do escritor: Tatiana Lousada
Tatiana Lousada
há 13 horas
2 min de leitura

A convite da Sinny, assistimos antecipadamente a Medley, filme protagonizado por Mel Maia, que estreia no dia 29 de outubro. A produção acompanha uma adolescente de 16 anos, chamada Lola, que encontra na natação uma forma de lidar com os conflitos familiares e começar uma nova etapa da sua vida.

Medley: uma história de superação que se perde pelo caminho

A história apresenta uma jovem que vive com a mãe, mas cuja relação está longe de ser fácil. Desde que o pai foi embora, a comunicação entre as duas tornou-se cada vez mais difícil, deixando a protagonista numa situação de solidão e incompreensão. Depois de uma competição de natação, decide sair de casa para espairecer e refugiar-se em Salto Bonito, onde vive o tio.

É nesta pequena cidade que a sua vida começa a mudar. Por lá, conhece Gabriel, por quem acaba por se apaixonar, e encontra uma nova oportunidade de voltar a fazer aquilo de que gosta: nadar. Com experiência em competições, Lola chama a atenção do treinador local, que vê nela a peça que faltava para transformar a equipa de Salto Bonito, que há anos não consegue conquistar uma vitória.

Medley: uma história de superação que se perde pelo caminho

A natação acaba por funcionar como o fio condutor de uma narrativa sobre recomeços, relações familiares e a procura de um lugar no mundo. No entanto, apesar de partir de uma premissa com potencial, o filme nem sempre consegue desenvolver as suas ideias de forma convincente.


Mel Maia é, sem dúvida, um dos pontos fortes do filme. A atriz consegue dar presença à protagonista e sustentar boa parte da narrativa, tornando a sua personagem mais interessante de acompanhar. Em contrapartida, as restantes interpretações nem sempre apresentam a mesma naturalidade, o que acaba por prejudicar algumas cenas e diminuir o impacto emocional de determinados momentos.

O maior problema, porém, está no próprio argumento. A história introduz revelações dramáticas que poderiam acrescentar profundidade às personagens, mas que acabam por surgir de maneira abrupta e pouco trabalhada. Entre elas, está a morte do pai da protagonista, que morreu por suicídio sem que a filha soubesse o que realmente tinha acontecido. A mãe nunca lhe contou a verdade, e a revelação surge posteriormente num confronto entre as duas que carece de subtileza e desenvolvimento.


A situação torna-se ainda mais confusa quando vêm à tona questões relacionadas com a vida íntima do pai, incluindo um caso extraconjugal com o marido de uma amiga da mãe. Em vez de construir estas revelações gradualmente e explorar as suas consequências emocionais, o filme parece acumulá-las, criando uma sucessão de acontecimentos difíceis de encaixar de forma orgânica na narrativa.

Medley: uma história de superação que se perde pelo caminho

No fim, Medley tem elementos que poderiam resultar numa história emocionante, mas perde força ao tentar desenvolver tantos conflitos sem lhes dar o tempo necessário. A presença de Mel Maia ajuda a manter o interesse, e a natação oferece um ponto de partida interessante para abordar a superação e os novos começos. Ainda assim, as fragilidades do argumento e algumas atuações pouco convincentes impedem que o filme alcance todo o seu potencial.


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