CCXP ou Comic Con Dublin: qual a melhor?
- Silas Castro

- há 1 dia
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Olá pessoal! Silas aqui, direto da Irlanda para trazer um post um pouco diferente! Anteriormente eu já fiz a análise e dei até algumas dicas de sobrevivência à CCXP, hoje venho fazer uma comparação do maior evento nerd do Brasil com um evento de premissa similar aqui da Irlanda. Para quem não sabe o nome “Comic Con” é um trademark e que a Omelete até tentou trazer ele para o Brasil, mas ao não conseguir acabou criando a CCXP (por isso o nome, é uma “experiência de Comic Con”) e neste último final de semana eu tive a oportunidade de participar de uma Comic Con oficial aqui em Dublin e falarei das principais diferenças, pontos positivos e negativos deste evento!
1. Tamanho e escala
A principal diferença é indiscutivelmente o tamanho e a escala da CCXP em relação à CCD (Comic Con Dublin para simplificar). Para começar a CCXP ao todo dura 5 dias (4 dias convencionais + a Spoiler Night) enquanto a CCD dura apenas 2 dias, além disso o Brasil não é só um país MUITO maior que a Irlanda, mas também tem uma cultura nerd BEEEMMM mais difundida e que é de conhecimento das empresas internacionais que o nosso público gasta muito e gasta bem nesses eventos. Já aqui é notável que o mundo nerd é algo meio nichado ainda, muitas das pessoas irlandesas que tenho contato nem sabem o que é uma Comic Con (algumas nunca nem tinham ouvido falar de Cosplay quando comentei que eu fazia) e nem da importância desse evento para quem gosta. O centro de convenções utilizado para o evento no Brasil também é muito maior e mais estruturado que o prédio que aconteceu o evento irlandês, que era um centro de convenções que tinha 5 andares, mas que cada andar dava para ser percorrido em meia hora tranquilamente, enquanto o da CCXP é um pavilhão gigantesco que eu considero impossível explorar inteiro em apenas um dia, mesmo desconsiderando as filas.

2. Lojas e interação
A CCXP é marcada pelos stands das grandes empresas, que sempre possuem filas quilométricas para poder participar de suas atividades e que em sua maioria das vezes são interativas e/ou garantem um brinde no final, deixando as lojas e as compras como algo mais de segundo plano, tendo maiores lojas e nem tanto a presença de lojas menores, ainda mais nos últimos anos. Já a CCD até tem algumas poucas coisas interativas: alguns cenários de filmes para tirar foto, uma máquina de garra aqui, uns jogos de videogame disponíveis ali e uns pássaros exóticos para tirar foto em um canto do evento e a quase ausência total de brindes (só não falo total, pois algumas lojas estavam dando adesivos de graça), mas é notável que o foco principal são as lojas, principalmente de colecionáveis (desde action figures, posteres, replica de armas e até relíquias do passado) e de quadrinhos/mangas (o que faz muito sentido, levando em conta que o nome do evento é Comic Con), além de ter uma variedade não só de produtos, mas temas nerdicos para comprar produtos, desde medieval, oriental, produtos feitos a mão, com impressora 3D e até forjados na hora! Uma similaridade importante de se destacar é que ambos os eventos têm um espaço garantido para artistas independentes exporem e venderem suas produções diretamente para o público, a famosa Artist’s Alley (ou Valley no caso da CCXP), mas algo marcando da CCD foi a presença de artistas bem jovens, da faixa etária de criança para pré-adolescentes, nesta área e muitos deles oferecendo fazer trabalhos por comissão na hora, não apenas produtos previamente produzidos.


