Cavaleiro dos Sete Reinos é mais do que só o lado B de Game Of Thrones
- Marcos Silva

- há 1 dia
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Durante o tempo que estava no ar, acompanhamos Game Of Thrones sempre em uma perspectiva mais ampla, mais larga, mirando nas casas de maiores renomes do reino. Sabe aquela curiosidade de acompanhar como aquele pequeno cara segurando as rédeas de um cavalo deve viver? O Cavaleiro dos Sete Reinos é aquela lupa no mapa de Westeros que vai pegar um pequeno pontinho e ampliar para uma história épica, nos seus próprios moldes.

Cavaleiro Errante
Tem muito humor na série. Aquele descarado, embaraçoso e com timing de edição na medida certa. A composição do elenco casa de maneira harmônica, ajudando a construir a ambientação do universo através das histórias de cada personagem que entra em tela.
Entre eles, os destaques são Daniel Ings, como o bon vivant Sir Lyonel Baratheon; Bertie Carvel como o nobre Baelor Targaryen e o consagrado Danny Webb que empresta o seu talento como o Sir Arlan of Pennytree, a “figura paterna” mais improvável do protagonista.

Falando em protagonismo, a dupla dinâmica também consegue sustentar bem o show. O Peter Claffey tem a capacidade de transmitir para Dunk uma personalidade atrapalhada, adorável, cheia de honra e quase infantil. Já o mini divo, Dexter Sol Ansell, também dá ao Egg essas características, além de uma energética impetulância, que só mais para frente descobriremos os motivos. Essa irmandade que se desenvolve ao longo da temporada é o tempero da série.
Roteiro e desconstrução de mundo
O roteiro também funciona como nunca. Claro, ter a benção e as palavras de George R. R. Martin faz toda a diferença para encontrar uma linha narrativa que funciona nesse universo. Mas existe um mérito da equipe de roteiristas em agrupar diálogos que se fazem fluidos como um rio para engajar o espectador a ir fundo episódio por episódio.

Parar no meio do maior episódio da série para voltar no tempo em um flashback parece ser a pior decisão possível na teoria. Mas Ira Parker, o criador e roteirista principal, tinha um plano em mente: criar ainda mais vínculo emocional com o protagonista Dunk. Uma construção tão bem feita, que quem ainda não comprou a história não teve opção a não ser dar o braço a torcer.
Deixaram a musiquinha para o melhor
Episódio cinco, Em Nome da Mãe. Fazia tempos que um episódio de Game Of Thrones arrancava todos os sentimentos possíveis. Aquela sensação de estar dentro do embate. O tipo de tensão que te prende no presente e faz, finalmente, se esquecer do celular. E de quebra, lembra o quão esse universo é poderoso.
Esse episódio em especial utiliza todos os elementos em jogo — rivalidades, expectativas sociais, hierarquias, vínculos — para criar um frenesi emocional que cresce até o último momento. E te derruba no final.

O que começa como um torneio regional rapidamente se transforma em algo muito maior. A série soube dosar o tom de comédia que construiu ao longo da temporada com o clássico episódio épico que define Westeros: drama crescente, tensão política, decisões impulsivas e consequências inevitáveis.
Não era mais sobre vencer uma disputa. Era sobre honra, orgulho e sobrevivência. O episódio utiliza todos os elementos em jogo — rivalidades, expectativas sociais, hierarquias — para criar um frenesi emocional que cresce até o último momento.
O protagonista perfeito
Sir Duncan não veio de lugar nenhum. E talvez por isso soubesse que sua alma pedia por mais.
Ao longo da temporada, ele não só participou dos acontecimentos como alterou o ambiente ao seu redor. Mudou as percepções. Provocou tensões. Desafiou estruturas. Ele não vem de família nobre, nem tem nome histórico para sustentar suas escolhas. O que ele tem é convicção. E um sonho.

Um garoto que não tinha nada a perder, mas que desejava se tornar maior do que jamais foi — e isso vai muito além da sua altura física. Sua grandeza nasce da crença inabalável de que pode ser melhor do que o lugar que o mundo reservou para ele.
O Cavaleiro dos Sete Reinos se mostra poderosa por conta de elementos como esse. Serve como uma excelente porta de entrada para o universo de Gelo e Fogo, sem a necessidade de decorar tantos “Aegons” e “Damons”, e casas nobres e gigantes. Por conta da duração e quantidade de episódios, é uma maratona tranquila, amigável e muito divertida. Além disso, se torna um respiro novo para os fãs de longa data da série.



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