• Arthur Ripka Barbosa

Eternos: bom ou ruim?


Depois de sair do cinema (e aproveito pra dizer como é bom fazer isso após sei lá quantas centenas de dias e 2 doses de vacina), fiquei pensando se deveria escrever um texto sobre Eternos, o mais novo lançamento da Marvel Studios. Então a Maria pediu que escrevesse, porque muitos de vocês querem entender o porquê esse filme não ser unânime entre os críticos, o que, de certa forma, é uma novidade quando falamos de Marvel. Particularmente, gostei muito do filme, mas não vou fazer uma crítica baseado no meu juízo de valor, vou fazer uma crítica naquilo que você deve levar em consideração quando for ver o filme, e portanto, não irei responder à questão do título.


Enredo

Pra começar, um breve resumo do filme. Criados pelos Celestiais, aos quais já fomos apresentados em Guardiões da Galáxia Vol. 2, os Eternos são seres capazes de manipular energia cósmica e que, como o próprio nome do filme já diz, são eternos. Com a ajuda de seus poderes únicos, Ikkaris (Richard Madden), Sersi (Gemma Chan), Ajak (Salma Hayek), Thena (Angelina Jolie), Duende (Lia McHugh), Phastos (Brian Tyree Henry), Kingo (Kumail Nanjiani), Makkari (Lauren Ridloff), Druig (Barry Keoghan) e Gilgamesh (Ma Dong-saeng), foram enviados à Terra pelo Celestial Arishem, com a missão de salvar os humanos dos Deviantes, outra raça criada pelos Celestiais e que saíram do seu controle. Mas, mesmo convivendo com os humanos e auxiliando na sua evolução, os Eternos não poderiam ajudá-los em conflitos próprios, ou seja, aqueles que não envolvessem os Deviantes.





É um filme filosófico

Pela sinopse já é possível perceber qual é o foco principal do filme: a relação entre os humanos e os Eternos. Essa relação vai ser baseada na crença humana de que os Eternos são forças divinas, sendo possível associar a imagem dos Eternos com mitos antigos que conhecemos, tal como o da deusa grega Atenas com a personagem de Thena. Porém essa crença faz com que os Eternos questionem suas funções para com os humanos, principalmente diante do fato de não intervir em seus conflitos. Isso faz com que o grupo também questione sua própria missão na Terra e, consequentemente, sua crença, sua religiosidade, nos Celestiais.


A maturidade crava os dois pés no MCU


A primeira vez que vimos questões sociais serem abordadas de forma mais contundente dentro dos filmes da Marvel foi em Pantera Negra, quando as questões raciais foram levantadas e serviram como reflexão dentro da narrativa do filme. Eternos avança neste tom mais realista ao trazer as questões filosóficas apresentadas no tópico anterior. Se esse filme apresenta pela primeira vez no MCU uma cena de sexo e de beijo LGBTQIA+, é porque é natural, não porque é algo forçado, feito para lacrar. São atos sociais inerentes à evolução humana, seja nas relações interpessoais ou como sociedade. Além disso, servem como ferramentas para humanizar os Eternos.




Seu ritmo é proposital


Muitas das críticas em torno do filme são sobre seu ritmo lento. Dirigido por Chloé Zhao, é de se esperar que o filme fosse assim, uma vez que a diretora vencedora do Oscar é conhecida por filmes desse tipo. Mas aqui este ritmo lento se faz necessário, uma vez que 10 personagens são apresentados e que as relações entre eles são os alicerces do filme. Seria impossível que o filme com tal densidade e que explora relações, não tivesse tivesse um ritmo mais lento. E a Fórmula Marvel está presente nele, o que tira sua monotonia. Vemos as cenas de humor - sendo natural, porém algumas vezes forçados - e as cenas de ação características da Marvel no seu decorrer.


Evolui ainda mais o MCU


Apesar disso ser óbvio por apresentar toda uma nova equipe no MCU, ele vai além e introduz a mitologia criadora/religião da Marvel, criada por Jack Kirby. As possibilidades que o seu final traz, bem como as 2 cenas pós-créditos, são imensas e podem fazer de Thanos apenas uma ameaça qualquer.





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