3. Custo e alimentação
Sei que comparar preços é algo complexo, ainda mais em questões de moedas diferentes, mas acho que é um tópico válido a ser mencionado. O ingresso comparativamente é MUITO mais em conta. Eu comprei apenas o de domingo para entrada adiantada (que seria similar ao epic da CCXP, mas para apenas um dia, não para o evento todo) e me custou 30 euros a INTEIRA, cerca de 180 reais, sendo que a inteira para entrada no horário regular da CCXP custa R$540 (tendo a opção de meia convencional a R$270 e meia social a R$320), ou seja, a CCD é mais em conta para entrar até que a meia da CCXP. Além disso, algo que me impressionou muito foi que os preços dos alimentos dentro do evento da CCD não estavam absurdamente exagerados, eu comi uma pizza e paguei basicamente o que eu pagaria para comer uma pizza fora do evento, mas sabemos que isso é um costume ruim de eventos como um todo no Brasil, não só da CCXP, onde muitas vezes a comida além de ser cara, vem em porções ridiculamente pequenas, até hoje lembro o dia que comprei um hamburguer do food truck da Marvel por 56 reais e ele veio em um MINI pão francês kkkkkkkk (rir para não chorar).

4. Painéis e nomes de peso
É inegável que uma das principais atrações de um evento como esse são os famosos que aparecem neles, junto com os painéis e conteúdo exclusivo para quem está participando deles. A CCD até tinha alguns painéis, em sua maioria focada em tópicos gerais do universo nerd, porém nada chamativo o suficiente em comparação com a CCXP que já chegou a ter filmes inteiros pré-lançados neles, trailers exclusivos e aparições surpresas, mesmo levando em conta que nos últimos anos várias empresas de peso como a Netflix e a própria Disney não andam mais dando as caras. Já os artistas convidados da CCD foram muito bons ao meu ver, começando pelo Charlie Cox (o Demolidor das séries da Marvel) que eu tive o prazer de pegar uma assinatura, algo que nunca tive muito acesso antes na CCXP, tanto por ser caro, quanto pela velocidade que os ingressos são vendidos, Cassandra Peterson (a eterna Elvira), David Wenham (Faramir do Senhor dos Anéis), Doug Jones (A Forma da Água e outros filmes que ele sempre está todo maquiado kkkkk), além de uma coletânea de vários dubladores de séries, animações, jogos de vídeo game e uma lista bem grande de quadrinistas da Marvel e da DC estavam presentes e mais que isso, estavam BEM próximos do público geral, na própria Artist Alley em suas respectivas mesas (onde era possível pagar para ter um autógrafo ou selfie), enquanto na CCXP tem ficado cada vez mais raro e difícil ter um contato “natural” (no sentido de não ter que pagar para que ele ocorra) com alguém famoso de peso internacional.

5. Universo Cosplay

Para um evento em escala e proporções tão menores que o da CCXP, a quantidade e variedade (tanto de tipo, quanto de nível do cosplay, indo desde o cospobre feito de última hora até superproduções de alto nível) de cosplayers me surpreendeu positivamente e me animou a trazer algum dos meus cosplays do Brasil para uma próxima edição. Além disso, tinha camarins específicos para troca e até um desfile competitivo, mas aí nesse quesito a CCXP está anos na frente, já que a comunidade cosplayer profissional brasileira é da pesada e os prêmios são do mesmo patamar: o vencedor leva 60 mil reais mais um par ingressos Epic para o próximo ano. Enquanto o nível amador a CCD se destaca mais, o profissional a CCXP ainda se supera.
6. Veredito
A CCD é um evento muito mais focado no fã nerd mais “raiz”, aquele que busca itens raros para comprar, ou contato com quadrinistas e artistas de áreas bem nichadas e ainda oferece uma diversidade grande de lojas e pequenas atividades interativas, enquanto a CCXP é realmente evento em proporções bem maiores e que foca muito mais no público geral e em stands interativos, enquanto ainda tem coisas para os fãs hardcore. Deixando a comparação de lado, acho que se fosse para dar uma nota para a CCD como evento em si, eu daria um 8, já que a meu ver o que mais pecou foram em questões de organização (não havia um mapa geral para se guiar e a programação era literalmente em uma planilha de Excel online) e por fechar muito cedo, fechando as portas as 5 da tarde, mas num todo, foi um evento muito bom e marcante na minha vida de nerd!



