G-KZDPBHECNM
top of page

Digger: é preciso de coragem para fazer cinema em 2026

Foto do escritor: Maria Tosin
Maria Tosin
há 3 minutos
3 min de leitura

A convite da Warner Bros Pictures, assistimos antecipadamente ao novo filme de Alejandro González Iñárritu, estrelado por Tom Cruise e que chega aos cinemas no dia 1º de outubro. Vem saber o que achamos! 


O enredo 

Digger: é preciso de coragem para fazer cinema em 2026

Acompanhamos o homem mais poderoso do mundo. Digger é dono de uma empresa de petróleo, mas ele não liga muito para as pessoas e para o planeta, só para sua gata idosa e o dinheiro que cai na sua conta. Depois de um desastre envolvendo sua empresa, ele embarca em uma missão frenética para provar que é o salvador da humanidade.


O roteiro

Alejandro González Iñárritu tem um jeito único de fazer cinema; há quem ame seus filmes e há quem goste apenas de alguns, como é meu caso. Em Digger, arrisco dizer que é um de seus filmes mais corajosos, tratando-se da transformação dos personagens e de como pequenas decisões aparentemente banais podem desencadear consequências enormes.

Alejandro foi muito inteligente ao trazer um tema tão importante e, ao mesmo tempo, tão em alta para a narrativa: o aquecimento global, as catástrofes, a mãe natureza enfurecida. Infelizmente, é impossível observar o personagem Digger sem enxergar Donald Trump; temos a impressão de que o presidente dos EUA pensaria exatamente igual, ou melhor, pensa.


Com apenas 2 horas e 9 minutos de duração, o filme faz você rir das falas e pensamentos mais absurdos que envolvem homens brancos no poder; é literalmente rir da desgraça. Mas o diretor vai além. Se você pensa que vai acompanhar apenas a história de Digger, está enganado. Como fã de narrativas paralelas, Alejandro também explora isso, mas, respeitando o desejo do diretor, não darei mais detalhes. Aguarde um plot twist curioso que vai fazer qualquer um na sala de cinema se questionar: “Mas o que está acontecendo?”.


Digger: é preciso de coragem para fazer cinema em 2026

Outro ponto que não posso deixar de falar é em relação a trilha sonora, que ao meu ver me lembra muito as dos filmes de Yorgos Lanthimos, que causa estranheza de alguma forma, conversando com o visual do longa, que traz um pouco do fantástico, mas que não possui nem um resquício de cor ou saturação, o que pode incomodar um pouco quem assiste em uma tela de IMAX, por exemplo. 

O elenco 

O foco principal com certeza é em Tom Cruise, arrisco dizer que os atores que nunca ganharam o Oscar, mas sempre mereceram um, veem Alejandro González Iñárritu como uma espécie de Deus que trará a estatueta. Tom Cruise parece seguir os passos de Leonardo DiCaprio e pode ser que consiga o mesmo feito se Robert Pattinson não atrapalhar seu caminho, isso porque Digger é um personagem totalmente diferente de tudo que o ator já fez, extremamente complexo e com monólogos imensos. 


Digger: é preciso de coragem para fazer cinema em 2026

Gosto muito de Riz Ahmed no papel do cientista conselheiro indiano, ele arranca boas risadas do público. Desde O Som do Silêncio, seu talento fica em evidência. Sandra Hüller está trabalhando tanto quanto Jesse Plemons, apesar de não ter tanto tempo de tela, a atriz mostrou que veio para ficar e pode aparecer em mais de dois filmes no Oscar 2027. Fazia tempo que eu não via John Goodman em longas e que bom que Alejandro o trouxe de volta no papel do presidente. Parece que o filme “Fale Comigo” realmente rendeu bons frutos para Sophie Wilde, não posso dar mais detalhes sobre seu papel na trama, aguarde e verá.


Nosso veredito

Digger: é preciso de coragem para fazer cinema em 2026

Somos todos hipócritas? Digger é um filme corajoso, que nos faz rir ao mesmo tempo que nos faz pensar e talvez até agir. Alejandro González Iñárritu não trata o espectador como desprovido de inteligência, há diversos signos no filme, mas também há piadas diretas até demais, caso algum espectador não entenda sobre o que realmente ele quer chamar a atenção. Com certeza terá presença confirmada no Oscar 2027, a não ser que um certo presidente queira intervir. 


©2019 por pippoca.

bottom of page