Retiro Corporativo é mais um acerto em cheio de Jury Duty
- Marcos Silva

- 10 de abr.
- 2 min de leitura
A série de comédia, ou um experimento social, Jury Duty retorna no Prime Video nos mesmos moldes da primeira temporada, agora com novos personagens e um novo cenário. A seguir, nossas impressões.
Boas Vindas ao Rockin’ Grandma’s

Os oito novos episódios seguem uma pequena empresa fictícia, onde somente uma pessoa não é um ator: o recém-contratado Anthony, que precisa se enturmar em seu cargo temporário enquanto embarca com os colegas para um retiro corporativo de duas semanas, cheio de seminários e atividades das mais peculiares possíveis. O que ele não sabe é que, por trás de toda a loucura, há uma equipe de filmagem registrando cada passo.
Tanto em questão de roteiro quanto na operação que sustenta a ilusão da série, existe um capricho impressionante e uma irreverência em improvisar cada vez mais até o fim. Mesmo que os primeiros episódios pareçam um pouco mornos, há sempre pequenas interações plantadas ali que fazem diferença no desenrolar da temporada.
É impressionante o olhar afiado da equipe de Jury Duty para encontrar seu heroi da vez. Se na primeira temporada o meigo Ronald não desconfiou de nada, aqui Anthony exige um jogo de cintura ainda maior. Mais perspicaz e atento, ele poderia facilmente desmontar a farsa. Mas, conforme se envolve com os colegas e com a dinâmica do retiro, sua própria natureza fala mais alto: a de alguém genuinamente gentil, disposto a acolher e apoiar todos ao seu redor, sem julgamento.
Dinâmica de Equipe
O elenco que orbita essa dinâmica também merece destaque. A aposta em rostos menos conhecidos funciona bem. Blair Beeken, por exemplo, já apareceu em Hacks e fez uma pontinha em Pluribus. No retiro corporativo, ela é a Marjorie, a cativante dona do retiro de férias. Já Rachel Kaly, é comediante com experiência em animações adultas, ajuda a compor, Claire, a funcionária de home office que decide confraternizar com os colegas. Alex Bonifer, de Kevin Can F**k Himself, parece ser a persona mais reconhecível da sala, e se agarra no improviso como, Dougie Jr., o filho atrapalhado do dono da Rockin’ Grandma’s.

O roteiro dessa temporada aproxima ainda mais Jury Duty de sua maior inspiração, a icônica The Office. É uma sequência de constrangimentos deliciosos: pedido de casamento negado, o misterioso sumiço de uma caixa de Doritos, um show de talentos absolutamente caótico… O mais interessante é como tudo escala, e como a série nunca parece satisfeita em parar no primeiro nível do absurdo.
Um raio que caiu duas vezes!
O Retiro Corporativo de Jury Duty é uma experiência deliciosa de acompanhar, do começo ao fim. O elenco funciona, a estrutura se sustenta, mas o grande acerto continua sendo o seu heroi. O que fez dessa temporada especial foi Anthony, que comprou a ideia da empresa fictícia e cativou tanto os personagens como os atores, com uma bondade rara e desarmante.

Mesmo com os desafios logísticos e a crescente popularidade da série, que podem dificultar uma terceira temporada, fica a esperança de que consigam acertar esse raio mais uma vez. É uma daquelas experiências para acompanhar rindo alto, e terminar com um quentinho no coração!


