• Arthur Ripka Barbosa

O que achamos de O Livro de Boba Fett?

Atualizado: 6 de abr.


Quando a Disney/Lucas Filmes anunciaram, ao final da 2ª temporada de "Mandaloriano", uma série do Boba Fett, minha única reação foi “Pra que vão fazer isso?”. A verdade é que nunca entendi o hype que o personagem possui entre os fãs de Star Wars, já que na trilogia original ele não trouxe muita coisa, não teve muita fala e nem mesmo muito tempo de tela (pesquisei aqui e foram exatamente 6:32 minutos). Ok que a trilogia prequela tenta ajudar no seu desenvolvimento, ao mostrar a sua relação com o seu pai Jango Fett, mas também não passa muito disse. Mas bem, ao terminar “O Livro de Boba Fett” a minha reação foi “Pra que fizeram isso?” e a seguir irei falar o porque.


Roteiro mais atrapalha do que ajuda

A série começa com Boba Fett (Temuera Morrison) se regenerando no seu tanque de bacta e então ela corta pra flashbacks de como ele sobreviveu ao ser ingerido por um Sarlacc e recriando uma cena profetizada por Pat Oswalt em Parks n’ Recreation. Então ele volta para os momentos atuais, onde vemos ele e Fennec Shand (Ming-Na Wen), sua braço direito, tentando se estabelecer como um dos líderes de Mos Eisley. Essa estrutura de utilizar flashbacks alternando com o presente se repete nos 4 primeiros episódios e evidencia como o roteiro não soube evoluir a história na linha atual. Além disso, o roteiro possui diálogos fracos, muitas vezes clichês de filme de máfia (que é para isso que a série avança) e que forçam relações que deveriam ser naturais.




Caracterização dos personagens, atuações e direção também deixam a desejar

Star Wars é uma franquia marcada pela inovação nos efeitos práticos e caracterização dos personagens na trilogia original e no uso quase pioneiro de CGI na prequela. Esse espírito foi levado para “Mandaloriano”, com a criação de novas tecnologias que substituem o chroma key. Porém, Boba Fett vai na contramão e traz caracterizações pobres, quase cartunescas (no pior sentido da palavra) e que parecem estar em desacordo com tudo o que já foi apresentado na franquia. Para piorar, as atuações não ajudam, muito pelo roteiro como já citado, e que não transmitem veracidade ao texto. A direção é simplória, não dando profundidade ao que o espectador vê, principalmente nas cenas de ações, que foram muito mal coreografadas, tendo um resultado tosco, além do CGI ser mal finalizado na maioria das cenas.


Os flashbacks são a melhor parte da história do Boba Fett

O melhor desenvolvimento de personagem que a série dá ao Boba Fett aconteceu ao trazer toda a história de como ele sobreviveu à ingestão do Sarlacc até chegar ao posto de líder de Mos Eisley pelos flashbacks. Neles vemos muito de como funcionam as relações políticas de Tatooine, além de se aprofundar na cultura dos Tuskens, que quase sempre foram tratados como um povo marginalizado na franquia. É nesse momento também que há uma maior preocupação com a direção, sendo a cena em que Boba é aceito como um Tusken, uma das mais bonitas e fortes da série.



O maior problema é a maior qualidade da série

Isso pode soar contraditório, e realmente é. Tudo o que falei até aqui, referem-se aos 4 primeiros episódios e sua season finale. O que acontece no episódio 5 e 6 é que Dave Filoni e Jon Favreau nos deram um presente com o retorno do Din Djarin, o nosso querido Mando (Pedro Pascal), e consecutivamente, a volta do Grogu, mais conhecido como Baby Yoda. Esses episódios aprofundam a mitologia de Star Wars, quando vemos, por exemplo, a escola jedi do Luke, que foi introduzida em Os Últimos Jedi, sendo construída e a Ahsoka Tano interagindo com Luke e falando das similaridades dele com o pai, Anakin, que fora mestre dela, como vimos em Clone Wars. Os episódios também avançam na mitologia do Mandaloriano, quando vemos ele usando o Sabre Negro e rápidos vislumbres da queda de Mandalore. E é com o Mando que a série brilha e tem seu ápice, não com aquele que deveria ser o protagonista da série.


A série é um filler de Mandaloriano, e ok

Ao final de toda a série, deu pra perceber que ela é somente um desvio na estrada para a terceira temporada de Mandaloriano, e por isso é possível relevar grande parte dos erros dela. Claro que avança na mitologia do Boba Fett, principalmente ao dar um desfecho de sua relação com Cad Bane (Corey Bane), o que foi trazido das séries animadas. Mas o mais relevante é que ao final dela temos Din Djarin e Grogu reunidos novamente, após o Baby Yoda escolher seguir com o Mando ao invés dos ensinamentos jedi de Luke, e também temos o Mando não sendo mais considerado um mandaloriano por descumprir as leis, mas sendo o rei de Mandalore por possuir o Sabre Negro.





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