• Geovani Dias

Oscar 2020: análise de Adoráveis mulheres, Jojo Rabbit e O irlandês

Atualizado: Mar 25

Adoráveis mulheres (Greta Gerwig)

Em tempos onde a representatividade feminina no cinema ganha cada vez mais força – seja na escrita de roteiros ou na direção de filmes – esta é uma daquelas obras que jogam o nível lá pra cima e mostram o porquê. Adaptado pela sétima (!!!) vez para o cinema e baseado no livro Little Women de Louisa May Alcott, o filme conta a história das irmãs March durante e após a Guerra Civil americana. Com duas linhas de tempo diferentes, sendo a primeira durante a guerra – onde todas as irmãs vivem juntas – e com a segunda após a guerra, o filme busca entre a sua trama retratar as diferentes personalidades de cada uma das irmãs e ilustrar sua trajetória rumo a cada um de seus objetivos pessoais. O filme que tem como background histórico o século XIX aborda temas importantes como a pobreza, a falta de recursos daqueles envolvidos na guerra e principalmente o patriarcalismo imposto as mulheres no pós guerra – este último, sintetizado principalmente em Jo March e sua luta para virar uma escritora famosa em uma época onde apenas homens exerciam esta função.


Bold prediction: Indicado em seis categorias, Adoráveis Mulheres chega como azarão em todas elas. As melhores chances do filme sair com uma estatueta da cerimônia é nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Figurino.


Jojo Rabbit (Taika Waititi)

Em quase todas as edições do Oscar, existe um filme que recebe o carinho da academia e a rejeição popular. O desta edição foi Jojo Rabbit. Com uma nota de 7,5 nos agregadores o filme polarizou as opiniões populares e dos críticos. Com um roteiro adaptado, o filme conta a história de Johannes Betzler, um menino de 10 anos que vive na Alemanha Nazista durante a guerra e sonha em trabalhar na guarda pessoal de Hitler. Com seu pai tendo partido para a guerra logo nos primeiros anos, Jojo cria um Hitler imaginário para ajudar em suas situações cotidianas. A vida do pequeno Jojo muda quando ele descobre que sua mãe está escondendo Elsa Korr, uma adolescente judia no sótão de casa. O filme mistura humor e tragédia e tenta ilustrar de maneira cômica os últimos momentos da guerra, transformando o discurso nazista em sátiras e o próprio Hitler em um personagem lunático.


Bold prediction: Com seis indicações ao Oscar este é o filme mais difícil de se prever. Se o publico pareceu não gostar do filme, o peso de ser um filme produzido pela Fox e distribuído pela Disney pode pesar na hora da premiação. Especula-se muito que o filme possa levar Melhor Roteiro Adaptado, o que para mim seria extremamente injusto. A melhor menção que posso fazer aqui é Scarlett Johansson concorrendo a estatueta de melhor atriz secundária, apesar da derrota nesta categoria estar praticamente garantida, foi uma das poucas coisas que eu realmente aproveitei no filme.


O irlandês (Martin Scorsese)

Se eu consegui chegar até aqui sem dar nenhuma opinião polêmica sobre o Oscar – é provavelmente aqui que a gente se separa. Quando eu soube que um dos meus diretores favoritos estava fazendo um filme com alguns dos meus atores favoritos, eu não poderia ter ficado mais ansioso. Quando o filme saiu, a princípio, nem suas 3h30 de duração me fizeram desanimar. Resolvi assistir logo na estreia. Não queria perder aquela obra que a crítica se derretia. E para minha surpresa ....... eu não gostei. O filme em si conta a história de Frank Sheeran, um homem que passa de um simples motorista de caminhão para um assassino a ordem da máfia do dia para a noite. Já velho, Frank começa refletir sobre as ações que tomou durante sua vida e narrar sua história. O filme em si é um suco de Scorsese, em todas as formas. Além do aclamado padrão de filme de máfia, ele traz um backgroud da história norte americana muito boa e mistura elementos reais - como a morte do Kennedy - com elementos fictícios.


O meu grande problema com o filme foi o ritmo e o que foi pedido para os atores. Se por um lado, o filme não tem cenas excessivas, por outro, ele se torna pesado para se assistir. As três horas e meia parecem em muitos momentos se tornarem dez. E a escolha dos atores contribui demais para isso. Apesar de renomados e grandes atores, a história pedia atores mais jovens. Mesmo com todo o processo tecnológico de rejuvenescimento, as cenas de violência acabam se tornando fora da pedida para os já sexagenários De Niro e Al Pacino. O filme recebeu uma grande nota da critica nos sites especializados e mesmo que eu não tenha gostado, imagino que vá ser um grande nome para a premiação.


Bold prediction: O Irlandês é um daqueles filmes que contém a receita de sucesso para a academia: diretor renomado, elenco renomado e custo milionário então não pode ser descartado logo de cara. Indicado em nove categorias, é difícil prever quais os prêmios o filme irá levar no final da noite. Tendo perdido em todas as categorias indicadas em premiações anteriores (venceu apenas melhor elenco no Critics’ Choice) o filme ainda corre por fora nos maiores prêmios e corre o risco de terminar a noite sem levar nenhuma estatueta.

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