Antártida mira na superprodução e esquece da protagonista

A convite da Paris Filmes, assistimos antecipadamente ao filme Antártida, nova produção brasileira e que estava entre as opções para representar o Brasil no Oscar 2027. O filme chega dia 17 de setembro nos cinemas. Vem saber o que achamos!
Enredo

Na Estação Comandante Diniz, na Antártida, a cientista Inês é vítima de uma violência. Isolados pelo frio extremo e sem possibilidade de resgate imediato, todos os homens da base se tornam suspeitos. A subcomandante Elisabeth, então, assume a difícil missão de investigar o ocorrido, enquanto as mulheres da estação se sentem acuadas e precisam se unir para enfrentar o medo, o silêncio e a violência.
Roteiro
Desde a primeira cena tive a impressão de que o roteiro tinha pressa, os acontecimentos principais já se iniciam nos primeiros minutos, inclusive o que vai ditar todo o roteiro que vem a seguir, o abuso sofrido por Inês, mas nesse ponto é compreensível a pressa. Conforme vemos a história se desenrolar é inegável a capacidade do roteiro de nos manter tensos e entretidos, a trilha sonora faz muito bem esse papel, mas logo muitos temas são inseridos na trama, como violência doméstica, luta por sobrevivência, justiça, solidariedade feminina, mas a sensação que fica é que não foi possível abordar nenhum tema de forma profunda, apenas superficial.
Na verdade o grande erro é que a partir de certo momento do filme esquecemos completamente da protagonista Inês, seu tempo de tela se reduz a quase zero e quem assume o comando é Elisabeth.
Apesar de certas falhas, o thriller psicológico entretem, principalmente por conta do elenco escolhido, que conta com uma boa sinergia, mas Antártida se assemelha mais a uma produção 100% americana do que a um filme brasileiro, e para mim nossa maior riqueza é nossa cultura.
O elenco

Não sou uma grande fã de Marina Ruy Barbosa e seu talento depende muitas vezes do personagem que ela interpreta, em Antártida ela faz um trabalho satisfatório, mas em situações de desespero e trauma o talento fica em falta. O grande destaque fica para o talento de Andrea Beltrão, que me surpreendeu no papel de Elisabeth, Leandra Leal e Lázaro Ramos também surpreendem e o conjunto da obra nos mostra que temos ótimos talentos brasileiros.
Nosso veredito
Antártida possui ótimos efeitos especiais, elevando o nível do Brasil nesse quesito, mas se assemelha muito a filmes americanos que trazem temáticas semelhantes. A produção cumpre seu papel de nos deixar vidrados na tela, mas depois de sair do cinema não vamos nos lembrar dessa produção.


