• Arthur Ripka Barbosa

O que achamos de Homem-Aranha Sem Volta para Casa

Atualizado: 6 de abr.


Foram precisos 2 filmes próprios e participação em outros 3 para que o Marvel Studios finalmente tivesse o seu Homem-Aranha. Sem Volta para Casa é o evento máximo do Teioso no cinema, assim como Ultimato foi para o MCU, mas ele também tem o peso que Guerra Infinita trouxe, pois suas consequências vão estar muito presentes nos futuros filmes da Marvel. E com isso ela entrega um dos seus melhores filmes e um dos melhores do Homem-Aranha já feito. A seguir vou explicar tudo isso, destacando o que faz desse filme tão bom, mas também destacando algumas coisas que não se saíram tão bem, obviamente, com spoilers.





A jornada de amadurecimento do Peter Parker

Em todo MCU, o Peter Parker (Tom Holland), é um jovem que, apesar de ter boas intenções em seus atos, sempre acaba por tornar as coisas piores pra ele mesmo, e que por muitas vezes contava com a ajuda de outras pessoas para consertar a sua bagunça, principalmente o Tony Stark (Robert Downey Jr.). Em Sem Volta para Casa, essa lógica finalmente é quebrada, pois apesar do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) e os Aranhas de Tobey Maguire e Andrew Garfield aparecerem, ele é quem deve resolver a situação dos vilões, seja tentando curá-los daquilo que o fizeram vilões ou então mandá-los de volta para seus universos, ou então liderando os Aranhas na batalha na Estátua da Liberdade.


O amadurecimento é também causado porque finalmente vemos o trauma da perda de alguém após ouvir “com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, que nesse caso é personificado na Tia May (Marisa Tomei), além de ser nítido no desfecho do filme, quando ele pede ao Doutor Estranho que todos, incluindo seus amigos, esqueçam de quem ele é.


As atuações estão muito boas

A química entre Tom Holland, Zendaya e Jacob Batalon está no auge neste filme. Todas as cenas em que eles compartilham a tela flui com naturalidade e transporta a amizade do mundo real para dentro do filme. Já Marisa Tomei entrega a melhor versão da Tia May - por todo o arco dramático já citado, além de ser quem orienta o Peter a fazer o bem independente a quem - e dá uma sutileza à personagem e à relação com Peter que não havia sido explorada antes. Alfred Molina, Jamie Foxx e, principalmente Willem Dafoe, entregam atuações profundas para o seus personagem, ao ponto que feições e vozes mudam quando são curados ou estão sãos.



A interação entre os Aranhas

A aparição dos 3 Homens-Aranhas era a grande expectativa entre os fãs, e ela foi devidamente atendida. Tobey Maguire e Andrew Garfield reprisam as suas versões, trazendo as minúcias de cada uma pro MCU. A interação entre os 3 Peters é espetacular, pois os atores parecem celebrar o personagem e se permitem recriar diversos memes do Aranha.


Mas a relação deles também faz cada versão evoluir como personagem. Enquanto o de Tobey é o mais experiente e já está tranquilo com o fato de ser o Teioso, o de Andrew é aquele que ainda sofre com o fardo do personagem e o de Holland é o que está aprendendo a ser. As interações mostram cada um guiando e apoiando (sendo meta, inclusive) o outro.


A evolução do MCU

Ao final do filme vemos o Peter Parker sendo o Homem-Aranha clássico, saindo da comodidade do Queens para morar no aperto de Manhattan e tendo que costurar seu próprio uniforme, sem que ninguém saiba quem ele é, o que funciona como um reboot dentro do MCU, e que o torna essa versão do personagem no Homem-Aranha de fato. Além disso, o filme é responsável por introduzir o Matt Murdock/Demolidor de Charlie Cox nesse universo, ao ser contratado por Peter para defendê-lo das acusações de assassinato do Mysterio.



Pontos fracos: furo de roteiro e algum dos vilões

Mas nem tudo são flores nesse filme. Alguns vilões, como o Lagarto (Rhis Ifans) e o Homem-Areia (Thomas Haden Church) tem pouco tempo de tela, motivações fracas ou nulas, além do CGI ser fraco em relação aos demais. Mas o principal ponto fraco é justamente o final que justifica o reboot. Em uma das cenas que mostra que o Peter de fato foi esquecido pelo mundo, vemos J.J Jameson no Clarim Diário delatando as ações do Aranha sem saber quem ele é. Isso dá a entender que todas as notícias, registros pessoais com o Peter, documentos oficiais sumiram, apagando o Peter da existência de tudo.