• Nathália Correia

5 motivos para assistir Drive My Car


Quem acompanhou o Oscar de 2022 viu que “Drive My Car” foi o primeiro filme japonês a ser indicado à categoria de Melhor Filme, além de ter levado o troféu de Melhor Filme Estrangeiro. A produção já está disponível em alguns cinemas brasileiros e no MUBI desde o dia 1º de Abril. Por isso, separei 5 motivos para te convencer a assistir essa obra prima do cinema nipônico.


1 - Olhar diferente sobre o luto e a perda

No filme, Yusuke, o protagonista, passa grande parte da história se esforçando para não encarar a realidade da morte de sua esposa e passar pela dor da perda. O filme traz uma abordagem diferente para o luto ao mostrar o peso que é não se permitir sentir essa emoção, evidenciando que a dor é importante pois é o que nos faz sentir vivos e é a partir dela que superamos o passado e conseguimos seguir em frente. Esse é um questionamento que vemos constantemente na obra: vale a pena evitar a dor para viver em um estado apático de negação?




2 - Reflexão sobre autoperdão

O que não falta hoje em dia são histórias que abordam o poder do perdão e a importância de desculpar o próximo como uma etapa do processo de superação. Assim, sempre somos ensinados a entender e às vezes até relevar os erros do outro, mas e o autoperdão, como aprender a se desculpar pelas próprias falhas? Esse tema é um tópico vital da trama, o processo de cura de dentro para fora, se compreendendo e se permitindo seguir em frente após os erros cometidos. No filme, Yusuke e Misaki estão estagnados em um processo de luto que se intensifica devido ao medo de encará-lo e se perdoar pelo passado. O longa mostra a inércia temporal de ambos, que, ao renegar o passado, ficam estagnados no presente e sem perspectiva de futuro.


3 - Poesia em forma de filme

“Drive My Car”, ao meu ver, é basicamente uma poesia em forma de filme. “Tio Vânia” é a peça da qual Yusuke fica encarregado de dirigir e é durante os ensaios com o elenco e nos momentos em que o diretor recita as falas em seu carro que ocorre a produção de sentido do longa. A peça casa com os acontecimentos da vida dos personagens, portanto, as falas contribuem para a construção de sentido e preenchem os espaços vazios que o próprio filme deixa. Tudo isso deixa a obra ainda mais bonita e profunda!



4 - Conhecer o cinema asiático

Há uma coisa que não podemos negar: o cinema asiático possui um ritmo diferente do que estamos acostumados, tendo como referência filmes ocidentais e norte-americanos. Esse tipo de roteiro, com ritmo mais lento e poucas reviravoltas, causa estranheza em quem está acostumado com um algo cheio de acontecimentos. No começo, esse ritmo devagar pode parecer cansativo, mas é o que nos conecta com os personagens e nos permite uma construção incrível do elenco. Assim, “Drive My Car” é uma grande oportunidade de se habituar com roteiros distintos, permitindo a espectadores de todo o mundo terem um olhar menos viciado ao conhecido e mais aberto a outras formas de produção.


5 - Inclusão e acessibilidade

Um tema importante que aparece no longa é a questão da inclusão, focando nos deficientes auditivos e pessoas mudas. Park Yoo-rim interpreta Lee Yoon-na, atriz que encenará a peça “Tio Vânia” e que é muda, se comunicando, portanto, pela linguagem de sinais. Um ponto muito positivo é o fato de que em nenhum momento a deficiência de Yoon-na foi colocada à prova e podemos ver os colegas de elenco aprendendo alguns sinais para se comunicar com ela, reforçando a importância de conhecer a Libras como forma de inclusão social.