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Cara-de-Barro é melhor que Coringa

Foto do escritor: Maurício Neves
Maurício Neves
há 9 minutos
3 min de leitura

Baseado no personagem da DC Comics, Cara-de-Barro é dirigido por James Watkins a partir do roteiro de Mike Flanagan e Hossein Amini. Considerado o terceiro filme do Universo DC (DCU) e parte do Capítulo Um: Deuses e Monstros, conta com produção de Matt Reeves, Lynn Harris, James Gunn e Peter Safran. O longa é estrelado por Tom Rhys Harries, Naomi Ackie, David Dencik, Max Minghella e Eddie Marsan.


Com estreia marcada para hoje nos cinemas nacionais, fomos convidados pela Warner Bros. Pictures para assistir à produção antecipadamente. A seguir, nossa opinião.


Cara-de-Barro é melhor que Coringa

Enredo

Nascido nas ruas de Gotham City, Matt Hagen (Tom Rhys Harries) é um ator em ascensão e um grande galã que tem sua trajetória meteórica brutalmente destruída quando uma desavença com um chefe do crime local termina deixando seu rosto irreconhecível. Abandonado por empresários e sem nada a perder, Matt busca um tratamento estético radical e clandestino. Milagrosamente, a substância restaura sua antiga aparência física. No entanto, o procedimento traz efeitos colaterais devastadores que alteram sua estrutura celular e comprometem sua sanidade, transformando-o em um monstro feito de argila viva. Agora conhecido como Cara-de-Barro, o ex-astro retorna às ruas de Gotham para se vingar de todos que o destruíram.

Cara-de-Barro é melhor que Coringa

Roteiro

No mundo dos super-heróis, o terror já foi trabalhado antes em longas como Os Novos Mutantes (2020), a trilogia Blade (1998-2004) e Constantine (2005). Agora, com Cara-de-Barro, novamente o gênero é abordado, provando que pode ser uma boa combinação. Após os lançamentos de Superman (2025) e Supergirl (2026), é a vez de finalmente conhecermos um vilão desse universo.


No longa, Matt Hagen é um ator em ascensão, indicado ao Oscar, que, ao se envolver com a namorada de um mafioso, acaba sendo atacado e tendo o seu rosto desfigurado. Desesperado para recuperar sua vida, recorre a uma substância experimental que regenera os tecidos danificados. Porém, este tratamento causa uma transformação em que ele ganha a capacidade de assumir outras identidades.

Embora o longa mantenha aquela mesma estrutura de filme de super-herói, o roteiro consegue fazer com que a história não soe maçante. Por mais que o Cara-de-Barro seja um vilão do Batman, nem sempre o enredo tenta pintá-lo como um vilão, e em diversos momentos conseguimos simpatizar com o protagonista.


Apesar de, durante o filme, termos uma noção de como a história vai acabar, a expectativa é que o enredo tome outro rumo. O personagem é muito bem construído, assim como a vingança conduzida pelo mesmo.


Com 108 minutos, o filme tem um ritmo rápido, não dando tempo para sentir-se entediado. Ao contrário de Coringa, acredito que não há a necessidade de uma sequência futuramente. A produção funciona muito bem como um único filme.

Cara-de-Barro é melhor que Coringa

Elenco

Embora no início não tenha dado nada para Tom Rhys Harries, confesso que o ator foi me cativando conforme o passar do filme, entregando um ótimo protagonista.


Naomi Ackie nos mostra uma personagem fodona e destemida, com uma vibe Elizabeth Holmes. Ambos apresentam uma boa sintonia e entregam excelentes cenas.

Infelizmente, Max Minghella tem o personagem mais esquecível na história, apresentando um relacionamento estagnado e sem carisma com a personagem de Naomi.


O elenco não conta com grandes nomes atuais de Hollywood, o que também é algo bom e traz certo frescor à produção. Particularmente, estou cansado de ver filmes da DC e Marvel sempre com os mesmos atores.

Cara-de-Barro é melhor que Coringa

Considerações

Quem acompanha Mike Flanagan consegue pegar referências do seu trabalho, que cresce a cada ano. Ainda temos situações que lembram A Substância (2024) e A Mosca (1986).


Considerado o terceiro filme focado em um vilão do Batman, os anteriores sendo Mulher-Gato (2004) e Coringa (2019), Cara-de-Barro consegue ser um destaque em uma época em que os filmes da DC e Marvel têm sido mais do mesmo.


O ponto positivo aqui é que o projeto funciona sozinho, sem tentar trazer referências a outras produções da DC, servindo também para fãs de filmes de terror que não se interessam pelo universo.


Cara-de-Barro nos mostra que nem tudo está perdido no mundo dos super-heróis e que os roteiristas ainda conseguem oferecer algo interessante quando querem.


©2019 por pippoca.

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