Cara-de-Barro é melhor que Coringa

Baseado no personagem da DC Comics, Cara-de-Barro é dirigido por James Watkins a partir do roteiro de Mike Flanagan e Hossein Amini. Considerado o terceiro filme do Universo DC (DCU) e parte do Capítulo Um: Deuses e Monstros, conta com produção de Matt Reeves, Lynn Harris, James Gunn e Peter Safran. O longa é estrelado por Tom Rhys Harries, Naomi Ackie, David Dencik, Max Minghella e Eddie Marsan.
Com estreia marcada para hoje nos cinemas nacionais, fomos convidados pela Warner Bros. Pictures para assistir à produção antecipadamente. A seguir, nossa opinião.

Enredo
Nascido nas ruas de Gotham City, Matt Hagen (Tom Rhys Harries) é um ator em ascensão e um grande galã que tem sua trajetória meteórica brutalmente destruída quando uma desavença com um chefe do crime local termina deixando seu rosto irreconhecível. Abandonado por empresários e sem nada a perder, Matt busca um tratamento estético radical e clandestino. Milagrosamente, a substância restaura sua antiga aparência física. No entanto, o procedimento traz efeitos colaterais devastadores que alteram sua estrutura celular e comprometem sua sanidade, transformando-o em um monstro feito de argila viva. Agora conhecido como Cara-de-Barro, o ex-astro retorna às ruas de Gotham para se vingar de todos que o destruíram.

Roteiro
No mundo dos super-heróis, o terror já foi trabalhado antes em longas como Os Novos Mutantes (2020), a trilogia Blade (1998-2004) e Constantine (2005). Agora, com Cara-de-Barro, novamente o gênero é abordado, provando que pode ser uma boa combinação. Após os lançamentos de Superman (2025) e Supergirl (2026), é a vez de finalmente conhecermos um vilão desse universo.
No longa, Matt Hagen é um ator em ascensão, indicado ao Oscar, que, ao se envolver com a namorada de um mafioso, acaba sendo atacado e tendo o seu rosto desfigurado. Desesperado para recuperar sua vida, recorre a uma substância experimental que regenera os tecidos danificados. Porém, este tratamento causa uma transformação em que ele ganha a capacidade de assumir outras identidades.
Embora o longa mantenha aquela mesma estrutura de filme de super-herói, o roteiro consegue fazer com que a história não soe maçante. Por mais que o Cara-de-Barro seja um vilão do Batman, nem sempre o enredo tenta pintá-lo como um vilão, e em diversos momentos conseguimos simpatizar com o protagonista.
Apesar de, durante o filme, termos uma noção de como a história vai acabar, a expectativa é que o enredo tome outro rumo. O personagem é muito bem construído, assim como a vingança conduzida pelo mesmo.
Com 108 minutos, o filme tem um ritmo rápido, não dando tempo para sentir-se entediado. Ao contrário de Coringa, acredito que não há a necessidade de uma sequência futuramente. A produção funciona muito bem como um único filme.
Sinceramente, está cansativo assistir à história de heróis como Homem-Aranha, Batman e Superman com um novo elenco a cada 5 anos. É sempre excelente quando se arriscam criando filmes de personagens até então não tão conhecidos de um público que não consome tantas histórias em quadrinhos.

Elenco
Embora no início não tenha dado nada para Tom Rhys Harries, confesso que o ator foi me cativando conforme o passar do filme, entregando um ótimo protagonista.
Naomi Ackie nos mostra uma personagem fodona e destemida, com uma vibe Elizabeth Holmes. Ambos apresentam uma boa sintonia e entregam excelentes cenas.
Infelizmente, Max Minghella tem o personagem mais esquecível na história, apresentando um relacionamento estagnado e sem carisma com a personagem de Naomi.
O elenco não conta com grandes nomes atuais de Hollywood, o que também é algo bom e traz certo frescor à produção. Particularmente, estou cansado de ver filmes da DC e Marvel sempre com os mesmos atores.

Considerações
Quem acompanha Mike Flanagan consegue pegar referências do seu trabalho, que cresce a cada ano. Ainda temos situações que lembram A Substância (2024) e A Mosca (1986).
Considerado o terceiro filme focado em um vilão do Batman, os anteriores sendo Mulher-Gato (2004) e Coringa (2019), Cara-de-Barro consegue ser um destaque em uma época em que os filmes da DC e Marvel têm sido mais do mesmo.
O ponto positivo aqui é que o projeto funciona sozinho, sem tentar trazer referências a outras produções da DC, servindo também para fãs de filmes de terror que não se interessam pelo universo.
Cara-de-Barro nos mostra que nem tudo está perdido no mundo dos super-heróis e que os roteiristas ainda conseguem oferecer algo interessante quando querem.


