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  • Arthur Ripka Barbosa

Andor: o realismo cru que faltava para Star Wars


Quando falamos de Star Wars, as metáforas sobre democracia x fascismo são mais que evidentes. Porém, quase sempre, elas se atêm ao embate entre os Jedi e Sith e uma disputa quase caricata entre os Rebeldes e o Império/Primeira Ordem (leia-se batalha de naves aqui). Essa lógica, entretanto, já havia sido quebrada quando Tony Gilroy criou Rogue One e trouxe um pouco dos “bastidores” dessa luta, ao colocar Jin Erso (Felicity Jones) e Cassian Andor (Diego Luna) na busca do projeto da Estrela da Morte, o que desencadearia todo o Episódio IV. Ao trazer o Andor de volta, dessa vez como protagonista da história, Gilroy consegue aprofundar ainda mais esse lado e nos presenteia com uma das melhores séries de toda a cultura pop.


A história

Diferentemente de quase todas as séries atuais, Andor divide sua narrativa em 4 mini-arcos, o que quebra a linearidade da história, apesar de todas elas serem cronologicamente consequentes. Mas, de forma geral, a história se passa ao redor de Cassian Andor, que na busca por sua irmã, acaba matando oficiais da polícia de Morlana 1. Na tentativa de escapar da prisão, ele é ajudado por Luthen Rael (Stellan Skarsgard), que o recruta para uma missão rebelde.


A parte técnica

Por ser uma série mais pé no chão, Andor não exige tanto CGI como as produções de Star Wars, mas nos momentos em que é exigido, a qualidade não deixa a desejar, trazendo, inclusive, algumas das melhores cenas estéticas e de batalha de naves que todo Star Wars já teve. Outro ponto forte são as atuações nos mais diversos arcos, que só elevam ainda mais o nível da série e dificilmente é possível citar alguma que ficou mais abaixo, mas destaca-se as atuações de Stellan Skarsgard, Fiona Shaw como Maarva, Andy Serkis como Kino Loy e Genevieve O’Reilly como Mon Mothma.


O roteiro

Justamente por apresentar a história em mini-arcos, o roteiro de Andor é o ponto forte da série, pois impede que ele se arraste e utilize de recursos repetitivos ao longo da série. Este elemento nos possibilita enxergar como e porque Andor se torna - de uma forma até arrastada para os padrões das produções atuais - cada vez mais o rebelde que conhecemos em Rogue One. Além disso, o roteiro também é forte nas histórias secundárias da série, nas quais vemos, por exemplo os lados políticos tanto dessa rebelião que está surgindo com o arco da excelente Mon Mothma, quanto do Império, mostrado no arco de Dedra Meero (Denise Gough). Este roteiro é tão bom que ele consegue te fazer ficar com o coração partido com um robô em luto.

O realismo cru

Porém, um elemento do roteiro merece um tópico especial: a realidade que ele traz. Como disse anteriormente, Andor quebra com a fantasia do universo de Star Wars e traz a disputa Império x Rebelião para o cotidiano dele. Aqui não vemos Jedi, Sith, mitologia da força. Nós vemos pessoas reais e suas falhas (personagens cinzas, num termo mais técnico) tentando combater e sobreviver ao regime fascista do Império e renunciando diversas coisas para que sua liberdade não seja tolhida, tanto no sentido figurado, quanto no literal, como vemos no arco da prisão. Isso, inclusive, é exposto por Luthen ao final do 10º episódio, num dos melhores discursos de todos os Star Wars. E vai além ao trazer o lado político, seja com Mon Mothma, que nos mostra os bastidores do jogo de poder do Senado, quanto às aspirações envolvendo os agentes do Império, que estão em constante batalha interna para mostrar mais eficiência.


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