• Arthur Ripka Barbosa

Os Segredos de Dumbledore é uma volta à magia e nada muito além


Harry Potter é, sem sombra de dúvidas, um marco cultural do século XXI. Seus livros e filmes criaram uma legião de fãs apaixonados pelo universo mágico criado por J.K. Rolling e o anúncio dos filmes de Animais Fantásticos (que originalmente era uma trilogia e então foi ampliada para 5 filmes) fez seus fãs reviverem todo ele. Com críticas mornas e mistas, seus dois primeiros filmes deram somente um gosto daquilo que fez seus fãs se apaixonarem. Agora com a chegada de Os Segredos de Dumbledore, será que muita coisa mudou? Confira a seguir.

A magia está de volta

Se nos filmes anteriores havia pequenas doses das magias que conhecemos na série original, aqui vemos a magia sendo usada de fato. O fato de Dumbledore assumir um protagonismo na trama ajuda muito, pois estamos falando do maior bruxo desse universo, mas vemos as demais personagens utilizarem ela em cenas de ação que prendem o espectador na tela. Além disso, muitos elementos mágicos servem como um fan service muito bem feito e que encaixam na trama.




O clima político é o ponto alto do filme

No clímax de Crimes de Grindelwald, vemos Grindelwald, então interpretado por Johnny Depp, discursar seus planos fascistas. Aqui, vemos a articulação política que o vilão, agora interpretado por Mads Mikkelsen, faz em toda comunidade bruxa. Esse clima é auxiliado por uma interpretação e caracterização menos exagerada do vilão, mas que continua a marcar presença, justamente por esse maquiavelismo. Vale colocar que Jude Law também traz uma bela interpretação de Dumbledore, copiando trejeitos criados por Michael Gambon, que complementa o jogo de xadrez político entre os antagonistas e aprofunda a história do amado professor. E é nesse cenário que vemos onde a personagem de Maria Fernanda Cândido se encaixa.


É um excelente retcon de Os Crimes de Grindelwald

Os Crimes de Grindelwald foi um filme muito criticado pelo roteiro bagunçado, na qual as subtramas foram emaranhadas e complicaram a compreensão da história. Felizmente isso é muito bem corrigido pelo roteiro nesse filme, servindo até para corrigir os caminhos tortuosos deixados pelo segundo filme. Mas isso não é necessariamente positivo, uma vez que o principal gancho dele é resolvido de forma extremamente simplória e que o faz perder impacto. Um outro mérito é que o roteiro dá uma nova importância aos animais fantásticos, ao trazer um deles como um McGuffin.




Ele funciona em si mesmo. E só.

Apesar do filme corrigir os erros de seu antecessor e aprofundar nas mitologias das personagens, ele pouca avança na trama de Animais Fantásticos, ainda mais se considerar que é o seu filme do meio, parecendo mais um episódio isolado da história do que parte dela. Vale colocar que ele oferece possibilidades que auxiliam o estúdio com assuntos externos (sim, estou falando de você, Ezra Miller). Portanto, quando analisado em si, ele é um filme que funciona muito bem e nos traz de volta à magia desse universo, mas que não nos deixa ansiosos pelo próximo. E até por isso, tá na hora de a J.K. Rolling deixar sua criança sair de debaixo de suas asas, até porque seus atos transfóbicos pouco passam credibilidade nos discursos que o filme busca passar.